Aluna de 77 anos defende TCC com a mãe de 98 na plateia: 'Parceira minha'
Acervo pessoal / Marivan Ferraro
São Paulo - A professora aposentada Marivan Ferraro se formou novamente na faculdade aos 77 anos. Depois do curso de Letras e uma vida alfabetizando crianças, cursou Desing na Universidade de Fortaleza (Unifor). No dia da banca de apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), estava na plateia sua mãe, Maria Augusta, de 98 anos.
Ao VIVA, Marivan contou que a mãe estava ali para apoiá-la e porque foi peça chave na produção do TCC, quando desenvolveu um livro infantil experimental. A história é uma releitura da música 'Arca de Noé', de Vinícius de Moraes e Toquinho, que Marivan guarda em um CD desde 2009, comprado quando ela se aposentou. Os desenhos e as palavras foram bordados nas 20 páginas de linho, manualmente, por Marivan e Maria Augusta.
Ela é parceira minha. O livro foi feito a quatro mãos. Embora ela tenha me ensinado a bordar, já que aprendeu com a mãe dela, eu pedi ajuda".
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Contou que a mãe, mesmo aos 98 anos, é lúcida e independente: borda, pinta, escreve e mora sozinha. "Foi muito emocionante, tanto para mim como para ela fazer o livro", disse. "É uma pessoa em que eu confio o meu todo. Disse: 'Mamãe, vou realizar um sonho de fazer um livro. Você me ajuda?'. Aí ela participou e agora está em tudo comigo", contou.

Segundo Marivan, a dupla começou a trabalhar no livro em janeiro para entregá-lo a tempo. A defesa foi realizada em 9 de junho.
No expediente aparecem também duas irmãs: a que fez o acabamento fechando as páginas para esconder o avesso do bordado e a outra que fez a encadernação à mão.
Após 27 anos trabalhando com literatura no Instituto de Educação do Ceará, Marivan conta que "o projeto estava armazenado já aqui na minha alma". O objetivo é incluir crianças não leitoras na literatura, por isso a forma de um brinquedo sensorial. "A criança começa a ler com as mãos", disse.
Vontade e vergonha de voltar a estudar
A professora sentiu necessidade de voltar para a faculdade depois de se aposentar. Inicialmente, o plano era dormir e ler durante a aposentadoria, mas logo se cansou e decidiu intensificar os estudos, já que nunca parou com cursos e o trabalho de correção de redação para vestibular.
Não podia mais continuar minha vida sem ter um motivo mais importante, realizar algo que eu me sinta bem. Decidi estudar de novo."
Prestou o vestibular escondido da família por receio de sentir vergonha, caso não passasse. Diz que o resultado veio "sem pegar num livro", desconsiderando os vários que usou em todos esses anos de sala de aula: fez 980 pontos e entrou na faculdade. Foi a pessoa mais velha da turma de Design. Era bem recebida pelos colegas e chamada pelo apelido "Mari".
"Eu tive um aparato tão grande, acho que era porque eles me respeitavam, viam que eu era uma pessoa de idade, fizemos grupos maravilhosos de trabalho. Então, eu era a líder da classe", disse, orgulhosa, garantindo que as amizades vão continuar. "Minha idade não atrapalhou em nada, pelo contrário".
O livro bordado é único e Marivan não tem intenção de vender, pretende guardá-lo para os netos. Mas não vai parar: já tem outros assuntos em mente para novos livros voltados a crianças de 2 a 4 anos que ainda não sabem ler.
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