El Niño: governo articula estratégias contra impactos do fenômeno na saúde
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São Paulo - O Ministério da Saúde iniciou os preparativos para lidar com os impactos do El Niño na saúde. O plano, que envolve prioritariamente o Sistema Único de Saúde (SUS), estipula investimentos superiores a R$ 9 bilhões para aumentar a capacidade de resposta ao fenômeno climático, que atingirá o Brasil entre os meses de novembro e janeiro.
“O calor extremo deixou de ser um evento raro. Ondas de calor, que antes ocorriam uma vez por década, agora acontecem quase três vezes mais frequentemente. As consequências já são mensuráveis: estima-se que cerca de 498 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de causas relacionadas ao calor no mundo”, avalia Beatriz Martins Carneiro, representante Interina do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
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Quais são as medidas e como vão funcionar?
As medidas do Ministério da Saúde, divulgadas na terça-feira (30), são compostas por 27 metas e 93 ações com previsão de encerramento em 2035. Ao longo dos anos, o programa irá atuar em cinco frentes: coordenação, fortalecimento da capacidade de saúde, comunicação, vigilância e alertas, e reforço de insumos.
Nesta quarta-feira (1), foi inaugurado o primeiro Centro Integrado de Saúde e Clima na Bahia. Ele é o primeiro de oito unidades. Outros destaques são o Painel Nacional de Excesso de Calor, que funcionará como um sistema de alerta precoce com até cinco dias de antecedência, e a ampliação da Força Nacional do SUS para oito bases nas cinco regiões do país.
Há ações voltadas à população idosa?
O ministério também trabalha com um protocolo específico sobre calor para idosos, com orientações que incluem:
1) Oferecer água mesmo sem sede.
2) Evitar exposição ao sol durante os horários mais quentes.
3) Manter a casa ventilada, fresca e arejada.
4) Conferir se medicamentos de uso contínuo estão sendo tomados corretamente.
5) Usar soro fisiológico em caso de ressecamento dos olhos ou das narinas.
As ondas de calor extremo foram associadas a cerca de 120 mil mortes no Brasil em duas décadas, aponta a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). A população idosa é a mais vulnerável, concentrando 80% dos óbitos, especialmente por complicações respiratórias, renais e metabólicas.
(Por Nathalia Tetzner, especial para o VIVA)
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