Inflação da Páscoa: como driblar a alta do bacalhau?
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São Paulo - Chegou mais um evento importante do calendário nacional das famílias brasileiras: a Semana Santa. Esse período costuma ser marcado por um algumas restrições com a proximidade do fim da Quaresma e um almoço especial no domingo de Páscoa. Com o preço do bacalhau acumulando uma alta de 13,3% em relação ao ano anterior, segundo dados apurados pelo IBGE, a recomendação é avaliar as opções com prudência.
A estratégia para evitar dívidas inesperadas nessa Páscoa, na visão do economista Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), passa pela substituição inteligente de alguns itens.
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Mariana Oreng, professora de Finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), observa que no acumulado dos últimos cinco anos, entre 2020 e 2025, o nosso principal índice da inflação, o IPCA, teve um acúmulo de 38%, enquanto o preço do bacalhau registra uma alta de 48% no mesmo período.
"Esse custo tão alto é certamente um desafio importante para todas as famílias que pretendem fazer algum tipo de receita utilizando essa proteína", concorda a professora.
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Planeje e saia na frente
Ter planejamento é o primeiro passo dessa jornada. Com uma leitura inteligente de mercado, pesquisa e uma listinha em mãos fica mais fácil não estourar o orçamento.
Se antecipar ao sair as compras é fundamental.
O preço do bacalhau tende a subir progressivamente nas semanas que antecedem a Semana Santa, então quando a gente compra três, quatro semanas antes a economia acaba sendo relevante, ensina Ahmed.
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Escolha cortes menos nobres, como lascas ou até mesmo o bacalhau desfiado. Essa medida pode reduzir entre 20% e 30% seu gasto com a receita do almoço de Páscoa, sem perder a qualidade do seu prato.
Considerar uma substituição parcial é uma alternativa economicamente racional.
Avalie as opções
Existem opções mais baratas de outros peixes como a tilápia, merluza, pescada branca e eventualmente até mesmo sardinha, que podem cumprir papel semelhante em algumas receitas com custo 60% menor, sugere o economista.
Compare a relação custo-benefício entre o bacalhau e espécies semelhantes que são comercializadas no Brasil, mas tem um preço significativamente menor. Isso pode representar uma economia de até 40%.
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Tem desconto à vista ?
Um clássico da educação financeira, sempre pergunte se tem algum desconto na compra para pagamento à vista.
Essa estratégia, ponderam os professores de economia, é um pouco mais comum nas lojas físicas de bairro, as peixarias. A recomendação é: se você tem um orçamento fechado para esse almoço use o seu poder de barganha para se manter dentro dele.
A dica vale também para as bancas do Mercado Municipal ou na feira de rua localizada próxima a sua casa.
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Compras pela internet ou app
A opção por comprar online, lembra a professora Mariana Oreng, tem a vantagem de oferecer acesso a duas coisas: cupons e cashbacks.
Se é uma primeira compra via aplicativo ou site, o cliente em geral ganha um benefício, um cupom, desde que aquele item não esteja em valor promocional, destaca a professora da ESPM.
Algumas redes de varejo também oferecem cashback através de plataformas parceiras ou pontos dentro da própria loja física. Na avaliação de Oreng, são dois fatores que ajudam a baratear o preço final desse almoço especial.
Simbolismo
Ponto relevante a ser levado em conta aqui é que o consumo de bacalhau na Semana Santa é um fator cultural, que carrega um significado especial para muitos brasileiros. Isso significa que muitas famílias vão continuar a consumi-lo mesmo diante da forte alta nos preços.
Nesse contexto, o economista Ahmed El Khatib considera que seja reduzindo a quantidade ou complementando a receita com outros alimentos, os brasileiros tendem a se adaptar para manter o bacalhau dentro do seu orçamento.
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