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Gestão financeira é principal desafio para longevidade dos pequenos negócios

Fabiana Holtz/Viva

Empresária e consultor do Sebrae falaram sobre os desafios de empreender no Brasil hoje - Fabiana Holtz/Viva
Empresária e consultor do Sebrae falaram sobre os desafios de empreender no Brasil hoje
Por Fabiana Holtz

12/06/2026 | 17h22

São Paulo - O cenário do empreendedorismo no Brasil vive um momento de dualidade marcante, aponta Bia Santos, empreendedora social e CEO da Barkus Educacional, empresa focada em democratizar a educação financeira e a inclusão social para população vulnerável. De um lado, os números impressionam: o País conta com 34% da população adulta (o equivalente a 50 milhões de pessoas) empreendedora, segundo o último Censo Global de Empreendedorismo de 2024.

De outro, a realidade das empresas é árdua, com 60% dos novos negócios fechando as portas antes de completar cinco anos, o que representa não apenas a destruição de sonhos, mas um impacto direto na geração de riqueza das cidades.

Santos participou nesta tarde do painel "Empreender ao longo da vida: educação financeira para criar, adaptar e recomeçar", ao lado de Carlos Eduardo Freitas, professor da Fundação Dom Cabral e consultor do Sebrae MG. O debate fez parte da programação do '3º Encontro de Educação Financeira', em São Paulo.

Um dos maiores obstáculos identificados por especialistas e consultores do Sebrae, segundo Freitas, envolve a quebra de um paradigma comum: a crença de que ter um bom produto ou serviço é suficiente para o sucesso. 

Embora seja uma condição necessária, a sobrevivência de um negócio exige qualificação e gestão, especialmente em um quadro econômico onde 80% das famílias brasileiras estão endividadas e a inadimplência cresce, afirma Freitas.

Muitos acabam empreendendo por necessidade, aponta Freitas, como uma forma de equilibrar as contas domésticas, porém não têm ideia de como se preparar para aproveitar uma boa oportunidade de mercado. "Esse distanciamento entre a vontade de fazer e o conhecimento técnico é perigoso. Apenas 50% dos que empreendem buscam conhecimento especializado", diz Freitas.

Sistema circulatório da empresa

No centro da sobrevivência de um novo negócio, afirma Santos, está a gestão financeira que seria uma espécie de "aparelho circulatório" da sua empresa. "Assim como o sangue leva nutrientes ou toxinas aos órgãos, as finanças podem distribuir energia ou dificuldades por todo o negócio", ensina. 

Um ponto de alerta para os novos empresários é a ilusão do faturamento alto. Vender muito não é sinônimo de sucesso, se a margem for baixa ou se o empreendedor não conseguir receber o que vendeu, afirma o consultor. Nesse contexto, o desafio das instituições de apoio, como o Sebrae, tem sido traduzir conceitos técnicos para uma linguagem simples e acessível à realidade do empreendedor comum.

Romantização

Santos e Freitas concordam que há uma "romantização" do empreendedorismo moderno, o que passa uma imagem ilusória do cotidiano de quem pretende abrir um negócio. Diferentemente do que propagam gurus de internet, que prometem faturamentos milionários em poucos meses, Santos compara empreender à construção de uma casa, tijolo por tijolo. E ações simples podem representar o divisor de águas entre o crescimento e a falência do seu negócio, ensina a empreendedora. 

Nunca misturar o dinheiro da conta pessoal com a da empresa é o exemplo básico de uma medida prática e importante para a evolução da empresa.

Segundo Santos, empreender no Brasil hoje é mais fácil em termos de abertura de portas, mas o verdadeiro desafio reside na capacidade de mantê-las abertas.

O bate papo da dupla aconteceu durante o '3º Encontro de Educação Financeira', realizado na Unibes Cultural em São Paulo. A iniciativa reuniu Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Banco Central (BC), B3, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) e Sebrae.

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