Banco Central deve abrir portas para corte de juros em março
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26/01/2026 | 16h57
Brasília, 26/01/2026 - A comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central estará sob a lupa do mercado financeiro nesta e na próxima semana. Analistas buscarão no comunicado e na ata da reunião de janeiro mudanças que abram as portas para o início de um ciclo de cortes dos juros já no encontro seguinte, em março.
Às vésperas da decisão, prevalece a avaliação de que uma sinalização explícita da autoridade monetária sobre seus próximos passos é pouco provável. Assim, os detalhes da comunicação ganham ainda mais importância. O anúncio será feito nesta quarta-feira e o mercado ficará atento, por exemplo, à análise do cenário econômico, às projeções de inflação e a possíveis modificações no trecho referente à decisão de política monetária.
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O início do ciclo de cortes da Selic em março se tornou a aposta quase unânime do mercado financeiro, de acordo com levantamento Projeções Broadcast publicado na última quinta-feira, 22. Segundo a pesquisa, esse é o cenário de 34 de 37 casas consultadas.
O cenário já foi mais dividido. Na reta final de 2025, um número maior de instituições via a possibilidade de redução já nesta reunião de janeiro. Entre elas, estava o Banco Inter, que revisou recentemente a projeção de início dos cortes para março.
A probabilidade de um direcionamento muito claro no sentido de queda dos juros é bastante reduzida", avalia a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta.
Argenta projeta o início do ciclo de cortes da Selic em março. Na comunicação de janeiro, diz, terá atenção especial às avaliações do comitê quanto ao mercado de trabalho e ao ritmo de serviços. Ela espera também ajustes no parágrafo sobre a prescrição de política monetária, com a subtração do trecho que diz que o colegiado não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.
"A retirada desse termo seria uma sinalização de um aumento da probabilidade de queda, de que o Banco Central está considerando esse movimento para a reunião subsequente", afirma.
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A economista-chefe Rafaela Vitória entende que na comunicação de janeiro a tendência é que o Copom mantenha uma abordagem mais conservadora, mas abra as portas para o início do afrouxamento na reunião seguinte. "Não necessariamente indicando que considera cortar a partir de março, mas pode comunicar que os próximos passos estão abertos à evolução do cenário", diz a economista.
Ela frisa que o cenário na próxima reunião tende a contribuir para o início da flexibilização, com um câmbio mais benigno e inflação corrente mais baixa.
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A baixa expectativa por um sinal explícito da autoridade monetária reflete declarações recentes de membros da autarquia. No início de dezembro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que, embora exista no mercado uma busca por uma "seta", o colegiado não vê a necessidade de ter um código sobre o que irá ou não fazer. Dias depois, frisou que não havia "seta nem porta fechada" em relação à decisão do comitê.
O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, que também prevê início dos cortes em março, espera um comunicado em janeiro praticamente inalterado, com principal ponto de atenção na projeção de inflação.
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Sete diretores
O desfalque temporário do colegiado tende a ser um pormenor na reunião de janeiro. Desta vez, a decisão será tomada por sete e não nove diretores, como de costume. A situação atípica ocorre porque ainda não foram indicados os substitutos para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, vagas desde o final do ano passado.
Argenta observa que nas últimas decisões o colegiado se mostrou extremamente coeso, e entende que, tendo em vista esse histórico, a ausência de dois diretores não tende a modificar a interpretação da instituição sobre a forma como a política monetária deve ser conduzida.
Vitória entende que a situação até pode ter alguma influência na discussão, mas minimiza eventuais efeitos. "Nós não temos no Brasil uma transparência em relação aos membros do Copom sobre suas convicções individuais, como há nos Estados Unidos, por exemplo, que os membros falam abertamente e têm projeções que, inclusive, às vezes, são divergentes. Não é o caso aqui", acrescenta.
(Por Marianna Gualter)
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