Desejo sexual diminui com a idade? Veja o que dizem pesquisas e especialistas
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São Paulo - Existe uma ideia equivocada de que, à medida que uma pessoa envelhece, ela deixa de ter desejo, se apaixonar ou se interessar por relações afetivas e sexuais. Isso é um dos muitos preconceitos relacionados à idade, aponta Antônio Moura, odontogeriatra e atual presidente da Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seccional Pernambuco (SBGG-PE).
A sexualidade se transforma ao longo da vida, mas não desaparece."
No Brasil, o Estudo SABE (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), feito com 1.129 idosos em São Paulo e publicado na Revista Eletrônica de Enfermagem, mostra que entre aqueles que seguem sexualmente ativos, 37,4% relatam atividade mensal e 14,5% de duas a três vezes por semana.
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Idade não afeta vida sexual
Em suas consultas, a geriatra e paliativista Sandra Brotto Furtado, ex-presidente da SBGG-PE, diz que, quando um filho ou neto questiona se um membro da família já "passou da idade" de namorar, ela responde com outra questão: até quando esse filho ou neto pretende ter vida sexual ativa? E a resposta que a gente escuta é sempre a mesma: 'quando eu morrer'. "Então por que os outros precisam parar aos 60?", provoca.
Do ponto de vista clínico, ela diz que a diminuição do desejo sexual não faz parte do envelhecimento fisiológico. O que pode contribuir para redução da libido, segundo ela, são doenças e agravos crônicos mais prevalentes nessa faixa etária, como diabetes e problemas cardiovasculares, além de fatores afetivos e ambientais, como falta de um parceiro atento, depressão, solidão e luto.
Alguns casais entendem que é importante a questão da penetração. Outros, que exercer a sexualidade vai muito além do ato sexual em si, por exemplo, dormir de conchinha, passear abraçado, o sexo oral ou a prática da masturbação."
Mitos afetam mais mulheres, viúvos e LGBTQIA+
A pesquisa mais citada internacionalmente sobre o tema, publicada no periódico New England Journal of Medicine, corrobora com esses dados, mas mostra uma assimetria: 78% dos homens entre 75 e 85 anos têm parceiro ou relação íntima, contra apenas 40% das mulheres na mesma faixa.
O preconceito sobre a sexualidade na velhice também pesa sobre pessoas LGBTQIA+, observa Antônio Moura. Ele destaca que muitas passaram grande parte da vida em uma sociedade mais repressora do que a atual e se esconderam para preservar relações familiares, trabalho ou mesmo a própria sobrevivência.
Na velhice, isso pode reaparecer de diferentes formas: medo de julgamento, dificuldade de falar sobre relacionamentos, receio de sofrer discriminação em serviços de saúde."
Sandra Furtado atribui a mudança desse estigma menos a protocolos e mais à disposição de abrir espaço, sem deixar de respeitar o momento de cada um. "Precisamos quebrar esse preconceito ageísta de que pessoas idosas não têm direito à sexualidade, tanto na sociedade quanto na própria família e nos serviços de saúde. Vivenciar a sexualidade é um direito de todo indivíduo", observa.
No caso da viuvez, o obstáculo mais comum costuma vir de dentro de casa. Moura menciona, por exemplo, que os filhos podem ter dificuldade de aceitar que o pai ou a mãe, depois de tantos anos de casamento, possa se apaixonar novamente. “Eles têm dificuldade de reconhecer que existe ali uma pessoa com desejos, sentimentos, necessidades de intimidade e direito à vida afetiva".
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