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Dia do Brincar: como avós podem incentivar os netos fora das telas

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Avôs e avós podem ter um papel importante na reconexão das famílias com as brincadeiras longe das telas - AdobeStock
Avôs e avós podem ter um papel importante na reconexão das famílias com as brincadeiras longe das telas
Por Bianca Bibiano

28/05/2026 | 17h06

São Paulo - Celebrado hoje no Brasil após a criação da Lei Federal 15.145/2025, o Dia Nacional do Brincar busca reforçar algo que especialistas consideram essencial para a infância: brincar não é apenas passatempo, mas parte do desenvolvimento humano.

Em meio ao aumento do tempo de tela entre crianças e adultos, especialistas defendem que avós podem ter um papel importante na reconexão das famílias com brincadeiras, experiências afetivas e momentos de convivência.

Para a pedagoga e cientista social Ana Claudia Leite, gerente de Educação do Instituto Alana, os idosos carregam um patrimônio cultural importante para as novas gerações. "Eles são guardiões de saberes, inclusive do brincar."

Segundo ela, esse grupo etário viveu infâncias em que o brincar coletivo era mais presente. "Esse avô tem um patrimônio cultural dessa infância em que brincou e cantou."

Repertório dos avós

A especialista afirma que esse repertório pode ajudar crianças a criarem vínculos fora das telas:

É muito rico o avô, a avó, trazer esses aprendizados, cantar as músicas que cantava na infância para o seu neto. Ele ensinar jogos que fazia, compartilhar brincadeiras que eram feitas e ensinar brinquedos que ele construía."

Ela ressalta que o mais importante não é uma atividade específica, mas sim o encontro afetivo que esse momento de brincadeira pode proporcionar entre as gerações. "É ter essa possibilidade de transmissão de conhecimento a partir de alguém da sua família, esse vínculo ter esse afeto", ressalta.

Ana Claudia ressalta, ainda, que brincar não depende necessariamente de brinquedos sofisticados e exemplifica que, mesmo quando não há brinquedos, o ser humano brinca naturalmente.

"Há crianças extremamente pobres em situações de muita vulnerabilidade, com muitos problemas sociais e que têm brincares potentes, brincando a partir de nenhum brinquedo, a partir da terra, da água, de coisinhas que ela acha, por exemplo", acrescenta.

Brincar é essencial à infância

A psicopedagoga, escritora infantojuvenil e arteterapeuta Paula Furtado reforça que brincar é essencial para a formação emocional, social e cognitiva das crianças.

Brincar é a linguagem da infância. É brincando que a criança experimenta o mundo, resolve conflitos, elabora sentimentos e constrói conhecimento. No faz-de-conta, ela compreende a realidade e cria novas possibilidades", explica Paula.

Ela alerta, porém, que o excesso de telas, a rotina acelerada e a pressão por desempenho têm limitado essas experiências. "O equilíbrio começa pelo exemplo dos adultos e pela criação de oportunidades de convivência e lazer fora das telas. Trocar tempo de tela por tempo de vínculo faz diferença no amadurecimento e nas relações familiares", orienta.

Já Ana Claudia Leite observa que o desafio também atinge os idosos. "O adulto, o idoso, ele precisa também sair da tela, porque senão ele vai compartilhar o momento com o neto na tela."

Segundo ela, experiências simples do cotidiano podem fortalecer vínculos e estimular o brincar. "Fazer um bolo, plantar uma florzinha, fazer um desenho, contar uma história. Tanta coisa que a gente sabe que as crianças querem aprender ou poderiam se admirar e que os avós podem proporcionar."

A especialista destaca ainda que essas trocas ajudam na saúde emocional e cognitiva dos idosos. "Isso ativa a memória dos adultos, preserva a memória. Eles conseguem acessar as memórias de infância, é um jeito de manter também a saúde mental, manter a alegria", pondera.

Paula Furtado complementa defendendo que o brincar precisa ser valorizado também fora do ambiente doméstico. Segundo ela, escolas e comunidades podem ampliar iniciativas ligadas às brincadeiras livres, convivência e atividades lúdicas.

O brincar precisa ser entendido como um direito essencial da infância e um compromisso coletivo. Preservar esse tempo é também cuidar da saúde emocional e do desenvolvimento das crianças", conclui.

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