Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Diabetes mal controlado pode prejudicar os rins; saiba como evitar

Envato

Quando uma pessoa tem diabetes, o açúcar no sangue fica alto por muito tempo; esse excesso pode prejudicar os rins - Envato
Quando uma pessoa tem diabetes, o açúcar no sangue fica alto por muito tempo; esse excesso pode prejudicar os rins
Por Bianca Bibiano

13/03/2026 | 08h12

São Paulo - Aproximadamente 40% das pessoas diagnosticadas com diabetes, seja tipo 1 ou tipo 2, desenvolverão doença renal crônica em todo o mundo, uma condição silenciosa e assintomática, mas diagnosticada tardiamente na maioria dos casos.

No Brasil, estima-se que 29% dos casos de doença renal que necessitam de diálise ocorram entre pessoas com diabetes, de acordo com dados do Censo Brasileiro de Diálise de 2024 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

Isso ocorre porque, com o tempo, os altos níveis de glicose podem afetar os rins, tornando essencial que as pessoas diagnosticadas com diabetes também tenham acompanhamento com um nefrologista e dediquem atenção à saúde de seus rins.

Leia também: Doença renal é silenciosa e diagnóstico tardio preocupa especialistas

Para preservar a saúde renal, é crucial manter o controle glicêmico, realizar exames de rotina e investir em hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada e atividade física regular.

De acordo com Cynthia Borges, nefrologista da ADJ Diabetes Brasil, os rins funcionam como filtros do corpo. Eles limpam o sangue e eliminam substâncias que o organismo não precisa pela urina. 

"Quando uma pessoa tem diabetes, o açúcar no sangue fica alto por muito tempo. Esse excesso de açúcar pode machucar os pequenos vasos sanguíneos dos rins, que são responsáveis pela filtração. Com o passar dos anos, isso pode fazer os rins perderem a capacidade de filtrar bem o sangue, levando à doença renal crônica", explica.

Leia tambémUreia alta: fadiga e falta de apetite podem indicar problema renal silencioso

Na maioria das vezes, o diabetes vem primeiro e, com o tempo, pode afetar os rins. Mais raramente, quando uma pessoa já tem doença renal, isso pode dificultar o controle do açúcar no sangue.

Por isso, monitorar ativamente a saúde renal é essencial. "Ainda vemos uma lacuna significativa no diagnóstico de DRC no Brasil. Por isso, é crucial que pacientes diabéticos e hipertensos, especialmente aqueles com histórico familiar, estejam vigilantes e realizem esse rastreamento", comenta o nefrologista e Gerente Médico da Vantive Brasil, Paulo Lins.

Leia também: Brasil bate recorde de transplantes, mas ainda tem 78 mil pessoas na fila

De acordo com o especialista, a realidade hoje é que a maioria dos pacientes renais no Brasil chega à diálise de forma emergencial, após uma condição de saúde grave. 

O que acontece com 70% a 90% dos pacientes é que eles se sentem mal, realizam exames e descobrem, na hora, que seu rim já não funciona mais. Portanto, estar ciente dos fatores de risco, como o diabetes, é muito importante para garantir um diagnóstico precoce e melhores condições de tratamento", diz Lins.

Como evitar doenças nos rins

Para o médico Pedro Túlio Rocha, do Hospital São Lucas Copacabana, a prevenção continua sendo a principal estratégia para evitar a progressão da doença.

"Mudanças simples no estilo de vida podem reduzir significativamente o risco de danos aos rins", pontua.

Veja três cuidados essenciais:

1. Conheça os fatores de risco

Entre os fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver comprometimento da função renal estão diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença renal e envelhecimento. Pessoas que convivem com essas condições devem ter atenção especial e realizar acompanhamento médico regular.

Identificar esses fatores precocemente permite adotar medidas preventivas e monitorar a saúde dos rins antes que a doença avance para estágios mais graves.

"Grande parte dos casos de doença renal crônica está associada a condições como hipertensão e diabetes. Por isso, identificar esses fatores de risco e acompanhar a função renal regularmente é fundamental para evitar a progressão da doença", explica o nefrologista.

2. Mantenha uma boa hidratação

Os rins desempenham papel central na regulação do equilíbrio de líquidos do organismo. Uma hidratação adequada contribui para que esses órgãos consigam filtrar o sangue de forma eficiente e eliminar substâncias que o corpo não precisa mais, como toxinas e resíduos metabólicos.

Além disso, a ingestão regular de água ajuda a manter o volume adequado de urina e pode reduzir o risco de formação de cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins. "Uma hidratação adequada contribui para o bom funcionamento dos rins e facilita o processo de filtragem do sangue e eliminação de substâncias que o organismo não precisa mais", diz Rocha.

Leia também: Verão eleva em 30% os casos de pedras nos rins; entenda os riscos em idosos

3. Faça exames de rotina

Exames de rotina são essenciais para detectar alterações precoces na função renal. Testes simples, como a dosagem de creatinina no sangue, o cálculo da taxa de filtração glomerular e exames de urina, já são capazes de identificar sinais iniciais de comprometimento renal.

A doença renal muitas vezes evolui sem sintomas evidentes. Por isso, exames de rotina são fundamentais para detectar alterações precocemente e iniciar o acompanhamento adequado antes que o quadro evolua.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias