Por que tanta gente implica com a sogra? Entenda origem da fama de vilã
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São Paulo - A figura da sogra aparece em filmes e piadas associada a um ódio que já se instalou no imaginário social. Mais do que um problema de convivência, limites e personalidade, o ódio a sogra já se tornou comportamental na nossa sociedade. Mas, por quê?
Segundo a terapeuta de casais Talissa Rodrigues, esse pensamento é uma resposta ao conteúdo que a sociedade oferece. Esse esteriótipo "maligno" é representado no cinema em clássicos como "A Sogra" (2005), com Jennifer Lopez e Jane Fonda, cujo título em inglês, Monster in law, é um trocadilho com a palavra monstro; ou ainda a comédia brasileira estrelada por Dercy Gonçalves, "Com Minha Sogra em Paquetá" (1960).
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Talissa acredita que essa relação de conflito é mais percebida em relações heterossexuais, e entre mulheres: noras e sogras. "Todo mundo que entra em um relacionamento, independente do sexo, quer se dar bem com a família do outro, mas se não é bem recebido ou respeitado, aí essa relação não segue bem", disse.
Como explicação, a psicóloga comportamental Letícia de Oliveira aponta que as mulheres foram ensinadas historicamente a carregar a responsabilidade emocional da família: cuidar, opinar, administrar vínculos e manter proximidade. Isso se reflete no comportamentos de mães e sogras, por exemplo.
Por esta mentalidade machista, "mulheres mais velhas passaram a ser retratadas culturalmente como controladoras, inconvenientes ou excessivas".
A sogra virou quase um personagem socialmente autorizado ao ridículo", disse Letícia.
As relações familiares são marcadas pelo patriarcado e costumam revelar questões ligadas a pertencimento, autonomia e poder. "A sogra, muitas vezes, representava a guardiã daquele sistema familiar e via o genro ou a nora como alguém que “tirava” o filho de sua órbita afetiva. Essa ideia atravessou gerações e virou quase um roteiro social".
A psicóloga ainda destaca a dinâmica de poder desta relação, já que um casal ao formar uma nova unidade emocional, precisa renegociar espaços com as famílias de origem. Para Oliveira, muitas vezes, os conflitos aparecem quando alguém sente que perdeu influência:
- a mãe sente que o filho/a se afastou;
- o parceiro sente que há interferência excessiva;
- ou o próprio filho/a fica dividido entre lealdades.
É um triângulo emocional bastante comum: parceiro, parceira e sogra disputando, ainda que inconscientemente, prioridade afetiva, reconhecimento e autoridade".
Limites
É essa relação de disputa por poder que explica as constantes invasões dos dois lados, aponta Oliveira. Algumas sogras atravessam limites porque ainda estão no centro da vida emocional dos filhos e têm dificuldade de aceitar a autonomia do casal.
Talissa Rodrigues, a terapeuta de casais, reitera essa ideia ao dizer que: "quando essa sogra não entende o limite dela, e, por exemplo, chega a qualquer hora, quer passar final de semana, quer assumir como se a casa fosse dela, isso atrapalha muito", disse Rodrigues.
Por outro lado, Oliveira pontua que também existem casais que excluem, ridicularizam ou desautorizam a figura da sogra.
Em muitos casos, não se trata de maldade deliberada, mas de dificuldade coletiva em estabelecer fronteiras saudáveis."
A relação com a sogra tende a funcionar como um espelho das dinâmicas emocionais do casal e da família, de acordo com a psicóloga. Portanto, quanto mais nítidos forem os limites e a comunicação, menor a chance de que essa relação se transforme em disputa constante.
Sogra e relação com a maternidade
Segundo a psicóloga, a relação com a mãe é uma das primeiras experiências de vínculo, cuidado, dependência e limite que uma pessoa vive. Por isso, Oliveira afirma que a relação com a sogra pode simbolicamente despertar sentimentos similares à maternidade.
Em alguns casos, sentimento como: necessidade de aprovação, medo de julgamento, sensação de inadequação ou disputa por afeto. Em outros, a sogra representa tudo aquilo que a pessoa quer diferenciar da própria experiência materna.
A relação pode funcionar tanto por identificação quanto por oposição", disse a psicóloga.
Talvez por isso, quando uma sogra é acolhedora e cuidadosa, costuma ser chamada de “segunda mãe”. Para Rodrigues, isso é uma idealização que não deveria acontecer, já que cada uma dessas figuras - mãe e sogra - tem seu papel e não pode ser substituída.
"Muitas pessoas se frustram porque criam essa ideia de que a sogra vai ser uma segunda mãe e espera que ela aja como uma mãe. E não vai agir, porque a sogra é mãe do parceiro. Então, se houver qualquer desavença, ela vai ficar do lado do filho ou da filha", explica.
Veja dicas para melhorar o relacionamento com a sogra
Talissa Rodrigues, terapeuta de casal, reuniu dicas para aqueles que desejam melhorar o convívio com suas sogras, confira:
- entender que a sogra cumpre papel de sogra e não criar expectativas maternais
- delimitar e impor seus limites pessoais no relacionamento com a sogra desde o início
- comunicação aberta com o parceiro, inclusive sobre a mãe dele
- entender a sogra como pessoa que tem suas próprias questões e por vezes erra, e não levar todo detalhe para o pessoal
- cumprir seu papel de nora/genro com respeito e responsabilidade também
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