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Lula se diz otimista sobre tarifas e relação com EUA após encontro com Trump

Ricardo Stuckert / PR

Reunião durou mais que o previsto porque ambos ‘gostaram’ do encontro, disse Lula - Ricardo Stuckert / PR
Reunião durou mais que o previsto porque ambos ‘gostaram’ do encontro, disse Lula
Por Broadcast

07/05/2026 | 19h32

Brasília – Em entrevista coletiva na embaixada dos EUA em Washington, após encontro com o presidente Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse estar "muito otimista" em relação ao risco de os Estados Unidos imporem novas tarifas ao Brasil. "Tem divergência entre eles e nós que ficou explicitada na reunião. O ministro dele falou uma coisa, os nossos ministros falaram outra. Como a gente não podia ficar debatendo, eu propus dar 30 dias para eles resolverem o problema e nós voltamos a conversar", disse.

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“Temos muito interesse que os EUA voltem a investir no Brasil”, reforçou Lula. “Temos condições de oferecer aos outros países a oportunidade de construir data centers (no Brasil), desde que eles arquem com produção de energia.”

Produtos sobretaxados

Lula disse também ter discutido a sobretaxação americana a produtos brasileiros durante reunião. Segundo ele, Trump "teimou" haver produtos norte-americanos com taxa maior do que a praticada.

"Ele [Trump] sempre acha que nós cobramos muito imposto. Argumentei para ele: 'Não, a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%, apenas 2,7%'. Mas ele continua teimando", declarou Lula, na entrevista coletiva. "Trump teimou e disse que tem produtos americanos que são taxados em 12% no Brasil.”

Lula disse que o Brasil estaria disposto a ceder caso seja constatada uma sobretaxação brasileira. O petista defendeu ainda um "plano de metas" para as reuniões. "Quem estiver errado vai ceder", disse.  

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Pix fora da pauta

Na conversa, segundo Lula, os dois não discutiram as investigações da equipe econômica dos Estados Unidos sobre o Pix. "Uma das razões por que eu trouxe o Dario (Durigan, ministro da Fazenda) foi porque eu imaginava que o presidente Trump queria discutir a questão do Pix. Ele não tocou no assunto, então eu também não toquei", explicou.

Eu espero que um dia ele ainda faça um Pix, porque muitas empresas americanas já fazem", brincou

Condenados por 8 de janeiro e eleição

O presidente também negou que tenha colocado a redução das penas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro como uma moeda de troca na mesa de negociação com Trump. Mesmo assim, ele chegou a dizer que, com a medida, Trump pode “reconhecer a necessidade de liberar vistos” de autoridades brasileiras que ainda estão com os vistos aos EUA derrubados.

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Na semana passada, o Congresso derrubou o veto integral de Lula e o julgamento por tentativa de golpe de Estado. O presidente disse ainda que este tema não é tratado pelo Executivo, com a definição das penas sendo uma deliberação garantida ao Judiciário.

Sobre eleições brasileiras em outubro, Lula acredita que Trump não tentará interferir no processo, mas descartou qualquer possibilidade de pedir seu apoio para a reeleição.

"Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer país do mundo. Isso é um assunto brasileiro", destacou.

Organizações terroristas

A classificação de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas não foi um tema discutido na reunião, segundo Lula. A medida é defendida pela oposição, mas é vista com preocupação pelo governo e por especialistas devido ao risco à soberania nacional.

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Ele ainda disse que o governo vai lançar um plano de combate ao crime organizado a partir da próxima semana e algumas das frentes será a questão financeira. “Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, afirmou.

A reunião

A reunião entre Lula e Trump começou por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington D.C) desta quinta-feira, 7, na Casa Branca. Foi o primeiro encontro dos dois na sede do governo americano. O prazo previsto para a reunião era de uma hora, mas acabou sendo de três horas. Segundo o presidente, isso se deu porque os dois “gostaram do encontro”. Cada assunto discutido na reunião foi entregue previamente por escrito. 

Lula disse que a relação dos dois "evoluiu muito" desde o primeiro encontro - um diálogo de 29 segundos na Assembleia-Geral da ONU no ano passado classificado por Lula como "amor à primeira vista".

Nos EUA, Lula foi acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).

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Já a equipe de Trump foi composta pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vande, pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Depois do primeiro contato na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, eles se encontraram na cúpula da Asean, em outubro de 2025.

Lula ainda declarou que Trump “não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião que durou três horas”. “O que eu fiz questão de dizer pra ele é o que eu penso e as coisas que eu acho que podem ser feitas. Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra.”

(Por Lavínia Kaucz, Gabriel de Sousa e Naomi Matsui)

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