Lei que cria programa para reduzir casos de feminicídio entra em vigor
Tânia Rêgo/Agência Brasil
São Paulo - O Programa Antes que Aconteça, que tem foco na prevenção da violência contra mulheres e no fortalecimento da rede de proteção, passa a valer oficialmente nesta segunda-feira, 4, de acordo com texto publicado no Diário Oficial da União.
A Lei nº 15.398, sancionada em 30 de abril, prevê atuação integrada entre União, Estados, municípios, sistema de Justiça e sociedade civil, com ações nas áreas de segurança, saúde, educação, assistência social e geração de renda.
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Entenda o programa
O objetivo do Programa Antes que Aconteça é reduzir casos de feminicídio e violência doméstica, ampliar o acesso à justiça e promover a autonomia econômica feminina.
A lei também prioriza grupos em maior vulnerabilidade, como mulheres negras, em situação de rua ou com deficiência.
Entre as principais medidas está a criação e ampliação de estruturas de acolhimento. As chamadas Salas Lilás são espaços reservados em delegacias e órgãos públicos para atendimento humanizado. Já as Casas Abrigo oferecerão proteção temporária para mulheres em risco.
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O texto também prevê serviços itinerantes, com unidades móveis que levam atendimento jurídico e psicossocial a regiões de difícil acesso.
A legislação estabelece diretrizes para integrar os serviços públicos, padronizar protocolos de atendimento e capacitar profissionais das áreas de segurança, saúde, educação e assistência social.
O programa também vai garantir encaminhamento adequado das vítimas e maior eficiência nas medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Principais ações do programa
Segundo o texto publicado no Diário Oficial da União, entre as principais ações do Programa Antes que Aconteça, estão:
- Uso de monitoramento eletrônico e inteligência artificial para acompanhar casos e prevenir reincidência;
- Criação de indicadores nacionais e relatórios periódicos sobre violência contra mulheres, preservando o sigilo das vítimas;
- Implementação do programa nos sistemas de ensino com ações de conscientização e prevenção;
- Capacitação para agentes públicos e formação de defensoras populares, que atuarão como lideranças comunitárias na orientação e encaminhamento de vítimas;
- Campanhas permanentes de conscientização, incentivo ao empreendedorismo feminino e programas de reeducação para agressores.
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A coordenação ficará a cargo do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio de um comitê de governança responsável por definir metas, monitorar resultados e elaborar o plano nacional do programa.
A execução poderá ocorrer em parceria com universidades, instituições de pesquisa e iniciativa privada.
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