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Produtos usados na piscina de academia em SP têm registro ativo na Anvisa

Seis pessoas foram intoxicadas e uma morreu ao usar piscina de academia; marcas citadas pelo manobrista durante o depoimento têm registro ativo na Anvisa

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

11/02/2026 | 08h26

Divulgação/42º Distrito Policial de SP

Seis pessoas foram intoxicadas e uma morreu após aula de natação; as marcas citadas pelo manobrista durante o depoimento têm registro ativo na Anvisa - Divulgação/42º Distrito Policial de SP
Seis pessoas foram intoxicadas e uma morreu após aula de natação; as marcas citadas pelo manobrista durante o depoimento têm registro ativo na Anvisa
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São Paulo, 11/02/2026 - As duas marcas dos produtos químicos para piscinas apreendidos pela polícia após a morte de uma mulher em uma academia em São Paulo têm autorização ativa junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A reportagem do VIVA checou os produtos mencionados no portal de registros da agência reguladora e verificou que todos constam com autorização ativa de uso.

Os produtos são cadastrados na categoria saneantes e a Anvisa é a responsável pela aprovação e autorização de comercialização, porém, não tem relação com a fiscalização nos locais e nem a regulação do uso nos ambientes de piscina, cabendo aos fabricantes a instrução aos usuários no rótulo de cada embalagem.

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Os produtos foram citados no depoimento de Severino José da Silva, manobrista que também era o responsável por aplicá-los na piscina, seguindo instruções que seu superior mandava diariamente pelo celular.

No depoimento, Silva afirmou à polícia que o único produto aplicado por ele na piscina foi o HidroAll Hiperclor 60 e que o uso dessa marca era recente, pois até janeiro era utilizado o hipoclorito da marca Cris Água. 

Entenda o caso

No último sábado, 07, seis pessoas foram intoxicadas por cloro de piscina e uma morreu em uma academia de São Paulo após praticar natação. Os alunos relataram um forte cheiro químico na água, seguido de sintomas como queimação nos olhos e episódios de vômito. A academia foi interditada preventivamente pela Subprefeitura de Vila Prudente devido a condições precárias de segurança, falta de licenças de funcionamento, e irregularidades nos CNPJs associados à atividade no local.

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Após a morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, a polícia passou a investigar se houve erro na dosagem ou uso de produtos químicos irregulares na piscina, já que uma hipótese inicial sugere que a mistura de substâncias liberou um gás tóxico, causando asfixia, queimaduras nas vias aéreas e bolhas nos pulmões das vítimas. 

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Na manhã de terça-feira, 10, o manobrista investigado por ter aplicado o produto, Severino José da Silva, prestou depoimento no 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas, na capital de São Paulo, que conduz o caso.

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No documento obtido pelo VIVA, ele conta que foi contratado formalmente como manobrista, mas que realizava a manutenção das piscinas sem possuir qualquer habilitação técnica, cumprindo ordens diretas do proprietário da unidade.

Limpeza improvisada

De acordo Silva, a rotina de limpeza era improvisada: ele media os níveis de cloro e água, enviava fotos dos testes para o patrão via mensagens de WhatsApp e recebia instruções sobre quais produtos e quantidades aplicar.

Silva revelou que um técnico profissional chegou a prestar serviço no local por uma semana e ofereceu  manutenção permanente após problemas anteriores na água, mas o proprietário optou por não contratá-lo.

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Ele lembra que no dia do acidente, mesmo com a água turva e a presença de alunos na piscina, o proprietário teria ordenado a aplicação imediata de cloro, mas que ele não chegou a aplicar o produto diretamente na piscina.

O homem afirma que preparou uma solução com seis medidas do produto em um balde e em seguida, deixou o recipiente próximo ao acesso do trocador infantil, a cerca de dois metros da borda da piscina grande, e voltou ao posto de manobrista.

Cerca de dez minutos depois, um forte odor de cloro tomou conta do ambiente. "Vi um pai socorrendo o filho adolescente" e uma mulher sendo amparada pelo marido na recepção, relatou o funcionário. Houve correria para a evacuação do prédio, coordenada por professores e pela recepcionista, enquanto as vítimas apresentavam sérias dificuldades respiratórias.

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Segundo o depoimento, o SAMU e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas não compareceram ao local, e os feridos tiveram que ser socorridos por meios próprios.

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Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, "até o momento, a Polícia Civil foi notificada sobre seis vítimas, sendo uma fatal".

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"A autoridade policial determinou a oitiva de funcionários e responsáveis pelo estabelecimento e realiza outras diligências para o completo esclarecimento dos fatos. Laudos periciais estão em fase de elaboração e serão analisados assim que concluídos", disse o órgão em nota.

A secretaria afirma ainda que o estabelecimento possui Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros (CLCB) vigente, emitido para a ocupação classificada como educacional e cultura física, conforme a legislação estadual de segurança contra incêndio. "Ressalta-se que o certificado atesta exclusivamente as condições de segurança contra incêndio da edificação", conclui a nota.

A Anvisa foi procurada pela reportagem para comentar o caso, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.

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