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Lima Duarte recusou zona de prostituição: 'não fui porque só tinha preta'

Reprodução / evento da APCA

Fala de Lima Duarte foi considerada racista e constrangeu as pessoas no palco e o público - Reprodução / evento da APCA
Fala de Lima Duarte foi considerada racista e constrangeu as pessoas no palco e o público
Por Bárbara Ferreira

06/05/2026 | 11h50

São Paulo - O ator Lima Duarte, de 96 anos, foi criticado por outros artistas e nas redes sociais após fala racista em premiação. Na ocasião, ele disse que se recusou a ir em zona de prostituição com mulheres pretas quando tinha 15 anos. "Não fui porque só tinha preta", disse.

Durante a fala, ele narrou que foi convidado para conhecer a "zona", local marcado pela prostituição em São Paulo. Na época, o amigo deu duas opções de ruas: Aimorés e Itaboca, no bairro do Bom Retiro. Ao escolher a Itaboca, o colega teria dito: "só tem preta", então Lima Duarte decidiu não ir.

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Confira a fala completa:

Eu falei: 'Vamos na Itaboca’, ele falou: 'Só tem preta’. Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão. Não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na Aimorés".

A fala polêmica e racista aconteceu durante o discurso dele na cerimônia da APCA (Associação Paulista de Críticos da Arte), na última segunda-feira, 4. Lima Duarte foi homenageado com um troféu especial por sua trajetória na televisão brasileira.

A fala deixou as pessoas no palco e o público desconfortáveis, e gerou críticas on-line. Depois dele, três mulheres premiadas, Carmen Luz, Shirley Cruz e Grace Passô, falaram sobre mulheres pretas rebatendo a fala, e foram ovacionadas.

"Mulheres pretas, levantai-vos, levantai-vos, celebramos as nossas presenças", disse Carmen na ocasião.

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Pronunciamento

Em nota de pronunciamento, o ator disse que a fala nasceu de um olhar de quem entende e respeita todas as lutas. Veja:

"Eu contei uma memória da minha infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua. Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem, respeita e entende uma luta que é de todos", disse o artista.

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