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Alcoolismo pode causar pancreatite nos 50+; entenda sintomas e tratamentos

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O principal sintoma da pancreatite é dor abdominal intensa; a manifestação aguda, que é mais frequente,  é comumente causada por cálculos biliares - Adobe Stock
O principal sintoma da pancreatite é dor abdominal intensa; a manifestação aguda, que é mais frequente, é comumente causada por cálculos biliares

Por Bárbara Ferreira

redacao@viva.com.br
16/01/2026 | 12h23

São Paulo, 16/01/2026 - Alcoolismos, pedras na vesícula e até canetas emagrecedoras podem causar pancreatite, uma inflamação no pâncreas. A doença pode ser crônica, normalmente associada a um histórico de etilismo, por isso, atinge principalmente pessoas de 45 a 55 anos, apontam especialistas.

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Ao VIVA, o cirurgião do aparelho digestivo Luiz Guilherme Lisboa afirmou que a idade está relacionada à quantidade de vida alcoólica, no caso da pancreatite crônica, mas a doença pode atingir pessoas de qualquer idade. Já a aguda, mais frequente, é comumente causada por cálculos biliares. Nessa situação, o paciente possui uma pedra na vesícula biliar que migra para os ductos biliares e, ao seguir em direção ao intestino, acaba obstruindo ou irritando a região onde o ducto biliar e o ducto pancreático desembocam juntos, explicou o especialista. 

O pâncreas é um órgão misto, que acumula duas funções: uma endócrina, relacionada à produção da insulina e controle de açúcar no sangue, e outra exócrina, auxiliando na digestão. “Com a doença, há uma resposta inflamatória generalizada que vai liberar citocinas, substâncias que vão causar o processo inflamatório. Então, o corpo inteiro acaba inflamando”, disse. 

Qual a diferença entre pancreatite crônica e aguda?

A pancreatite pode se manifestar de forma aguda ou crônic. A aguda é marcada por um início súbito: o paciente não apresentava inflamação no pâncreas e, em poucas horas ou dias, passa a desenvolvê-la, sendo possível identificar com clareza o momento em que o quadro se inicia. Já a pancreatite crônica costuma ser resultado de agressões repetidas ao pâncreas ao longo do tempo. 

Pacientes que apresentam episódios recorrentes de pancreatite aguda costumam evoluir para a forma crônica, explicou o gastroenterogista Jean Tafarel ao VIVA. Essas lesões podem deformar os ductos pancreáticos, dificultar a liberação do suco pancreático e até provocar a formação de cálculos. Como consequência, o paciente passa a conviver com dor abdominal persistente, dificuldade na digestão de gorduras, diarreia, emagrecimento e, em casos mais avançados, desnutrição. 

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Quais são os principais sintomas?

A dor abdominal, entre a “boca do estômago” e o umbigo, é o que costuma levar os pacientes ao hospital, por conta da intensidade. Tafarel disse que essa dor pode ainda irradiar para as costas e piorar quando a pessoa se alimenta.

  • Dor abdominal de forte intensidade
  • Náusea
  • Vômito
  • Intolerância alimentar

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico da pancreatite aguda é baseado na combinação de critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. Para confirmação, o paciente precisa apresentar ao menos dois entre três sinais: dor abdominal típica, elevação das enzimas pancreáticas amilase e lipase para valores três vezes acima do normal e exames de imagem que indiquem inflamação do pâncreas, disse o gastroenterogista.

“A pancreatite aguda tem cura. A partir do momento que o pâncreas desinflama, o paciente volta, na imensa maioria dos casos, para a sua vida habitual”, pontuou Tafarel.

Qual o tratamento indicado?

A pancreatite aguda é tratada com jejum, hidratação e analgésicos.

A ideia é que haja repouso pancreático, para que ele desinflame e melhore a sua função. A partir do momento em que a dor melhora, os médicos prescrevem uma dieta de prova. Se o corpo do paciente aceitar alimento, quer dizer que a pancreatite está resolvida”, disse Lisboa.

Se a causa for biliar, é comum que haja a retirada da vesícula. 

O manejo da pancreatite crônica é mais complexo e contínuo, tendo o etilismo como principal causa. O tratamento envolve o controle do consumo de álcool, o alívio da dor usando desde analgésicos comuns até opioides, a correção do estado nutricional e a reposição de enzimas pancreáticas. Além disso, esses pacientes precisam de acompanhamento médico regular, tanto para controlar os sintomas quanto para monitorar possíveis complicações, como o desenvolvimento de câncer de pâncreas.

A pancreatite pode ser fatal

Quando não tratada corretamente, a doença pode evoluir com disfunção de outros órgãos, como insuficiência renal ou hepática, além de queda da pressão arterial, caracterizando quadros de pancreatite grave, que demandam manejo mais complexo. Em alguns casos, o processo inflamatório pode resultar na formação de coleções ou abscessos, situações que podem exigir drenagem percutânea ou até intervenção cirúrgica. 

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