Uma semana antes das eleições, Parada da Longevidade levanta voto 70+
Caminhada reuniu cerca de 6 mil pessoas neste domingo, 27, e combinou a promoção do envelhecimento saúdavel com a força política do eleitorado idoso
Paula Bulka Durães/VIVA
A Avenida Paulista recebeu a 3ª Parada da Longevidade, organizada pela SBGG-SP, com 6 mil participantes, destacando a intergeracionalidade e o combate ao idadismo, além de incentivar o voto entre a população idosa a uma semana das eleições.
Com 17,2 milhões de eleitores com 70 anos ou mais, representando 11% do eleitorado brasileiro, a mobilização enfatizou a importância do voto desse grupo, que é majoritariamente feminino.
A SBGG-SP defendeu a necessidade de um plano nacional integrado de envelhecimento e anunciou a próxima Parada para 3 de outubro de 2027, consolidando o evento como uma importante manifestação sobre o envelhecimento no Estado.
São Paulo - A uma semana do primeiro turno das eleições, a Avenida Paulista foi palco da 3ª Parada da Longevidade, marcha organizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP) que reuniu 6 mil participantes de todas as gerações e lideranças da causa do envelhecimento.
Leia também
A caminhada deste domingo, 27, teve como tema a intergeracionalidade e focou no combate ao idadismo. Contudo, dada a proximidade com o pleito, o evento ganhou uma proporção cívica de incentivo ao voto da população idosa, sobretudo daqueles com voto facultativo, de 70 anos ou mais.
A movimentação típica da Paulista a uma semana do pleito — com distribuição massiva de santinhos, campanhas políticas e caixas de som — não foi suficiente para interferir na passagem do grupo, que contou com pessoas de realidades distintas, incluindo pessoas com deficiência ou baixa mobilidade. O cenário refletiu as múltiplas formas de envelhecer no País.
Munícipes do interior de São Paulo vieram em caravanas para estar presentes no evento anual, que está em crescimento desde a sua primeira edição, em 2024, quando contou com pouco mais de 2 mil participantes à época.
No caminho, pessoas idosas em situação de rua integraram o movimento, como o *Heitor, 67, natural de Porto Seguro (BA), que celebrou a vitalidade. "Na minha idade, eu posso tudo. Posso dançar, plantar bananeira e tenho muito a ensinar."
O peso do eleitorado 70+
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam um eleitorado de 17,2 milhões de cidadãos com 70 anos ou mais, sendo a maioria formada por mulheres, o que representa 11% de todo o eleitorado do Brasil.
Consciente da relevância do seu papel político, a técnica de enfermagem aposentada Célia de Araujo Moraes, de 70 anos, defendeu a ida às urnas como um dever coletivo.
"Nós temos que cumprir. É o nosso direito, a gente paga os impostos, paga tudo. Então, nós queremos de volta as nossas coisas, as nossas conquistas, né? Nós não podemos deixar de votar."
Célia de Araujo Moraes, 70, aposentada
Vinda de Campinas para participar do ato na capital, Célia dançava ao som do trio elétrico que compunha a marcha. Integrante das atividades do programa de envelhecimento da PUC, ela reforçou o sentimento de pertencimento. "Ah, estou animada, né? Tem que estar. É um momento de alegria. É momento de conhecer pessoas novas, fazer novas amizades."
O presidente da SBGG-SP, Fabio Campos Leonel, também reforçou o apelo direto ao público idoso. "A importância do voto 70+ é relevante, já que somos 11% da população votante no País. E tenho certeza de que isso faz muita diferença na hora da eleição. Votem, quem tem 70 anos ou mais, votem. Isso é cidadania."
Questionado sobre o impacto dessa panfletagem durante a mobilização, o presidente avaliou a interação como parte natural do processo democrático. "Claro, faz parte da democracia. Acho que cada um vota em quem quer, mas temos que estimular o voto daqueles que ainda podem. Acho que esse é o nosso papel, né? Não vejo conflito, não."
A presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP, Caroline Ferreira Saladini, destacou a necessidade de enxergar a população madura como agente decisivo no pleito.
"Acho que a visibilidade, o cuidado da saúde, a participação social das pessoas com 60 anos ou mais, elas serem reconhecidas como pessoas que ainda têm poder de decisão. Acho que esse é um ponto que precisamos estar batalhando e empoderando essas pessoas para se fazerem presentes e participativas."
Muito além da saúde
A Parada também destacou a importância de viver o processo de envelhecimento com saúde funcional, autonomia e vínculos comunitários fortalecidos. A programação enfatizou que envelhecer bem vai muito além da prevenção e do tratamento de doenças: exige estímulo à atividade física, hábitos saudáveis e convivência social.
Para a SBGG-SP, a ciência desenvolvida nas universidades precisa chegar às ruas para impulsionar transformações reais na sociedade.
"Envelhecer bem não depende apenas de tratar doenças. Precisamos pensar em funcionalidade, participação social, autonomia, vínculos, ambientes acessíveis e oportunidades para que as pessoas continuem exercendo seus projetos de vida", defendeu Caroline Saladini.
Fabio Leonel complementou com um alerta para a urgência de um plano nacional integrado de envelhecimento que contemple demandas sociais mais amplas do que apenas o setor hospitalar.
"Temos muito que evoluir ainda em relação a questões que não necessariamente são da saúde. Temos diversas políticas públicas como moradia para o público idoso, acesso a trabalho e a questão previdenciária."
A Parada da Longevidade consolida-se, no seu terceiro ano, como uma das maiores manifestações de conscientização sobre o envelhecimento no Estado de São Paulo, agora parte do calendário oficial da cidade por meio de uma atualização na Lei Municipal nº 14.485/2007.
A organização antecipou que a data do próximo encontro está agendada para o dia 3 de outubro de 2027.
*Fonte pediu para não se identificar na reportagem.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
Agora

