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Aos 56 anos, mulher engravida do quinto filho com reprodução assistida

Acervo pessoal / Margareth Mata

Margareth Mata deu à luz quando o marido tinha 65 anos; casal recorreu à fertilização in vitro - Acervo pessoal / Margareth Mata
Margareth Mata deu à luz quando o marido tinha 65 anos; casal recorreu à fertilização in vitro
Por Bárbara Ferreira

06/05/2026 | 10h35

São Paulo - Aos 56 anos, após uma gestação de nove meses, Margareth Mata deu à luz a um menino. Ela fez Fertilização in Vitro (FIV) depois que o marido, de 65 anos, também passou por tratamento para que a gravidez fosse possível. “Eu nunca perdi minha fé. Embora eu já tenha outros filhos, eu queria ter um outro neném”, disse em entrevista ao VIVA.

Segundo as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), a idade-limite recomendada para mulheres que desejam fazer a FIV é de 50 anos, o que mostra como a gravidez nessa idade é incomum.

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Ela decidiu engravidar depois que os três filhos já estavam adultos, com 32, 31, e 19 anos. Antes da filha mais nova, o casal teve outra bebê que morreu, segundo ela, por um erro médico. O caso aconteceu nos anos 2000.

Cada um tem um sonho e um planejamento. Agora que a gente já tem uma estrutura, tanto familiar quanto financeira, então a gente pôde se dar o luxo de ter esse desejo realizado”. 

André, o novo membro da família, tem 1 ano. Ele primeiro apareceu em sonho para a mãe de Margareth, que morreu no meio da gravidez e não chegou a ver pessoalmente o bebê de olhos azuis e sorriso fácil.

Em um primeiro momento, o marido considerou a ideia de ter um bebê “maluca” por causa da idade dos dois. Ele achava que o casal estava em uma nova fase depois que os filhos cresceram, de curtir mais a relação e o tempo.  “Começamos do zero, é uma nova empreitada, mas a gente está muito feliz”, disse.

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Os filhos também ficaram assustados inicialmente, já planejando os próprios bebês. Segundo Margareth, eles entenderam e apoiaram assim que souberam da gravidez. Ela conta que os comentários e olhares de estranheza acontecem na rua, no trabalho, e até na família.

Todo mundo fica assustado, inclusive pessoas da família. Uma delas disse: ‘nossa, é uma grávida velha’”, disse.
Depois de 3 filhos, foi pai novamente aos 65 anos
Filhos ficaram assustados, mas entenderem e apoiaram quando souberam da gravidez. Acervo pessoal / Margareth Mata

Segundo ela, o pai do bebê é quem mais recebe comentários. Ao verem os dois juntos, logo o associam como avô, mas lidam com a situação com humor e naturalidade. “Tem mulheres que pensam que chegar aos 40 anos é como se o mundo acabasse. Como se não pudesse mais ter filhos, casar, ser feliz, beijar na boca, namorar, por conta do que vão falar. Mas o que importa é você. Se ficar pensando na sociedade, no que vão pensar e falar, você nunca vai realizar aquilo que deseja”.

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Maternidade na maturidade

Margareth conta que, quando nasceu, sua mãe tinha mais de 40 anos. Então, sempre lidou com a maternidade não convencional quando se fala em idade, principalmente naquele tempo.

Na sua vez, ao engravidar aos 56 anos, foi questionada por médicos sobre o que faria caso morresse e o bebê ainda fosse pequeno.

Segundo ela, acredita que qualquer um pode morrer a qualquer momento, e que a idade não deveria ser uma questão, principalmente em um momento marcado pela longevidade, em que as pessoas vivem cada vez mais.

“Enquanto você está viva, pode sonhar. Isso não importa, quem vai te dizer que você vai viver 10 anos ou 2 dias?”, questiona. “Vou curtir meu filho", garantiu. Além disso, reforçou que o neném tem uma grande rede de apoio familiar, com irmãos e tios que podem cuidar dele.

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Quanto às diferenças entre a maternidade 30 anos atrás e essa, Margareth relata que o principal impacto foi físico. Hoje faz fisioterapia nos braços para aguentar o peso do bebê.

“No passado eu era muito jovem, tinha todo o tempo disponível para me dedicar. Você faz o máximo que quer e pode. Mas agora não, agora é como se fosse a realização de um sonho. É uma maternidade que a gente desejou, lutou e está curtindo”, disse.

Como foi o tratamento?

A família mora no Espírito Santo, mas fez o tratamento em São Paulo. Depois de duas tentativas falhas de fertilização, fizeram uma tentativa com a médica Thaís Domingues, da Huntington Medicina Reprodutiva, que deu certo. Ao VIVA, Thaís reforçou que a idade foi um ponto delicado neste caso:

Acho muito importante levar a informação correta para as pacientes que acreditam que é muito fácil engravidar mesmo depois dos 50 anos, quando aparecem alguns casos como este. Mas não é fácil”, disse. 

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Segundo a médica, a chance de engravidar naturalmente até mesmo 5 anos antes da menopausa é de menos de 5%. Mesmo que a mulher seja saudável, a idade é um ponto importante quando se trata de gravidez, mesmo em reprodução assistida. A alteração cromossômica por conta dos óvulos envelhecidos pode afetar a criança.

Thaís afirma que, na medicina, depois dos 35 anos, as grávidas são “injustamente chamadas de gestantes idosas”. Os riscos de uma gravidez tardia envolvem a mãe e o bebê. “Normalmente, tudo isso leva a maior risco de antecipação do parto”, disse. Margareth foi um caso à parte, teve uma gestação de nove meses.

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Pela FIV, as pacientes podem usar óvulos doados por mulheres mais jovens. A gestação acontece normalmente, mas com menos riscos de síndromes e abortos. “A mulher que recebe o óvulo vai ter a mesma chance de engravidar que aquela mulher que deu o óvulo. Então, se ela receber o óvulo de uma mulher de 25 anos, ela vai ter a chance de uma mulher de 25 anos de engravidar”, afirmou a médica. 

Sobre a recomendação do Conselho Federal de Medicina de se realizar FIV em pacientes de até 50 anos, Thaís comentou que a decisão é individualizada. Ao mesmo tempo, reconhece que não são muitas as mulheres 50+ que procuram este serviço.

O que é reprodução assistida?

A reprodução assistida é um conjunto de técnicas médicas e laboratoriais para uma gravidez. Existem dois tipos de fertilizações assistidas, segundo a médica: 

  • In Vitro, em que vários espermatozóides são colocados em torno do óvulo; 
  • ICSI, em que o espermatozóide é colocado direto dentro do óvulo.

A fertilização pode ser feita com óvulos próprios, no caso de mulheres que já passaram da menopausa, se tiverem sido congelados; ou com óvulos doados. Também podem ser fecundados com um sêmen específico ou sêmen doador.

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