CONFIRA

Presidente da Voepass diz que não sabia de falhas antes de acidente em Vinhedo

Felício Filho está entre os 16 funcionários e ex-funcionários da companhia indiciados pela Polícia Federal após a investigação sobre o acidente

Estadão Conteúdo

Por Estadão Conteúdo

11/08/2026 | 08h31

Cenipa via Fotos Públicas

Acidente da Voepass aconteceu em 9 de agosto de 2024 - Cenipa via Fotos Públicas
Acidente da Voepass aconteceu em 9 de agosto de 2024
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São Paulo - A defesa de José Luiz Felício Filho, diretor-presidente e dono da Voepass, afirmou que o executivo não tinha conhecimento de problemas específicos que antecederam a queda do voo 2283 em 2024, em Vinhedo, que deixou 62 mortos. Felício Filho está entre os 16 funcionários e ex-funcionários da companhia indiciados pela Polícia Federal após a investigação sobre o acidente.

Em nota assinada pelo advogado Roberto Podval, a defesa afirma que, na época do acidente, Felício Filho integrava o conselho da Voepass e não participava da gestão direta e cotidiana das operações desde 2017.

Segundo o advogado, Felício Filho afirmou em depoimento à PF que ao tomar conhecimento de questões relacionadas à comunicação de problemas técnicos, "determinou a adoção de medidas para assegurar o cumprimento dos protocolos de segurança".

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"O executivo nunca teve conhecimento de que condutas contrárias a essas determinações persistissem, nem de fatos específicos que antecederam o acidente", afirma a defesa.

A versão apresentada pelo advogado contrapõe pontos do relatório divulgado pela Polícia Federal na quinta-feira, 6. No documento, os investigadores afirmam que Felício Filho era quem "efetivamente" deveria agir para "interromper o cenário de omissões que a companhia aérea vivia quanto à manutenção e operação das aeronaves".

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A PF sustenta ainda que o executivo "detinha pleno conhecimento dos problemas técnicos graves da frota". Segundo a investigação, Felício Filho também aparecia nos processos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como responsável pelo cumprimento das intimações eletrônicas destinadas à companhia e era quem formalmente tomava ciência dos ofícios e das não conformidades apontadas pela agência ao longo dos anos.

A defesa afirma, por outro lado, que Felício Filho retomou a gestão direta da Voepass depois do acidente e "promoveu mudanças na estrutura e nos procedimentos operacionais, além de ampliar a interlocução com a ANAC".

"José Luiz Felício Filho seguirá colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos, reitera seu respeito às investigações e manifesta solidariedade aos familiares das vítimas", diz a nota.

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PF indiciou 16 pessoas

A Polícia Federal divulgou na quinta-feira o relatório sobre a queda da aeronave. Ao todo, 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass foram indiciados. Quinze deles são investigados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e um por falsidade ideológica. Segundo a PF, os investigados tiveram responsabilidade ou contribuíram para o acidente por ação ou negligência.

O inquérito será analisado pelo Ministério Público Federal (MPF) que decidirá se apresenta denúncia à Justiça contra os indiciados. Em caso de condenação, as penas podem variar de 8 a 24 anos de prisão. Os 16 estão proibidos de deixar o País até a conclusão da análise das investigações pelo MPF.

Conhecido como comandante Felício, José Luiz Felício Filho é piloto há mais de 30 anos e assumiu a presidência da Voepass em 2004.

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Diálogos registrados na caixa-preta do avião mostram que a aeronave apresentava falhas recorrentes que não eram sinalizadas pelas tripulações. O relatório também revelou que os pilotos sabiam da falha no sistema de degelo.

Segundo a PF, o acidente foi provocado pela perda de controle em voo decorrente do acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo e da falta de execução tempestiva e adequada dos procedimentos necessários diante da falha no sistema, da degradação de performance, das condições severas de gelo e do estol, quando ocorre perda de sustentação.

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