Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial em São Paulo
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São Paulo - O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial com R$ 17,322 bilhões em créditos sujeitos ao processo. A ação inclui a companhia e nove subsidiárias e foi apresentada à Justiça de São Paulo ontem, 16. Segundo a empresa, o pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo (SP) e contou com aprovação do acionista controlador.
Na petição, a Casas Bahia afirma enfrentar "a pior crise financeira desde a sua fundação". Segundo a empresa, a situação decorre da alta dos juros, da inflação, da perda de poder de compra das famílias e do aumento da inadimplência, além dos investimentos realizados em tecnologia, logística e comércio eletrônico.
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A recuperação judicial é apontada como necessária e como mais um passo no processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a continuidade das atividades e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento das obrigações.
A empresa disse ainda que pretende manter as operações em todos os canais existentes durante o processo, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores, sem interrupções relevantes e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes.
Além da própria companhia, integram o pedido de recuperação judicial as empresas ASAP Log - Logística e Soluções; ASAP Log; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística; Cntlog Express Logística e Transporte; Globex Administração e Serviços; Cnova Comércio Eletrônico; Integra Soluções para Varejo Digital; Casas Bahia Tecnologia; e Indústria de Móveis Bartira.
Recuperação extrajudicial
Em 2023, o grupo iniciou uma reestruturação que incluiu o fechamento de 55 lojas deficitárias, a redução de cerca de 8,6 mil postos de trabalho, um corte superior a R$ 1 bilhão nos estoques e a diminuição de aproximadamente 60% dos investimentos.
No ano seguinte, a Casas Bahia recorreu a uma recuperação extrajudicial para alongar R$ 4,8 bilhões em principal e juros de dívidas financeiras que venceriam entre 2024 e 2027.
Em 2025, a Mapa Capital assumiu o controle da varejista, com cerca de 85,5% do capital, após converter debêntures em ações em uma operação que reduziu a dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão. Embora classifique a renegociação como "exitosa", a empresa afirma que as dificuldades econômico-financeiras persistiram.
Como parte da nova etapa de reestruturação, o grupo informa que está demitindo cerca de 3 mil funcionários e fechando quase 300 lojas em agosto. A companhia sustenta, porém, que a crise é temporária. "Trata-se de desequilíbrio conjuntural, e não estrutural", afirma na petição.
(Por Júlia Pestana e Gabriel Baldocchi)
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