Mulher que cuida de idosos perde dinheiro da aposentadoria, diz estudo
Estudo do Fórum Econômico Mundial mensura a perda de produtividade por ter de deixar o trabalho para cuidar dos parentes idosos
Por Luana Pavani
26/09/2026 | 10h25Adobe Stock
A responsabilidade pelo cuidado de pais idosos recai majoritariamente sobre as mulheres, o que compromete sua capacidade de acumular renda e se preparar para a própria aposentadoria, conforme estudo do Fórum Econômico Mundial.
Cuidar de idosos pode reduzir o poder de poupança para a aposentadoria das mulheres brasileiras em até 46% após cinco anos, superando a média global, e resultará em uma perda acumulada de produtividade de R$ 47 bilhões no Brasil entre 2025 e 2040.
Especialistas sugerem que o cuidado de idosos deve ser remunerado e que tanto empresas quanto governos devem encarar a longevidade como uma oportunidade de investimento, não como um custo.
São Paulo - A tarefa de cuidar dos pais idosos é tradicionalmente da filha mulher, o que é fácil de se observar em tantos lares pelo Brasil, independentemente da faixa de renda. A tarefa, entretanto, é muito difícil, principalmente pela perda de poder econômico dessa mulher, que se desdobra para conciliar o trabalho com a rotina de cuidados dos parentes idosos.
Mas há um ponto importante aí: essa mulher que cuida vai perdendo a capacidade de acumular renda para quando ela própria se tornar idosa, mostra um estudo recente do Fórum Econômico Mundial.
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Um ano de prática de cuidar de idosos quando a pessoa tem 30 anos combinado com o impacto de desigualdade salarial de gênero pode reduzir o poder de poupança para a aposentadoria de uma mulher no Brasil em torno de 29% - esse dado é maior que a média mundial, de 24%. Após cinco anos, a perda é ainda mais grave, chegando a 46% - ante média global de 43%.
A questão extrapola as quatro paredes e se reflete em prejuízo econômico para o País. A projeção de perda acumulada de produtividade por falta de emprego de adultos entre 55 e 70 anos no período de 2025 a 2040 é de R$ 47 bilhões de reais no Brasil.
O dado não leva em conta o impacto no trabalho por etarismo, decisão própria de profissionais mais velhos de deixar a força de trabalho nem a lacuna de equipes multigeracionais nas empresas.
Para efeito de comparação, o Canadá no mesmo período teria uma perda de produtividade de R$ 39 bilhões, e a Colômbia, nosso vizinho na América Latina, de R$ 18 bilhões, conforme o levantamento do Fórum Econômico Mundial apresentado durante o 8º Fórum e Festival da Longevidade.
A especialista em economia da longevidade do Fórum Econômico, Isabela Bartczak, destaca que o papel de cuidar de idosos deveria ser remunerado, com um auxílio governamental, já que essa cuidadora tem plena capacidade produtiva.
"As pessoas precisam ver longevidade como uma nova fase de vida não o fim. E as empresas e governos têm de ver a longevidade como investimento, não gasto", afirmou Bartczak em sua palestra.
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