Quarto mandato de Lula: veja o que o presidente falou após ser reeleito
Após TSE confirmar vitória, Lula disse que vai mudar a forma de governar, ampliar o diálogo com a população e trabalhar com o Congresso eleito
Por Broadcast
26/10/2026 | 08h12Peter Leone/O Fotográfico/Estadão Conteúdo
Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito presidente, anunciou mudanças na forma de governar, priorizando a participação popular e a comunicação digital, após vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ele se comprometeu a realizar o melhor mandato da história do Brasil, ampliando políticas públicas e regulando empresas de tecnologia.
Lula destacou a importância de dialogar com o Congresso, mesmo com uma composição mais conservadora, e planeja reuniões com empresários e educadores nos próximos meses. Ele também enfatizou a necessidade de respeitar a Constituição e as instituições, reconhecendo a vitória como um triunfo da democracia.
Entre as prioridades do novo governo estão uma revolução na educação, a formação em tecnologia e inteligência artificial, e a regulação das plataformas digitais. Lula também se comprometeu a implementar políticas públicas voltadas para mulheres e a garantir liberdade religiosa, além de agradecer aos eleitores pela confiança em seu quarto mandato.
São Paulo e Brasília - O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende mudar a forma de governar em seu quarto mandato, com maior participação popular, mais diálogo com a população e ampliação da comunicação digital. Após vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, o petista prometeu fazer o melhor mandato da história do País, ampliar políticas públicas e regular as grandes empresas de tecnologia.
“Posso garantir que iremos mudar o jeito de governar. Essa eleição me deu muitas lições”, afirmou Lula durante discurso no hotel InterContinental, em São Paulo, onde acompanhou a apuração ao lado de aliados. “Vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia.”
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Na madrugada desta segunda-feira, 26, durante ato na Avenida Paulista, o presidente voltou a defender a ampliação do diálogo com os brasileiros. “Este meu quarto mandato será o melhor mandato que um presidente já fez na história deste País. Segundo: este mandato vai ser o que eu mais ouvir o povo brasileiro sobre o que ele quer que faça neste País”, declarou.
Lula também prometeu investir em uma “comunicação digital muito forte” e manter o diálogo com eleitores por meio do canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que teve papel importante na estratégia digital da campanha durante o segundo turno. O presidente agradeceu ao parlamentar pela atuação e disse que a experiência eleitoral trouxe lições para sua próxima gestão.
Janones afirmou que o grupo representa a “dignidade, democracia, educação e saúde” e que continuará atuando no quarto mandato, com a meta de levar a aprovação de Lula a 90%. “Falaram que nunca alguém que perdeu no primeiro turno poderia virar no segundo turno. (...) Eles esqueceram da força de um nordestino que veio num pau de arara”, declarou o deputado.
Relação com o Congresso e governabilidade
Lula afirmou que trabalhará com o Congresso eleito pelos brasileiros, mesmo com uma composição mais à direita, e que pretende usar os próximos dois meses para discutir o governo e se reunir com empresários, educadores e cientistas.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que irei trabalhar”, declarou. O presidente também defendeu que seu governo seja conduzido com respeito à Constituição e às instituições.
“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e para governar com base no respeito à Constituição e na relação com o Congresso”, afirmou.
O petista disse que concluirá o mandato com disposição e ressaltou o orgulho de ser um metalúrgico sem formação universitária eleito quatro vezes para comandar o País. Também atribuiu a vitória à “honradez, ao nacionalismo e à defesa da democracia pelo povo brasileiro”, e não apenas a ele e ao vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin (PSB).
Lula destacou a virada em relação ao primeiro turno, quando terminou atrás de Flávio Bolsonaro, e afirmou que nunca venceu uma eleição presidencial na primeira rodada, mas também nunca perdeu uma disputa de segundo turno.
Educação, inteligência artificial e desenvolvimento
Entre as prioridades do próximo governo, Lula defendeu uma “revolução” na educação brasileira, com universalização das escolas em tempo integral até o ensino médio, ampliação do programa Pé-de-Meia e criação de uma iniciativa semelhante para estudantes universitários.
