Depoimento de deputado e de filho de empresário na CPI do INSS são adiados
Waldemir Barreto/Agência Senado
09/02/2026 | 16h37
São Paulo, 09/02/2026 - A CPMI do INSS não ouvirá mais, nesta segunda-feira (9), o depoimento do deputado estadual pelo Maranhão Edson Araújo (PSB) e de Paulo Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, também conhecido como careca do INSS.
A participação do deputado estadual foi suspensa em razão do parlamentar estar recém-operado. Já o não comparecimento de Camisotti se deu após a apresentação de um atestado médico de última hora, informando a impossibilidade de realização da sua oitiva, a qual estava regularmente convocado.
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A CPMI não aceitará expedientes protelatórios nem o uso de atestados médicos como instrumento para esvaziar investigações. As providências legais e regimentais cabíveis serão adotadas, inclusive a condução coercitiva, caso seja necessário. A comissão seguirá atuando com firmeza, responsabilidade e respeito às prerrogativas do Congresso Nacional, em defesa dos aposentados, órfãos e viúvas”, disse o senador e presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG) nas redes sociais.
Deputado Edson Araújo
O parlamentar é apontado como peça-chave no esquema que realizava descontos indevidos em benefícios de aposentados. Dados da CPMI indicam que Edson Araújo teria movimentado R$ 54 milhões em apenas 30 dias.
Outra linha de investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União aponta que ele teria recebido mais de R$ 5 milhões de entidades ligadas à pesca e que particiram das fraudes no INSS entre 2023 e 2024.
Edson Araújo é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura e preside a Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão. Estas entidades eram usadas para "triangular" o dinheiro retirado ilegalmente dos aposentados.
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Maurício Camisotti
Paulo Camisotti, apontado por investigadores como um dos elos finais dos descontos irregulares em aposentadorias do INSS, é filho do empresário Maurício Camisotti, que está preso desde 12 de setembro de 2025 sob acusação de envolvimento nas fraudes do INSS. Ele é apontado pela investigação como sócio oculto de uma entidade que se beneficiava das irregularidades.
O CPI quer entender como o dinheiro das associações chegava às empresas da família Camisotti, e qual seria o envolvimento do filho de Maurício nos descontos ilegais aplicados sobre aposentados e pensionistas.
Trabalhos suspensos
A sessão marcada para próxima quinta-feira (12) já havia sido cancelada na semana passada. Com isso, a CPMI do INSS retomará suas atividades somente após o Carnaval, quando deve ser votado um requerimento para quebra de sigilo bancário e fiscal relacionado ao Banco Master.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, será ouvido pela CPMI em 26 de fevereiro. Inicialmente, o depoimento estava marcado para a última quinta-feira (5), mas foi adiado depois de um acordo entre Viana, os advogados de defesa de Vorcaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, relator do caso na Corte.
Segundo integrantes da CPMI, mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados vinculados ao Banco Master apresentam indícios de irregularidades, incluindo casos suspeitos de contratação sem autorização dos beneficiários.
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