Belo Horizonte é a capital com mais devedores, mostra pesquisa
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São Paulo - A capital das Minas Gerais, Belo Horizonte, é a mais inadimplente do País, aponta a Radiografia do Endividamento de 2026, estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
No começo deste ano, seis em cada dez famílias da cidade (65%) tinham uma conta vencida. E o indicador aumenta a cada ano. No fim de 2023, mostra o estudo, a porcentagem de famílias nessas condições era de 50%. Um ano depois, foi para 55% e, agora, subiu 10 pontos porcentuais de uma só vez.
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Na contramão de BH está a capital paraibana, João Pessoa, onde apenas 15% das famílias tinham pelo menos uma conta em atraso. A Radiografia do Endividamento da FecomercioSP deixa patente a disparidade entre as capitais. Em Teresina, capital do Piauí, por exemplo, 40% das famílias tinham contas em atraso na época do levantamento.
Renda comprometida
O comprometimento da renda para pagar dívidas, outro corte importante da pesquisa, mostra que, na média do País, 30% da renda das famílias são destinadas a pagamento de dívidas, não necessariamente em atraso.
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“A taxa repete-se pelo menos desde 2023. Se não é um número totalmente preocupante, algumas capitais convivem com situações mais críticas. É o caso de Teresina (PI), onde quase a metade (42,4%) dos rendimentos mensais dos lares é destinada ao pagamento de dívidas. Em Natal (RN), essa taxa é de 35,6%, e em Macapá (AP), de 35,5%”, dizem os organizadores do estudo.
No Distrito Federal (DF), 22% dos rendimentos das famílias são destinados para dívidas. O ranking ainda tem Goiânia (26%) e Palmas (TO) e Aracaju (SE), com 27%, já próximas da média.
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Essas diferenças também podem ser notadas no valor absoluto das dívidas familiares das capitais. Nesse sentido, Florianópolis (SC) é onde esse montante é mais alto: R$ 6,4 mil por mês, o que é suavizado pelo fato de a cidade ter a segunda maior renda média familiar entre as capitais.
Não é o que acontece em Belo Horizonte, porém, cujas dívidas chegam a quase R$ 5 mil mensais e a renda média é de R$ 8,2 mil. Segundo a análise da FecomercioSP, essa pressão sobre a renda é um risco significativo de inadimplência, uma vez que, nesse cenário de mais instabilidade, dificilmente as famílias conseguem manter as contas em dia.
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Pressão sobre consumo
Assim, as consequências atingem do consumo mais essencial até itens de segunda necessidade. Diante dos dados, a FecomercioSP entende ser importante fortalecer as políticas de educação financeira da população, conscientizando as famílias sobre os usos do crédito e quanto à organização mais adequada do orçamento doméstico.
O cenário de endividamento - e inadimplência, sobretudo - é prejudicial para o consumo e, de certa forma, para a economia do Brasil. Evitar a deterioração desse quadro é essencial, avaliam os técnicos da entidade.
A Fecomercio ressalta que a porcentagem de famílias com dívidas voltou a subir: era de 78% em 2023 no País, foi para 76% em 2024 e, agora chegou a oito em cada dez lares (80%). Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Vitória (ES) e o Rio de Janeiro (RJ) apresentam as situações mais críticas.
Na contramão, estão capitais bastante diferentes entre si, como Macapá (AP) e São Paulo (SP), ambas com 69% de famílias endividadas. Enquanto a primeira é uma cidade de menor porte, com aproximadamente 500 mil habitantes, a outra é a maior metrópole do País e da América do Sul. Esse ranking tem ainda Campo Grande (MS) e Belém (PA), com 70% de endividamento, e Florianópolis (73%).
(Por Francisco Carlos de Assis)
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