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Bicho-preguiça atropelada volta à natureza após 60 dias de cuidados em SP

Divulgação/Semil

Fêmea adulta de preguiça-da-mata-atlântica voltou à natureza após 60 dias de tratamento e reabilitação - Divulgação/Semil
Fêmea adulta de preguiça-da-mata-atlântica voltou à natureza após 60 dias de tratamento e reabilitação
Por Alexandre Barreto

21/05/2026 | 12h40

São Paulo - Uma fêmea adulta de preguiça-da-mata-atlântica voltou à natureza após 60 dias de tratamento e reabilitação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Registro, no interior de São Paulo.

O animal havia sido atropelado às margens de uma rodovia em Juquiá, no Vale do Ribeira, em fevereiro deste ano.

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A soltura ocorreu em uma área preservada do Parque Estadual Carlos Botelho, unidade administrada pela Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil)

O parque fica na região da Serra da Macaca e seu território de mais de 37 mil hectares abrange partes de três municípios paulistas principais: São Miguel Arcanjo (onde fica a sede administrativa principal e o principal núcleo de visitação), Sete Barras (região do Vale do Ribeira) e Capão Bonito.

 Após 60 dias de cuidados, bicho-preguiça volta à natureza no Parque Carlos Botelho
Fêmea adulta de bicho-preguiça voltou à natureza em uma área preservada do Parque Estadual Carlos Botelho - Divulgação/Semil

Segundo a equipe veterinária, apesar de não apresentar lesões graves em outros órgãos, ela sofreu ferimentos severos em uma das mãos após o atropelamento.

Duas das três garras do membro dianteiro esquerdo precisaram ser amputadas cirurgicamente e parte da terceira garra foi preservada.

Os veterinários explicam que as garras são fundamentais para a sobrevivência da espécie. Elas são formadas por ossos revestidos de queratina e funcionam como "ganchos" que permitem ao animal permanecer pendurado e se locomover entre os galhos durante praticamente toda a vida.

Preguiças ficam vulneráveis ao descer das árvores

O resgate ocorreu em um momento considerado crítico para a espécie. As preguiças descem ao solo apenas a cada sete a dez dias para urinar e defecar. Durante esse deslocamento lento, ficam mais expostas a atropelamentos em áreas próximas a rodovias.

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Após a cirurgia, a fêmea passou por acompanhamento clínico diário. O tratamento incluiu controle da dor, adaptação alimentar e estímulos para recuperação dos movimentos.

Com a evolução do quadro, o animal voltou gradualmente a escalar árvores, se deslocar entre galhos e se alimentar de forma independente.

Preguiças são animais extremamente delicados em reabilitação. Elas têm necessidades muito específicas e qualquer alteração pode gerar estresse importante. Ver essa fêmea recuperada, adaptada e novamente pronta para a vida livre é muito gratificante para toda a equipe”, destaca Hanna Sibuya Kokubun, chefe de departamento do Cetras de Registro.

Área preservada foi escolhida para aumentar chances de sobrevivência

De acordo com a gestão do parque, a escolha do local de soltura levou em consideração características semelhantes às da área onde o animal foi encontrado.

A gestora do Parque Estadual Carlos Botelho, Nathalia Zandomenegui, explica que a região escolhida possui vegetação preservada, disponibilidade de alimento e conectividade florestal compatíveis com as necessidades da espécie.

A devolução em uma Unidade de Conservação também contribui para o fortalecimento da população local de preguiças-da-mata-atlântica, especialmente por se tratar de uma fêmea adulta e apta à reprodução", explicou.

Ela explica que a espécie é sensível ao cativeiro e as preguiças exigem controle rigoroso de temperatura, alimentação e ambientação durante o processo de recuperação.

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O caso foi tratado pela equipe como um exemplo de sucesso na reabilitação de fauna silvestre. "A soltura representa também um ganho para a conservação da fauna silvestre da Mata Atlântica e reforça o papel dos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres no resgate e recuperação de espécies brasileiras", destacou a Semil.

 Após 60 dias de cuidados, bicho-preguiça volta à natureza no Parque Carlos Botelho
O caso foi celebrado pela equipe como um importante sucesso de reabilitação animal - Divulgação/Semil

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