Turismo 60+: Tecnologia é importante, mas não substitui o fator humano
Manuela França/Viva
São Paulo - A tecnologia é importante e não vai substituir o agente de viagem, o fator humano é essencial para o setor de turismo. Esse foi o mote da palestra “Intergernacionalidade nas empresas: O futuro do turismo também se constrói no diálogo entre gerações”, que aconteceu no segundo dia do Fórum Turismo 60+.
A CEO da Orinter, Ana Maria Berto, falou sobre a importância da tecnologia para o negócio, mas destacou que a maturidade nunca será substituída pela tecnologia, que ela considera ser um valor agregado ao negócio.
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Temos que nos adaptar ao mundo novo, ao que o consumidor está buscando, usar a tecnologia para monitorar e entregar o melhor possível para o agente de viagem. Temos que trazer valor agregado ao agente de viagem, para que ele consiga entregar esses valores ao consumidor final.”
Afonso Louro, fundador da Visual Turismo, que foi vendida para a CVC, conta que, como operador por mais de 60 anos, vendia o mesmo que o seu concorrente e foi buscar o atendimento como diferencial. Ele também ressaltou a importância de treinamentos.
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Eu fui buscar o diferencial no atendimento, tentando ser melhor que o meu concorrente, e não foi fácil, mas com muito treinamento e capacitação consegui atingir um nível de atendimento satisfatório. Acho que a questão da formação do treinamento na nossa atividade é essencial.”
Louro reconhece as modernidades e as facilidades que a tecnologia proporciona e que foram e são fundamentais para o desenvolvimento do setor. Mas reforça a necessidade do atendimento humano.
“Eu ainda sou defensor do atendimento humano: o pai compra comigo e o filho pela internet. Quando há necessidade de auxilio em viagem a função do agente é fundamental. A tecnologia ajudou muito, principalmente na informação e descobrimento de novos destinos, hotéis, mas ainda sou fã do agente de viagem”, reforça.
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Ele lembra que antes, quando um cliente estava no aeroporto e esquecia o cartão de embarque, por exemplo, ele ligava para a companhia e isso era resolvido rapidamente. Hoje, é através de um sistema e se tornou mais difícil conseguir essas facilidades no menor tempo possível.
Maior desafio
Ana, que atua há mais de 50 anos no turismo, afirmou que o maior desafio é liderar e enxergar o talento individual das pessoas. Ela ressalta que antigamente as coisas eram feitas de forma muito diferente e foi necessário se adaptar às mudanças, inclusive das pessoas e a forma de trabalhar. Ela lembra que, antes, era comum ver um profissional atuando em diversas áreas aos mesmo tempo e trabalhando sem limite de horário.
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“Antigamente todo mundo fazia tudo, inclusive com horário, hoje em dia não é mais assim, e tem que se adaptar, e a tecnologia pode ajudar muito. Eu aprendo todo dia e vejo que eles (os mais jovens) podem me ajudar com a tecnologia, com maior produtividade”, afirma.
Para quem está pensando em começar a trabalhar no segmento de turismo, Ana dá uma dica:
"Tratamos com gente o tempo todo, portanto, tem que gostar de gente, tem que querer prestar serviço a esta pessoa, entender o que ela gostaria, tentar transformar o sonho dela em realidade. A pessoa precisa gostar de servir. A tecnologia vai ajudar a buscar e entregar o melhor, mas é preciso ouvir o que essa pessoa gostaria de ter. Nunca o ser humano e o profissional de turismo vão ser substituídos, IA é valor agregado”, conclui.
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