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Fin4She vai debater desafios das lideranças femininas no mercado financeiro

Foto: Moose Mídia

CEO do Fin4She, Carolina Cavenaghi, defende a diversidade no mercado financeiro - Foto: Moose Mídia
CEO do Fin4She, Carolina Cavenaghi, defende a diversidade no mercado financeiro
Por Alessandra Taraborelli

21/05/2026 | 11h59 ● Atualizado | 11h59

São Paulo - A diversidade no mercado financeiro deve ser tratada como estratégia de negócio e prioridade das lideranças, superando a burocracia das métricas de relatórios, avalia Carolina Cavenaghi, CEO do Fin4She, evento que conecta lideranças femininas do mercado financeiro e debate temas como a necessidade de conciliar vida pessoal e carreira.

Segundo a executiva, que atuou por vário anos no mercado financeiro, o sucesso da equidade depende de uma cultura de acolhimento e do fim do dilema binário entre maternidade e carreira, permitindo que mulheres alcancem o topo por meio de planejamento e suporte organizacional.

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Para a ela, o que falta para o mercado financeiro ser mais atrativo para mulheres é uma pauta prioritária das lideranças. "Enquanto for algo bonitinho para o relatório, não avança", afirmou.

Segundo Cavenaghi, os executivos deveriam entender que a diversidade "é estratégia de negócio, não apenas social", por motivos simples de entender:

Um time uniforme só fala com quem é igual a ele. Se você quer vender para o público jovem ou diverso, precisa de diversidade interna para entender o cliente. Times mistos geram mais inovação, melhor gestão de riscos e ganhos financeiros comprovados.”

A executiva destaca ainda que a maior barreira para as mulheres hoje está na média gerência. As empresas focam muito na entrada (estágios) ou no topo (conselhos), mas o "teto de vidro" acontece no meio do caminho. De acordo com Cavenaghi, é onde a mulher sente que o ambiente não cabe mais para ela e desiste.

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Precisamos de programas de retenção específicos para esse público. Outro ponto é o planejamento financeiro feminino desde o primeiro dia de trabalho; isso dá autonomia para a mulher decidir sua carreira por escolha, não por necessidade.”

NR1

No próximo dia 26 entra em vigor a NR1 (Norma Regulamentadora 1), e a executiva avalia que, mais uma vez, é necessário que as lideranças estejam envolvidas para dar certo e, além disso, deixar de ser apenas algo burocrático, para cumprir as regras.

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“O risco é virar apenas um check burocrático. A eficácia depende da capacidade de inovação das áreas de gestão de pessoas. O mundo mudou pós-pandemia. Hoje, o trabalho remoto é visto como um benefício corporativo, um pilar de qualidade de vida, por exemplo", afirmou.

"Mas temos desafios: a epidemia da solidão e o esgotamento mental. As lideranças precisam entender que a vida não é linear. Às vezes você entrega 80% em um lado e compensa no outro. Aceitar a imperfeição e trabalhar nos bastidores para construir uma cultura de acolhimento é o que vai reter talentos”, disse.

Evolução

A executiva avalia que a principal diferença de quando começou, aos dias de hoje é a consciência, que foi acelerada pela pandemia. Carolina avalia que antes as mulheres simplesmente sobreviviam no ambiente de trabalho sem questionar o suporte necessário para quem voltava de licença maternidade, por exemplo. Hoje, o tema ganhou força e as pessoas olham para isso de forma diferente.

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Ela avalia que, no cenário macro, o ano passado foi difícil, com retrocessos vindos de influências externas (como o cenário nos EUA), mas afirma que há lideranças genuinamente comprometidas. "Mudança cultural e intergeracional leva décadas, mas as mulheres estão configurando modelos de vida menos binários”, comentou.

Ela revela que aprendeu a não se cobrar tanto, aceitar as fases e se cobrar menos:

Se estou em época de evento, alguns pratinhos vão cair e depois eu os recupero. O importante é a autenticidade e parar de viver agendas que não são nossas. Construir reputação nos bastidores, com constância e verdade, é o que sustenta a carreira no longo prazo.”

Fin4She

O Fin4She surgiu da necessidade de conciliar vida pessoal e carreira. Cavenaghi conta que o estalo veio com a maternidade, na volta da licença do seu segundo filho, quando ela começou a se questionar se havia espaço para ela nesse novo modelo de vida.

“Percebi que as mulheres enfrentavam um dilema binário: ou você desiste da carreira para se dedicar aos filhos, ou abre mão de um lado para ser uma profissional de topo. Não parecia haver um meio do caminho.”

Em 2019, ela realizou o evento chamado Women in Finance. E, para surpresa, 800 mulheres se inscreveram. Foi ali, que ela percebeu que havia uma demanda reprimida por conexão e conteúdo.

Ela conta que as empresas começaram a  procurá-la querendo saber como contratar e reter mulheres. Em 2020, ela fez sua transição de carreira para empreender integralmente no Fin4She, que hoje já tem seis anos de jornada.

Evento

Entre os dias 1 e 2 de junho acontece o Fun4She Summit 2026, que vai contar com três palcos onde serão debatidos temas que podem ajudar na carreira feminina. Além disso, a novidade são as salas de mentorias para até 10 pessoas.

“Identificamos que em eventos grandes o networking é difícil, então criamos esses espaços para trocas reais”, conclui.

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