Feminicídios sobem 41% no Estado de SP no primeiro trimestre de 2026
Marcelo Camargo/Agência Brasil
São Paulo - O Estado de São Paulo apresentou alta nos casos de feminicídio com o registro de 86 mulheres assassinadas nos primeiros três meses do anos. O número revela aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 61 vítimas no mesmo período.
No mês de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher , o Estado registrou 30 vítimas de feminicídio. Além de ser o maior da série histórica para o mês, o número representa aumento de 57,9% em relação a março do ano passado que somou 19 vítimas desse tipo de crime.
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A Grande São Paulo foi a única macrorregião a apresentar queda nos registros, com redução de 10% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2022. Na capital, o número de casos permaneceu estável em relação ao ano passado, com 17 registros, mas representando uma alta de 142,9% em comparação com 2022.
Agressão física também cresce
Os casos de agressão física no Estado de São Paulo também tiveram aumento. De acordo com as estatísticas criminais apresentadas, foram 19.249 casos de lesão corporal dolosa contra mulheres no trimestre, o que representa aumento de 7,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando houve 17.926 registros.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade.
Leia na íntegra:
"O enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de estupro, é prioridade do Governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção.
O Estado ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. Ainda estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher.
A pasta também possui o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro da ocorrência on-line, 24h por dia, além do botão do pânico para mulheres com medida protetiva. O pacote de ações também inclui um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores.
A Polícia Civil também intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada nesta quinta-feira (30). Apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres."
A Lei do feminicídio
O feminicídio foi tipificado como crime hediondo em 2015, previsto na Lei n°13.104 que altera parte do Decreto-Lei n°2.848/1940 que classifica homicídio como crime.
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Considera-se feminicídio quando há violência "contra a mulher por razões da condição de sexo feminino". Ou seja, a motivação da prática é exercida justamente pela vítima ser mulher. Violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição da mulher também são práticas consideradas como crime.
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