Desenrola 2.0: como será o novo programa de renegociação de dívidas
Adobe Stock
São Paulo - O governo federal deve apresentar ainda nesta semana um novo programa de renegociação de dívidas, que já está sendo chamado de Desenrola 2.0. A ideia é permitir que pessoas endividadas renegociem seus débitos com condições melhores, como juros menores e descontos relevantes.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a expectativa é que o programa alcance “dezenas de milhões” de pessoas. O foco está principalmente em dívidas comuns do dia a dia, como cartão de crédito, crédito pessoal e cheque especial — justamente aquelas que costumam ter juros mais altos.
Leia também: Programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, pode sair esta semana
O Desenrola 2.0 surge como uma tentativa de dar fôlego financeiro às famílias, mas também vem com um recado claro: não se trata de um programa recorrente. Ou seja, a renegociação é vista como uma oportunidade pontual para colocar as contas em dia e evitar o acúmulo de dívidas no futuro.
Quem vai poder aderir ao Desenrola 2.0?
O programa deve ser voltado principalmente para pessoas físicas com dívidas em modalidades de crédito mais caras. Entre elas estão o cartão de crédito, o crédito pessoal e o cheque especial. Além disso, haverá um esforço para que o processo seja simples e direto, com os próprios bancos chamando os clientes para renegociar.
Leia também: Primeira parcela do 13º do INSS já tem destino certo para 77%
Outro ponto que entra no pacote é a educação financeira. Bancos e governo sinalizaram que querem orientar melhor os consumidores para evitar novos ciclos de endividamento. Também estão previstas algumas restrições, como limitações relacionadas a apostas para beneficiários do programa.
De quanto será o desconto nas dívidas?
Os descontos prometem ser um dos principais atrativos. De acordo com o ministro Dario Durigan, os abatimentos podem chegar a até 90% do valor das dívidas, dependendo do caso.
Isso significa que débitos antigos ou com juros acumulados podem ser reduzidos de forma significativa, facilitando a quitação. A lógica é permitir que mais pessoas consigam, de fato, sair da inadimplência.
Como o governo pretende reduzir os juros?
Hoje, algumas dessas dívidas têm juros mensais que variam entre 6% e 10%. No Desenrola 2.0, a proposta é justamente baixar essas taxas par algo em torno de 2% ao mês. Para isso, o governo negociou diretamente com bancos e instituições financeiras.
Além disso, haverá apoio do Fundo Garantidor de Operações, que ajuda a reduzir o risco das operações para os bancos. Na prática, isso abre espaço para oferecer crédito com condições melhores.
Saque do FGTS
Uma das medidas previstas é a possibilidade de usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas.
Diferente de outras situações, o saque terá uso direcionado: o dinheiro só poderá ser retirado para pagar débitos. Além disso, haverá um limite para esses saques.
A ideia é evitar que o trabalhador use o fundo para contrair novas dívidas e, ao mesmo tempo, permitir que ele limpe o nome e recomece com mais tranquilidade.
Quando vai ser anunciado
O programa já está praticamente fechado após rodadas de negociação entre o governo e os bancos. O ministro Dario Durigan afirmou que levará os últimos detalhes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira, 28.
A expectativa é que o anúncio oficial aconteça ainda nesta semana, com todas as regras, prazos e condições detalhadas para a população.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

