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Em época de festas, o auxílio médico pode ser importante para lidar com o luto

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Os sintomas do luto não podem ser desconsiderados e merecem atenção, pois se acentuados, pode ser preciso uma intervenção médica ou psicológica. - Envato
Os sintomas do luto não podem ser desconsiderados e merecem atenção, pois se acentuados, pode ser preciso uma intervenção médica ou psicológica.
Por Marcel Naves

20/12/2025 | 11h38

São Paulo, 20/12/2025 - Com a chegada do Natal e do Ano Novo, é normal que as pessoas fiquem mais emotivas e reflexivas. Entre discussões envolvendo valores familiares, religiosos e recordações, não se pode ignorar a relevância do momento. Especialistas acreditam que passar por esse processo natural de adaptação à ausência de um ente querido muitas vezes necessita de ajuda médica.

O tema, que requer mais atenção, em geral não é tratado com a seriedade necessária, sendo visto apenas como uma situação passageira. Médicos ouvidos pelo Portal VIVA disseram que, entre os sinais de que o luto ultrapassou a fase considerada normal, estão depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, piora na qualidade do sono e do apetite.

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O sentimento da perda

A jornalista Cris Pupo passou pela perda de três pessoas muito próximas. Uma delas, ocorrida em junho deste ano, foi a de sua irmã mais velha. Na sequência, vieram os falecimentos de duas grandes amigas, ocorridos em novembro e dezembro. Para Cris, é um momento muito difícil, que custa a passar.

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Arquivo/ Pessoal:  Em menos de um ano Cris Pupo  sofreu três perdas, entre uma irmã e duas amigas .
“Eu estou fazendo coisas que me distraiam, que me façam movimentar mais o corpo. Estou retomando os exercícios físicos para conseguir suportar. Eu sempre fui muito otimista, mas, quando a coisa acontece na nossa porta, é mais difícil. A gente não consegue reagir da mesma forma que orienta as outras pessoas”, desabafa a jornalista.

Cris Pupo relatou que procurou a ajuda de uma psicóloga e foi orientada a viver o luto. Ela lembra que a profissional explicou que não adiantava tentar negar o que estava acontecendo. “Ela disse que eu estava triste e que, por isso, eu precisava viver o luto para me fortalecer e seguir em frente, o que não é fácil, mas é necessário”, contou Cris Pupo.

O apoio médico

Para a psiquiatra Ana Paula Ruocco Nonato Matsumota, cada pessoa vive o luto à sua maneira. A médica explica que, em geral, esse processo costuma durar de seis a 12 meses e que, para muitos, o mais difícil é a sensação de vazio e a quebra da rotina emocional.

“Envolve sofrimento, mas também é um processo natural de adaptação à ausência. Inclui saudade, dor, lembranças e, ao longo do tempo, reconstrução emocional. Pela minha experiência na psiquiatria, a perda de um filho costuma ser uma das mais dolorosas”, relata a especialista.

O sofrimento em todas as idades

A psiquiatra Ana Paula Ruocco explica que o sofrimento varia conforme a faixa etária. Adultos costumam expressar o luto de forma mais clara, enquanto adolescentes e idosos são mais propensos a complicações. Segundo ela, as crianças expressam o luto principalmente pelo comportamento: até os cinco anos entendem pouco sobre a morte; entre seis e nove anos começam a compreender; e, a partir dos 10 anos, vivenciam o luto de forma semelhante à dos adultos.

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Arquivo/Pessoal: A Psiquiatra  Ana Paula Ruocco defende o acompanhamento médico psiocológico em determiandos lutos. 

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Para a especialista, não existe remédio específico para o luto, mas o uso de alguns medicamentos pode ser necessário em um tratamento psiquiátrico. Antidepressivos e ansiolíticos, entre outros, são prescritos de maneira individualizada. O tratamento envolve acompanhamento médico, psicoterapia — especialmente a terapia do luto — e suporte familiar e social.

O Transtorno do Luto Prolongado

Um estudo publicado no Journal of Affective Disorders, prestigiado periódico médico e científico, classifica a dor prolongada pela perda de alguém próximo como Transtorno do Luto Prolongado (TLP). A condição, reconhecida pela psiquiatria, é marcada por sofrimento emocional contínuo, saudade profunda e dificuldade de aceitar a morte, mesmo meses após a perda.

Entre os sinais mais comuns do TLP estão o isolamento social, a dificuldade de concentração, a sensação de vazio e sintomas de ansiedade ou depressão. O estudo reforça que o reconhecimento do transtorno como condição clínica é fundamental para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado.

O tratamento envolve principalmente acompanhamento psicológico especializado, com terapias voltadas à elaboração da perda. Em alguns casos, também pode ser indicado o acompanhamento psiquiátrico, especialmente quando há sintomas de depressão ou ansiedade associados.

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