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Anvisa alerta para risco de pancreatite associada a canetas emagrecedoras

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Segundo o órgão regulador, embora autorizados, esses medicamentos podem causar efeitos adversos graves - Envato
Segundo o órgão regulador, embora autorizados, esses medicamentos podem causar efeitos adversos graves
Por Bianca Bibiano

09/02/2026 | 17h24

São Paulo, 09/02/2026 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu hoje um alerta para ressaltar os riscos para a saúde do uso indevido dos medicamentos popularmente chamados de "canetas emagrecedoras".

Segundo o órgão regulador, embora autorizados no País, os remédios à base de dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida podem causar efeitos adversos graves, dentre eles a pancreatite.

Leia também: Pancreatite: o que é, quais sintomas, causas e indicações de tratamentos

A Anvisa diz que os riscos já constam nas bulas aprovadas e que apenas profissionais habilitados podem receitar o medicamento, mas ainda assim as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, exigindo reforço das orientações de segurança. 

"O devido monitoramento médico é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula", disse em nota.

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Casos crescentes

No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, a Anvisa diz que houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito. Recentente, o Reino Unido, que aprova o uso há mais tempo, emitiu alerta semelhante após contabilizar 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos em 18 anos.

A preocupação com esses eventos foi um dos motivos para a Anvisa determinar, em junho de 2025, que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos. Desde então, a prescrição médica passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias, a partir da data de emissão.

A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas", diz a nota da Anvisa. 

Nos últimos anos, a agência já havia emitido outros alertas relacionados aos agonistas de GLP‑1, incluindo riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos e perda de visão rara associada à semaglutida.

Orientações à população e aos profissionais de saúde

A Anvisa destaca ainda que o "uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas", especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, "eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves". 

Por isso, recomenda que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos - sintomas sugestivos de pancreatite. 

Além disso, os profissionais de saúde devem interromper o tratamento ao suspeitar da reação, e não dar prosseguimento caso o diagnóstico seja confirmado. Os eventos adversos devem ser registrados no VigiMed para monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no País, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional. 

Tipos de pancreatite

A pancreatite acontece de duas formas principais:

  1. Pancreatite aguda: surge de forma repentina e costuma durar poucos dias. Em casos graves, pode causar falência de órgãos e exigir internação.
  2. Pancreatite crônica: ocorre quando a inflamação se repete por anos. Com o tempo, o pâncreas perde sua função, afetando a digestão e o controle da glicose.

Principais causas da doença

A pancreatite aguda está frequentemente ligada a pedras na vesícula biliar, que podem bloquear o ducto pancreático. Outros fatores incluem uso de alguns medicamentos e níveis muito elevados de triglicérides no sangue. Outras causas possíveis incluem:

  • Consumo excessivo de álcool é uma das principais causas, especialmente na pancreatite crônica.
  • Cálculos biliares (pedras na vesícula) podem bloquear o ducto pancreático e desencadear inflamação.
  • Infecções virais, como caxumba ou hepatite.
  • Traumas abdominais que lesionam o pâncreas.
  • Uso de certos medicamentos, como antibióticos, diuréticos e imunossupressores.
  • Doenças genéticas ou autoimunes, capazes de gerar inflamação severa.

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