Dentistas explicam o 'temido' tratamento de canal e os avanços na endodontia
Envato
11/01/2026 | 09h18
São Paulo, 11/01/2026 - O tratamento de canal, conhecido tecnicamente como tratamento endodôntico, é um dos procedimentos mais cercados de mitos na odontologia. No entanto, especialistas ouvidos pelo Viva Notícias reforçam que a técnica evoluiu nas últimas décadas, tornando-se um procedimento mais seguro e até mais indolor, ajudando na preservação da saúde bucal.
Segundo a dentista Fernanda Oliani Marur, da Oral Sin, o medo associado ao canal deve-se a experiências antigas que se perpetuaram, mas a realidade atual conta com anestesia eficaz e equipamentos modernos.
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Quando precisa tratar o canal do dente?
De forma geral, ela explica que o procedimento é indicado quando a polpa dental - tecido vivo que contém nervos e vasos sanguíneos na boca - sofre inflamação ou infecção irreversível, geralmente causada por cáries profundas, traumas ou fraturas.
Alguns sinais podem indicar a necessidade do tratamento de canal, como dor persistente, especialmente quando não cede mesmo com o uso de medicamentos, como sensibilidade intensa ao quente e ao frio, escurecimento do dente, inchaço na gengiva e presença de abscessos, que se manifestam como pequenas bolhas na região gengival", explica.
No entanto, nem sempre o problema apresenta sintomas evidentes, observa a profissional. "Por isso, o acompanhamento periódico com o dentista é fundamental".
O diagnóstico é confirmado por meio de avaliação clínica associada a exames de imagem, como radiografias e tomografias, que permitem identificar alterações tanto na polpa dentária quanto nas estruturas ao redor do dente.
Entre os principais sinais de que algo não vai bem com a polpa dentária, estão:
- Dor persistente ou de forte intensidade, que pode não ceder com analgésicos,
- Sensibilidade prolongada ao frio ou calor.
- Escurecimento do dente ou alteração na coloração.
- Inchaço na gengiva ou na face, às vezes acompanhado de abscessos (bolhas de pus).
- Histórico de traumas, como quedas ou impactos.
"Essas manifestações podem ocorrer inclusive em dentes que já foram submetidos previamente ao tratamento de canal, o que reforça a importância do acompanhamento especializado", complementa a professora Thayana Salgado de Souza Leão, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Canal 'mata' o dente?
Contrariando o que muitos pensam, o tratamento de canal não "mata" o dente. "Ele é um procedimento conservador, cuja finalidade é eliminar a inflamação ou infecção, aliviar a dor e preservar o dente natural, evitando a necessidade de extração", explica Leão.
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Nesse sentido, ela destaca que "a atuação precoce possibilita diagnóstico oportuno, intervenção preventiva e maior preservação dos dentes naturais, reduzindo a necessidade de procedimentos mais invasivos no futuro."
Tratamento de canal em pessoas idosas
A idade avançada não é uma contraindicação para o tratamento de canal, pontua Thayana Leão. Pelo contrário. "A preservação dos dentes naturais desempenha papel fundamental na qualidade de vida da população idosa, uma vez que está diretamente relacionada à eficiência mastigatória, à fala, à estética, à manutenção da estrutura óssea e ao bem-estar geral".
E nesse sentido, os avanços na odontologia já permitem um melhor atendimento do público 60+. É importante ressaltar que, embora alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento - como calcificação dos canais radiculares ou presença de condições sistêmicas crônicas - possam demandar uma abordagem clínica individualizada, os avanços tecnológicos e científicos da endodontia permitem a adaptação das técnicas às necessidades de cada paciente, ressalta a profisional.
O tratamento de canal representa uma importante ferramenta terapêutica na promoção da saúde bucal e da qualidade de vida ao longo do envelhecimento, possibilitando a manutenção dos dentes naturais em função por muitos anos.
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Como prevenir
De acordo com as especialistas, a procura por um endodontista não deve ocorrer apenas em casos de emergência. O correto, observam, é buscar acompanhamento atua de forma preventiva, identificando alterações iniciais que evitam complicações futuras.
Fernanda Marur destaca que a prevenção do tratamento de canal está diretamente relacionada aos cuidados com a saúde bucal.
Uma boa higiene oral, com escovação adequada e uso diário do fio dental, aliada às consultas periódicas ao dentista, ajuda a evitar cáries e infecções que podem evoluir para a necessidade de um tratamento endodôntico".
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Além disso, o tratamento precoce de lesões cariosas, a atenção a restaurações com infiltração e o cuidado em casos de traumas dentários reduzem significativamente o risco de comprometimento da polpa dentária, preservando a estrutura e a saúde do dente.
Cuidados após fazer um tratamento de canal
Para quem já realizou o procedimento, os cuidados recomendados são semelhantes àqueles necessários para a manutenção da saúde bucal de forma geral, sendo fundamentais para a longevidade do dente tratado e para a prevenção de novas intercorrências.
Thayana Leão lista os principais cuidados:
- Manutenção de higiene bucal adequada e diária, incluindo escovação regular e uso do fio dental;
- Realização de consultas odontológicas periódicas, conforme a orientação profissional
- Acompanhamento clínico e de imagem do dente tratado, mesmo na ausência de sintomas;
- Execução de restauração definitiva adequada, como coroas ou outras soluções protéticas indicadas, com o objetivo de proteger o dente, prevenir fraturas e evitar infiltrações ou contaminações.
"O cumprimento dessas recomendações contribui significativamente para a manutenção da função, da estética e da saúde do dente tratado ao longo do tempo, favorecendo resultados duradouros e previsíveis do tratamento endodôntico", finaliza.
A evolução tecnológica do tratamento
Segundo a dentista Fernanda Marur, a endodontia evoluiu de forma significativa nos últimos anos, especialmente com a incorporação de tecnologias que tornaram o tratamento de canal mais moderno e eficiente.
"Procedimentos que antes dependiam exclusivamente de instrumentação manual deram lugar ao uso de equipamentos avançados, como localizadores apicais eletrônicos, instrumentos mecanizados e microscopia operatória", explica.
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Além disso, exames de imagem mais precisos, como a tomografia computadorizada de feixe cônico, permitem uma avaliação detalhada da anatomia do dente. "Essas tecnologias tornam o tratamento mais rápido, previsível e conservador, aumentam as taxas de sucesso e proporcionam mais conforto ao paciente", completa.
Nessa mesma linha, Thaynara Leão resume os recursos mais modernos usados no tratamento de canal:
- Microscopia operatória, que possibilita melhor visualização e maior precisão clínica;
- Instrumentos mecanizados, que tornam o preparo dos canais mais eficiente e seguro;
- Sistemas de irrigação mais eficazes, favorecendo a desinfecção do sistema de canais radiculares;
- Tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT), permitindo a avaliação tridimensional das estruturas dentárias;
- Materiais de vedação modernos e bioativos, que contribuem para melhores resultados biológicos;
- Técnicas contemporâneas, incluindo abordagens de endodontia regenerativa, quando indicadas.
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