O presidente também afirmou que pretende incentivar a formação de profissionais na área de tecnologia e inteligência artificial para reduzir a dependência do País em relação a outros mercados.
“Eu não quero inteligência artificial em mandarim e em inglês. Eu quero em português e vocês vão fazer”, disse na Avenida Paulista.
Lula também defendeu o aproveitamento do potencial brasileiro em energias renováveis para atrair centros de processamento de dados. “E essa gente vai precisar deixar uma parte do data center para os brasileiros”, afirmou, ao mencionar a necessidade de manter dados no Brasil.
O presidente reeleito disse que o País deve deixar de ocupar uma posição periférica no cenário internacional e buscar protagonismo nas decisões políticas, econômicas e relacionadas à paz. Também afirmou que pretende mostrar ao mundo como conduzir políticas climáticas e destacou a redução do desmatamento por quatro anos consecutivos.
Regulação das plataformas digitais
Lula afirmou que pretende regular as grandes empresas de tecnologia e criticou a influência de plataformas digitais no processo eleitoral. Segundo ele, a campanha precisou enfrentar uma “intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais”.
“Vamos ter que regulá-las. E não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado como o crime na vida real”, declarou.
O presidente também criticou empresas que, segundo ele, obtêm grandes lucros sem pagar impostos proporcionais no País e tentam influenciar o resultado eleitoral. Lula classificou a vitória como uma “derrota do negacionismo e da mentira” e atacou Flávio Bolsonaro, a quem associou ao “milicianismo”.
Mulheres, religião e políticas públicas
O presidente reeleito afirmou que pretende dar centralidade às políticas públicas para mulheres e respeitar todas as religiões. “As mulheres serão tratadas com muito mais respeito pelas políticas públicas brasileiras. As religiões serão todas respeitadas em igualdade de condição”, disse.
Lula acrescentou que não tem preferência por nenhuma religião e defendeu a liberdade de culto. “Ao Estado laico cabe garantir liberdade religiosa plena, para que pessoas possam exercitar sua fé”, afirmou.
O petista também citou investimentos em saúde, elogiou a atuação do ministro Alexandre Padilha e defendeu o fortalecimento da economia criativa. Na área de segurança pública, disse que está demonstrado que os Estados, isoladamente, não conseguem resolver o problema.
Agradecimentos e resultado eleitoral
Em seu discurso após a confirmação da vitória, Lula afirmou que a reeleição para um quarto mandato representa um marco histórico e agradeceu aos eleitores, especialmente aos jovens e às mulheres.
“Vocês me deram a primazia de ser o primeiro presidente da República eleito quatro vezes pela via democrática. Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro”, declarou.
O presidente também atribuiu parte da vitória aos brasileiros que consideram o fim da escala de trabalho 6x1 um benefício para a sociedade. Agradeceu a idosos e a pessoas com problemas de saúde que foram votar e destacou a mobilização de jovens em defesa da democracia.
“Essa não é uma vitória de um homem, é uma vitória de um homem e de mulheres”, afirmou na Avenida Paulista. Lula também agradeceu a Alckmin pela “qualidade e lealdade”. O vice-presidente, por sua vez, disse que a vitória traz um “sentimento de gratidão” e afirmou que Lula “salvou a democracia no Brasil duas vezes”, acrescentando que está disposto a “trabalhar juntos”.
O presidente ainda declarou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e pediu que fosse executado o Hino da Independência.
Com 99,98% das urnas apuradas, Lula tinha 51,78% dos votos válidos, ou 64.239.788 votos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro, que somava 59.818.160 votos. A diferença era de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Após o discurso na Avenida Paulista, Lula seguiu para Brasília, afirmando que tinha “muita coisa para fazer” na capital federal.
(Por Gabriel Máximo, Gabriel de Sousa, Daniel Galvão, Geovani Bucci, Daniel Tozzi e Gabriel Hirabahasi)
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