51% concordam com ataque dos EUA à Venezuela, mas 37% temem ação igual no Brasil
Imagens NTN24Ve
19/01/2026 | 13h38
Brasília, 19/01/2026 - Pesquisa Ipsos/Ipec divulgada hoje aponta que 51% dos brasileiros concordam com a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, em 3 de janeiro, que terminou com a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores. No entanto, 37% dizem temer que os Estados Unidos realizarem operação no Brasil como a executada no país vizinho, embora 57% responderam não ter esse medo.
De acordo com o levantamento, 36% concordam totalmente com o ataque dos norte-americanos, enquanto 15% concordam em parte com a ação militar. Por outro lado, 28% dos entrevistados discordam de alguma forma da ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela.
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A pesquisa também questionou os entrevistados a respeito dos motivos que levaram o governo de Donald Trump a invadir a Venezuela e capturar Maduro. O resultado foi bem dividido. Para 26%, o motivo foi para garantir o controle do petróleo venezuelano. Para 22%, tratou-se de uma operação em defesa dos direitos humanos na Venezuela.
Outros 18% afirmaram que o objetivo foi combater o narcotráfico; 6% disseram que o motivo foi para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos; e 6% entenderam como uma forma de enfraquecer governos latino-americanos.
Petróleo
Logo após a captura de Maduro, Trump enfatizou em entrevistas e discursos a importância que a exploração do petróleo venezuelano teve no processo de ataque ao país sul-americano. Antes, falava principalmente sobre as acusações de que Maduro seria ligado ao narcotráfico.
A compreensão de que o principal motivo para a ação militar foi o petróleo é maior, proporcionalmente, entre pessoas mais ricas. No grupo das que têm renda familiar acima de cinco salários mínimos, 38% acreditam que esse foi o motivo.
Os entrevistados também se dividiram muito quando a pergunta foi sobre as consequências que a ação militar norte-americana na Venezuela pode ter no Brasil. Para 29%, esse ataque terá consequências negativas. Para 28%, não terá consequência nenhuma. Para 23%, as consequências serão positivas. Outros 20% não souberam ou não quiseram responder.
Neutralidade
Diante desse cenário, a grande maioria da população disse acreditar que o Brasil deve manter neutralidade em relação ao ataque: 66% defenderam esse ponto de vista. Para 17%, o governo brasileiro deve apoiar a ação. Outros 9% defenderam que o Brasil seja contrário à ação.
Desde que Maduro foi capturado, sua vice-presidente, Delcy Rodriguez, assumiu o poder interinamente e tem negociado com o governo Trump e outros países latino-americanos um processo de pacificação do cenário político venezuelano.
O Ipsos/Ipec ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios, de 10 a 14 de janeiro sobre a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais. O nível de confiança é de 95%.
(por Gabriel Hirabahasi)
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