Pancreatite: o que é, quais sintomas, causas e indicações de tratamentos
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22/01/2026 | 08h20 ● Atualizado | 08h20
São Paulo, 21/01/2026 - Já sentiu uma dor forte no abdômen que piora após as refeições e não melhora com o passar do tempo? Esse tipo de desconforto, muitas vezes ignorado, pode ser um sinal de pancreatite, uma inflamação que afeta diretamente o funcionamento do pâncreas.
A doença pode começar com sintomas comuns como dor abdominal persistente, náusea e febre, mas pode evoluir para casos graves e cirúrgicos, por isso exige avaliação médica imediata. O início pode ser súbito, mas a pancreatite pode ser recorrente e até comprometer o órgão ao longo do tempo.
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Qual é a função do pâncreas?
De acordo com Einstein, o pâncreas fica localizado na parte superior do abdômen, abaixo do estômago. Em adultos, mede cerca de 15 centímetros e pesa aproximadamente 100 gramas. Esse órgão é misto, e acumula duas funções: uma endócrina, relacionada à produção da insulina e controle de açúcar no sangue, e outra exócrina, auxiliando na digestão.
Também libera enzimas digestivas responsáveis por quebrar gorduras, proteínas e carboidratos. Na pancreatite, as enzimas digestivas passam a agir dentro do próprio pâncreas. Esse processo provoca inflamação, dor intensa e prejuízo no funcionamento do órgão, como explicou ao VIVA o cirurgião do aparelho digestivo Luiz Guilherme Lisboa:
Com a doença, há uma resposta inflamatória generalizada que vai liberar citocinas, substâncias que vão causar o processo inflamatório. Então, o corpo inteiro acaba inflamando”, disse.
A inflamação pode ser temporária ou persistente, dependendo do tipo da doença e da causa envolvida. Quando não tratada, a doença pode causar complicações graves e colocar a vida em risco. O diagnóstico precoce faz diferença no controle e na recuperação.
Tipos de pancreatite
A pancreatite se divide em duas formas principais. É importante destacar que pacientes que apresentam episódios recorrentes de pancreatite aguda costumam evoluir para a forma crônica, segundo o médico.
- Pancreatite aguda: surge de forma repentina e costuma durar poucos dias. Em casos graves, pode causar falência de órgãos e exigir internação.
- Pancreatite crônica: ocorre quando a inflamação se repete por anos. Com o tempo, o pâncreas perde sua função, afetando a digestão e o controle da glicose.
Sintomas mais comuns da pancreatite
A dor abdominal, entre a “boca do estômago” e o umbigo, é característica da pancreatite e costuma levar os pacientes ao hospital pela intensidade. Essa dor ainda pode irradiar para as costas e piorar quando a pessoa se alimenta. Entre os principais sinais estão:
- Dor abdominal forte, geralmente após as refeições
- Náuseas e vômitos frequentes
- Febre e sudorese
- Perda de peso sem dieta, nos casos crônicos
- Diarreia com fezes gordurosas e odor forte
A intensidade dos sintomas varia conforme o tipo e a gravidade da inflamação.
Principais causas da doença
A pancreatite aguda está frequentemente ligada a pedras na vesícula biliar, que podem bloquear o ducto pancreático. Outros fatores incluem uso de alguns medicamentos e níveis muito elevados de triglicérides no sangue.
Outras causas possíveis incluem predisposição genética, fibrose cística, tumores e traumas que obstruem o ducto pancreático. Outros sintomas:
- Consumo excessivo de álcool é uma das principais causas, especialmente na panncreatite crônica.
- Cálculos biliares (pedras na vesícula) podem bloquear o ducto pancreático e desencadear inflamação.
- Infecções virais, como caxumba ou hepatite.
- Traumas abdominais que lesionam o pâncreas.
- Uso de certos medicamentos, como antibióticos, diuréticos e imunossupressores.
- Doenças genéticas ou autoimunes, capazes de gerar inflamação severa.
Mudanças no estilo de vida são parte essencial do controle da doença e ajudam a evitar novas crises.
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Como é feito o tratamento
O tratamento depende da gravidade do quadro e do tipo de pancreatite. O foco inicial é aliviar a dor, controlar náuseas e garantir hidratação adequada, portanto, a pancreatite aguda é tratada com jejum, hidratação e analgésicos.
A alimentação precisa ser ajustada, com redução de gordura e estímulo a refeições leves. A suspensão do álcool e do cigarro é fundamental para a recuperação.
Quando há necessidade de procedimentos
Na pancreatite crônica, pode ser necessária a reposição de enzimas digestivas por via oral. Esse cuidado ajuda a melhorar a digestão e a absorção de nutrientes.
Em alguns casos, médicos indicam a retirada de cálculos da vesícula, drenagem de líquidos acumulados ou cirurgia para remover áreas do pâncreas comprometidas.
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(Colaborou Guynever Maropo)
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