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Como deixar as contas no azul com perspectiva de manutenção dos juros

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Selic deve seguir em 15% ao ano até março, segundo estimativas do mercado - Envato
Selic deve seguir em 15% ao ano até março, segundo estimativas do mercado
Por Fabiana Holtz

27/01/2026 | 16h14

São Paulo, 27/01/2026 - Em sua primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia amanhã sua decisão sobre o juro básico da economia, a Selic, que é a referência para taxas de crédito, financiamento e remuneração de aplicações financeiras, por exemplo. Em momentos de alta da inflação, o Banco Central (BC) tende a elevar a Selic para esfriar a economia e reduzir a demanda, o que, consequentemente, contribui para conter o aumento de preços.

Nesse contexto, a Selic tem sido mantida em 15% ao ano desde junho passado. O ambiente tão restritivo para o crédito, consumo e investimentos por tanto tempo já se reflete, segundo Carlos Honorato, professor de Pós-Graduação na FIA Business School, no maior endividamento das famílias e de empresas.

Leia também: Inflação medida pelo IPCA fecha 2025 em 4,26%, melhor resultado desde 2018

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Honorato avalia que o Copom já poderia dar início aos cortes
Foto: Divulgação

Em novembro, o porcentual de famílias brasileiras endividadas ficou em 79,2%, com leve queda após 9 meses consecutivos de alta, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

No entanto, o índice de inflação oficial do País, o IPCA, encerrou o ano de 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,50%. 

Leia também: Dia de Copom: o que é Selic e como funciona a decisão de juros

A alta no setor de serviços informais, por exemplo, passa a sensação de que a inflação está em um patamar muito mais elevado do que se observa nos índices oficiais. "É o que o consumidor sente primeiro no bolso. Os preços de serviços como o salão de beleza, supermercado, a corrida de aplicativo", explica Marcos Crivelaro, professor de Finanças da Fundação Vanzolini. 

Segundo ele, embora a inflação medida pelo IPCA esteja dentro da meta, no segmento de serviços, especialmente, continua mostrando resistência. Isso torna o Copom cauteloso e explica a manutenção da rigidez na política monetária até que dados futuros confirmem a trajetória desejada.

Leia também: Consumo nos lares brasileiros encerra 2025 em alta de 3,68%, diz Abras

Na avaliação do economista Carlos Honorato, professor de Pós-Graduação na FIA Business School, existem alguns elementos que já apontam para uma possibilidade de corte.

Esse juro alto por tanto tempo tem contribuído para o maior endividamento das empresas, das famílias. Já vejo um cenário propício para corte. Estamos com a inflação dentro da meta, sob controle, temos expectativa de diminuição da atividade econômica", afirma.

Ano eleitoral 

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Para Crivelaro, cautela do Copom deve prevalecer por mais tempo que o esperado por conta do ano eleitoral
Foto: Divulgação

Para Crivelaro, o ano eleitoral tende a ditar esse ritmo de cautela do Copom. "Acho que os cortes podem começar ainda mais adiante, depois de março. A agenda eleitoral deve ditar isso", afirma. Segundo ele, a decisão sobre os juros neste ano será um fator mais político do que econômico.

Em anos de eleição, a política fiscal tende a se expandir, o que pressiona as expectativas e exige mais prudência do BC na condução dos juros. Isso pode postergar o início ou diminuir a velocidade do ciclo de cortes", observa.

Este Copom, acrescenta o professor, é menos sobre a taxa de agora e mais sobre comunicação estratégica. "O mercado já precifica a manutenção da Selic em 15%, mas o verdadeiro balanço está no tom do comunicado."

Leia também: Banco Central deve abrir portas para corte de juros em março

Diante da expectativa de que o alívio nos juros ainda vai demorar um pouco, a orientação dos economistas por enquanto é cautela e controle. Veja a seguir algumas recomendações para manter suas contas no azul enquanto o cenário para a Selic não muda:

Pesquise

No supermercado, a dica para economizar no orçamento é buscar pelas promoções do dia. "O ideal é ter noção da média de preços dos produtos básicos que você mais consome e buscar as ofertas. A pesquisa de preço é uma dica essencial", ensina Crivelaro.

Se programe ao longo do ano

Aproveite o início de ano para preparar seu planejamento financeiro até dezembro. Se programe e tenha cuidado com sobreposição de parcelas no cartão. Quem tem o orçamento na ponta do lápis percebe antes quando o orçamento vai apertar e tem a chance de evitar um comprometimento maior e desnecessário da renda.

Cuidado com o cartão e compras de impulso

A recomendação aqui é fugir das compras de impulso que podem te levar a dívidas indesejadas que podem acabar virando uma bola de neve no cartão de crédito. Se surgiu uma proposta tentadora tente refletir sobre essa decisão pelo menos de um dia para o outro. "Durma com esse assunto", recomenda Crivelaro.

Programas de fidelidade e milhas

Outra dica é utilizar os benefícios oferecidos pelos programas de fidelidade e de milhas do cartão sempre que possível. "Isso pode representar grandes economias, principalmente se você está de olho na compra de uma televisão para assistir a Copa do Mundo, que acontece esse ano, ou já tem aquela viagem de férias prevista para o final do ano", conta o professor. 

Se organize para poupar 

Criar o hábito de poupar exige disciplina, organização e pode começar com um simples mapeamento dos seus gastos. Mesmo que a quantia a ser poupada seja pequena, com planejamento e disciplina, seguir esses passos podem te levar a almejada independência financeira. 

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