Dia Mundial do Cérebro: entenda o que é 'brain rot' e como afeta a memória
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São Paulo - O uso excessivo de conteúdos rápidos nas redes sociais pode afetar a concentração, a memória, o sono e a capacidade de tomar decisões. O fenômeno, conhecido como brain rot, volta ao centro das discussões neste 22 de julho, Dia Mundial do Cérebro, criado para conscientizar sobre a saúde neurológica. A data foi instituída em 2014 pela Federação Mundial de Neurologia, fundada em 1957.
Embora brain rot, que significa literalmente "apodrecimento cerebral", não seja um diagnóstico médico, o termo passou a ser usado para descrever os efeitos do consumo contínuo de conteúdos digitais superficiais.
Em 2024, a expressão foi escolhida como a "Palavra do Ano" pelo Dicionário Oxford, destacando a preocupação crescente com os impactos do ambiente digital sobre o cérebro.
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O que é o brain rot?
O termo descreve uma perda gradual da capacidade de manter a atenção em atividades que exigem maior concentração, causada pelo consumo excessivo de vídeos curtos, publicações rápidas e outros conteúdos digitais de fácil assimilação.
Segundo estudos divulgados pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPq) e por pesquisas indexadas na plataforma PubMed/NCBI, o hábito de rolar a tela continuamente consumindo notícias e conteúdos sem interrupção, (doomscrolling, em inglês), está associado ao aumento da sobrecarga cognitiva e da ansiedade.
De acordo com o psiquiatra Marcelo Heyde, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, esse padrão mantém o cérebro em busca constante de recompensas imediatas.
Esse excesso de estímulos pode impactar a concentração, a memória, a qualidade do sono e a regulação da ansiedade, pois o cérebro se acostuma com as recompensas rápidas e simples em detrimento de tarefas minimamente mais complexas.”
O especialista explica que, apesar de o brain rot não ser um termo técnico, ele ajuda a descrever sintomas relacionados à dependência digital e à perda de interesse por atividades que exigem maior esforço cognitivo.
Quais são os principais sinais?
Especialistas apontam que a exposição intensa a estímulos digitais pode provocar alterações no funcionamento do cérebro e favorecer sintomas como:
- Dificuldade de concentração;
- Sensação de névoa mental;
- Redução da memória recente;
- Dificuldade para tomar decisões;
- Aumento da ansiedade;
- Cansaço mental constante;
- Piora da qualidade do sono.
Segundo o neurologista Marcelo Nakamura, do Hospital Nipo-Brasileiro, o consumo contínuo de conteúdos rápidos sobrecarrega regiões cerebrais ligadas ao foco e ao planejamento. O córtex pré-frontal é a região do cérebro responsável pelo foco e tomada de decisões. Esse bombardeio digital gera um estado de alerta constante que resulta em névoa mental e exaustão cognitiva.
Dar pausas à mente é um ato preventivo necessário para evitar o esgotamento e proteger nossa saúde neurológica", afirma.
Quais hábitos ajudam a proteger o cérebro?
Os especialistas afirmam que pequenas mudanças na rotina podem reduzir os efeitos do excesso de telas e favorecer a saúde neurológica. Confira a seguir:
Estabeleça períodos sem celular: criar momentos do dia livres de telas, especialmente durante refeições e encontros familiares, ajuda a diminuir a estimulação constante do cérebro.
Organize a rotina: planejar o dia e dividir as tarefas em blocos reduz a sobrecarga mental e evita o excesso de atividades realizadas ao mesmo tempo.
Priorize o sono: dormir entre sete e nove horas por noite contribui para a consolidação da memória, o equilíbrio emocional e a recuperação do cérebro.
Pratique respiração ou mindfulness: reservar alguns minutos para exercícios de respiração ou atenção plena pode ajudar a reduzir os níveis de ansiedade e melhorar a concentração.
Mantenha uma alimentação equilibrada: uma dieta rica em frutas, vegetais, proteínas e gorduras saudáveis fornece nutrientes importantes para o funcionamento adequado do sistema nervoso.
Faça pausas ao longo do dia: observe sinais como esquecimento frequente, irritabilidade, dificuldade de concentração e cansaço após longos períodos diante das telas. Esses sintomas podem indicar que o cérebro precisa de pausas.
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