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Oitavas da Copa: quais são as opções de Ancelotti após lesão de Paquetá?

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Ancelotti passa instruções para a seleção brasileira na parada técnica da Copa - CBF
Ancelotti passa instruções para a seleção brasileira na parada técnica da Copa
Por Robson Morelli

30/06/2026 | 19h44

Nova York — Carlo Ancelotti ganhou mais um problema para montar o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo. Lucas Paquetá teve confirmada, nesta terça-feira, uma lesão muscular na região posterior da coxa esquerda e está fora do jogo de domingo. O meia já iniciou tratamento, mas não terá tempo hábil para se recuperar. Nem deve jogar mais a Copa. Sem ele, o treinador italiano perde uma peça que talvez não brilhasse, mas dava equilíbrio ao time e facilitava a vida de Vini.

Paquetá não fazia uma Copa vistosa. Nem de longe. Não era protagonista, não decidia jogos e nem aparecia como um dos nomes mais elogiados da seleção. Mas tinha a confiança do treinador.

Ainda assim, desempenhava uma função importante no desenho de Ancelotti: ajudar na recomposição, proteger o lado esquerdo e dar liberdade para Vini atacar com menos obrigação defensiva. Sua ausência obriga o técnico a mexer de novo em uma equipe que ainda busca estabilidade. O Brasil vai mudar de novo. Mas tem mudado para melhor nesta Copa.

Sem prazo para Paquetá voltar a jogar

O problema de Paquetá pode ter sido agravado em sua insistência em ficar em campo no jogo contra o Japão. Nos primeiros minutos, Paquetá levou uma das mãos à parte posterior da coxa, mas continuou em campo até o intervalo.

O fato de ter forçado por mais tempo pode ter aumentado a gravidade da lesão. A CBF informou apenas que o exame de imagem confirmou o problema muscular e que o jogador seguirá protocolo de tratamento intensivo. Não divulgou grau da contusão nem prazo oficial de recuperação. 

Na prática, Paquetá corre contra um tempo que não existe. Lesões musculares na parte posterior da coxa costumam exigir semanas de recuperação, e o Brasil já volta a campo no domingo, contra a Noruega.

A disputa tem mais 19 dias. A previsão inicial é de pelo menos quatro semanas de tratamento, dependendo do grau da contusão. Mesmo que a comissão médica evite cravar um prazo, a Copa parece muito complicada para o meia.

A ausência aumenta uma sequência incômoda de problemas musculares no elenco brasileiro. Wesley foi cortado antes da estreia. Raphinha também sofreu lesão na coxa e segue em tratamento na base da seleção em Morristown. Ele pode aparacer no gramado de tênis nesta semana. Agora, Paquetá se junta à lista dos contundidos. O Brasil chega ao mata-mata ainda vivo e mais confiante, mas com o elenco sendo testado fisicamente a cada rodada.

Que Brasil Ancelotti quer contra a Noruega

Sem Paquetá, Ancelotti tem cenários diferentes olhando para o seu banco de reservas. O mais simples é escolher Martinelli, autor do gol da virada contra o Japão, para dar velocidade, intensidade e profundidade pelo lado esquerdo. Seria uma troca mais ofensiva, capaz de empurrar o Brasil para frente, mas também exigiria mais cuidado na recomposição. Martinelli é atacante e não é um meia, portanto, ele não oferece a mesma leitura de meio-campo de Paquetá.

Outra alternativa é Danilo Santos, opção mais fácil, imediata e de maior equilíbrio. Nesse caso, Ancelotti preservaria melhor a estrutura tática, reforçaria o meio e tentaria manter o controle contra uma Noruega forte fisicamente. É uma escolha com menos impacto ofensivo, mas talvez mais próxima do que o treinador costuma valorizar em jogos grandes: ordem, ocupação de espaço e menor exposição. 

Há ainda a possibilidade de uma mudança mais ousada. Ancelotti pode recuar Matheus Cunha e abrir espaço para Endrick no ataque. Um espeto na frente. Essa solução mexeria mais profundamente no desenho do time. Cunha passaria a participar da criação, com liberdade para flutuar, enquanto Endrick daria presença de área e força para atacar a última linha da defesa norueguesa. É uma opção de mais peso ofensivo, mas também de maior risco.

Neymar cabe no lugar de Paquetá?

Neymar, naturalmente, entrará na discussão externa dos torcedores. Sem Paquetá, o camisa 10 se coloca como alternativa para ocupar espaço no setor. Mas essa não parece ser a solução mais provável de Ancelotti.

Neymar ainda não tem condição física para atuar por muito tempo e não entrega a mesma capacidade de marcação pelo lado esquerdo. Ele não cabe na função e nem no time. Contra uma Noruega de força física e transição rápida, esse detalhe pesa.

O dilema de Ancelotti é escolher o que o Brasil mais precisa para o próximo jogo. Se quiser intensidade, Martinelli ganha força. Se quiser equilíbrio, Danilo Santos aparece como caminho mais seguro. Se quiser mudar a estrutura e aumentar o poder de fogo, Endrick pode entrar com Matheus Cunha mais recuado. Todas as opções têm custo. Nenhuma repõe Paquetá exatamente. Mas ele também não fazia uma boa Copa.

A seleção terá quase uma semana para treinar uma nova formação. Isso ajuda, mas não elimina o problema. Ancelotti ainda não conseguiu repetir escalações com tranquilidade nesta Copa, seja por lesões, ajustes ou desempenho. O Brasil cresceu contra o Japão, mostrou maturidade e avançou, mas perdeu mais uma peça no caminho. O elenco está de folga e só volta a trabalhar na quinta.

Contra a Noruega, a escolha do substituto de Paquetá dirá muito sobre a cabeça de Ancelotti. O escolhido deve ser titular até o fim. O Brasil pode ficar mais agressivo, mais protegido ou mais remodelado. A lesão do meia abre uma vaga, mas também uma pergunta: o treinador vai tentar manter a identidade que vinha construindo ou aproveitar o desfalque para soltar mais o Brasil no mata-mata?

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