Ser contra fim da escala 6x1 reduz chance de voto, mostra pesquisa
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Brasília, 24/02/2026 - Pesquisa da Nexus divulgada à Broadcast nesta terça-feira mostra que a intenção de voto em um parlamentar pode cair de 39% a 51% caso ele vote contra o fim da escala 6x1 no Congresso. Os números variam se os entrevistados votaram em Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL) ou em outros no pleito de 2022.
A pesquisa entrevistou 2.021 pessoas com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro. A margem de erro no total da amostra é de 2 pontos porcentuais, com intervalo de confiança de 95%.
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Dos eleitores do petista, 51% dizem que as chances de escolher um candidato à Câmara ou ao Senado diminuiriam se este fosse contra a PEC - sendo que 37% afirmam que diminuiriam muito e 14% que diminuiriam um pouco. Outros 23% consideram que não faz diferença. Apenas 20% afirmaram que aumentariam muito (11%) ou pouco (9%) as chances de voto neste parlamentar.
Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro nas últimas eleições, 39% dizem que a possibilidade de voto diminuiria muito (29%) ou pouco (10%) se o candidato votasse contra o projeto, enquanto 32% avaliam que continuaria a mesma. Somam ainda 23% os que aumentariam as chances de votar nestes congressistas - 14% aumentariam muito, e 9%, um pouco.
Dos entrevistados que não votaram nem em Lula nem em Bolsonaro, 16% dizem que a possibilidade de votar em um deputado ou senador cresceria se o candidato fosse contra o fim da escala 6x1. É um porcentual menor do que o percebido entre os eleitores de Lula e os de Bolsonaro. Para 40% dos que não escolheram nenhum dos dois em 2022, as chances diminuiriam, enquanto para 31%, continuariam as mesmas. Outros 13% não responderam.
Na população geral, 4 em cada 10 brasileiros (44%) disseram que a chance de votar em um deputado ou senador em outubro diminui se ele for contra a proposta que garante duas folgas semanais aos trabalhadores.
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Otimismo e informação
A parcela dos entrevistados pela pesquisa que acreditam que o projeto será aprovado pelo Congresso supera quem desacredita em todos os recortes da eleição de 2022. Quem mais tem otimismo são os lulistas, dos quais 57% acreditam na aprovação contra 29% mais pessimistas e 14% que não responderam.
Entre quem votou em Bolsonaro, o otimismo cai para 46% contra 45% de quem acha que o texto não passa. Outros 9% não souberam ou não quiseram responder.
Dos que não escolheram nenhum lado nem o outro no último pleito, a crença na aprovação vai a 53% contra 33% de descrença e 14% de não soube ou não quis responder.
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, embora o eleitor de Lula seja o mais engajado e otimista com a proposta, o interesse no fim da jornada 6x1 não é restrito à esquerda. A crença na aprovação da PEC é majoritária em todos os grupos, inclusive entre os eleitores de Bolsonaro e entre quem não votou em nenhum dos dois nas últimas eleições.
Os dados indicam que a pauta consolidou-se como uma demanda social que em boa medida supera a polarização política.
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Conhecimento do tema
O engajamento se reflete quando a pesquisa perguntou o quão informados estavam os entrevistados sobre o tema da escala 6x1.
Os eleitores de Bolsonaro dizem entender mais sobre o projeto do que os de Lula: 72% dos que votaram no ex-presidente do PL dizem que conhecem as discussões sobre o fim da jornada 6x1, sendo que 16% afirmam entender muito sobre o assunto.
Entre os eleitores de Lula, 61% afirmam conhecer, e 13% asseguram entender muito as discussões. O maior índice de desconhecimento sobre o assunto (40%) está entre os que não votaram nem em Lula, nem em Bolsonaro. Neste grupo, 56% dizem conhecer o tema, sendo que 8% entendem muito.
A pesquisa ainda aponta que quem está mais informado sobre o tema tende a levar isso mais em consideração na hora de votar para deputado ou senador.
Para 41% dos entrevistados que dizem estar por dentro das discussões, as chances de votar em um candidato diminuiriam muito se ele fosse contra o fim da jornada 6x1. Na população em geral, esse número é de 32%. Já entre os que dizem entender pouco sobre o assunto, o porcentual é de 34%, e entre quem nunca ouviu falar sobre o fim da jornada 6x1, cai para 26%.
"O fato de que o prejuízo eleitoral é maior entre os eleitores mais informados é um alerta para o Congresso. À medida que o debate avança e mais pessoas compreendem os detalhes da PEC, a pressão popular tende a aumentar, tornando o custo político de um voto contrário cada vez mais alto para deputados e senadores", completa Tokarsk.
(Por Mateus Maia)
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