SUS terá programa para capacitar famílias e cuidadores de autistas
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11/02/2026 | 09h10
São Paulo, 11/02/2026 - O Ministério da Saúde prevê investimento de aproximadamente R$ 13 milhões até 2030 para a implementação do Caregiver Skills Training (CST), programa da Organização Mundial da Saúde voltado à capacitação de famílias e cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou deficiência. No início, agora em 2026, serão destinados cerca de R$ 2 milhões para as ações.
O Brasil se tornou o primeiro País das Américas a adotar o programa em âmbito governamental, integrando-o às políticas públicas, de acordo com o ministério. A Pasta diz que a iniciativa faz parte das ações do Programa Agora Tem Especialistas e está alinhada à Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde em parceria com o UNICEF e já implementado em mais de 30 países, o CST tem como objetivo qualificar pais e cuidadores para o cuidado cotidiano, promover o desenvolvimento infantil, reduzir comportamentos desafiadores e ampliar o acesso a intervenções precoces e de qualidade, inclusive antes do diagnóstico fechado de TEA.
Segundo o coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Arthur Medeiros, a medida representa um avanço na política pública de inclusão.
“A implementação do Caregiver Skills Training no Brasil representa um avanço estruturante na política de cuidado à pessoa com deficiência. Ao capacitar famílias e cuidadores, fortalecemos a intervenção precoce, promovemos o desenvolvimento infantil e qualificamos o cuidado em rede, com impacto direto na vida das crianças e na sustentabilidade do SUS.”
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Formação começa pelo Rio Grande do Norte
A formação presencial ocorreu no início deste mês no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont, em Macaíba (RN), reunindo profissionais do Ministério da Saúde e parceiros estratégicos.
A etapa foi conduzida por três formadores internacionais da Organização Mundial da Saúde, com atividades teóricas no período da manhã e intervenções práticas com famílias à tarde.
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Nesta fase inicial, estão sendo formados 26 supervisores, que irão qualificar 240 instrutores em todo o país. A estimativa é de impacto direto em mais de 1.300 famílias ainda em 2026. Com a expansão do programa, a expectativa é alcançar até 72 mil famílias em 2027, a depender da adesão dos gestores locais.
O Ministério da Saúde diz que a escolha do Rio Grande do Norte como sede da formação nacional "reforça o papel estratégico do Estado na saúde pública". O Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, vinculado ao Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont e habilitado como Centro Especializado em Reabilitação (CER IV), integrou a agenda técnica do programa.
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