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Engasgar com frequência não é normal; saiba como disfagia afeta pessoas 50+

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Condição acomete entre 16% a 22% da população acima de 50 anos; sinais como engasgo frequente devem ser observados - AdobeStock
Condição acomete entre 16% a 22% da população acima de 50 anos; sinais como engasgo frequente devem ser observados
Por Bianca Bibiano

16/03/2026 | 15h52

São Paulo - A disfagia não é uma doença isolada, mas um distúrbio de deglutição relacionado a diferentes condições de alterações neurológicas e musculares ligados a problemas estruturais na garganta e no esôfago.

Ela pode aparecer em qualquer faixa etária, porém, é mais frequente em situações como pós-AVC, doenças neurodegenerativas, internações prolongadas e no envelhecimento. Isso porque nessa fase, a reserva funcional do organismo diminui e pequenas mudanças podem impactar a segurança ao engolir

Segundo artigo da especialista em otorrinolaringologia Patrícia Paula Santoro, essa condição acomete entre 16% a 22% da população acima de 50 anos, alcançando índices de 70% a 90% de distúrbios de deglutição nas populações mais idosas.

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Santoro menciona ainda que entre 20% a 40% dos pacientes pós-AVC apresentam disfagia, sendo identificada aspiração em até 55% destes. Acomete também mais de 95% dos pacientes com doença de Parkinson, sendo que apenas 15% a 20% percebem sua limitação funcional, queixando-se espontaneamente.

No mês de atenção ao tema, que acontece em março, entidades científicas e serviços de saúde reforçam que identificar cedo é decisivo.

"A disfagia ainda é subdiagnosticada porque muita gente normaliza engasgos e tosse como algo ‘do dia a dia’, especialmente entre idosos", afirma Juliana Venites, fonoaudióloga e presidente da Academia Brasileira de Disfagia.

Engasgar com frequência não é detalhe, é sinal de alerta, e investigar cedo pode evitar complicações sérias”.

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Sintomas de disfagia

Entre os sinais mais comuns estão tosse ou engasgos ao comer e beber, sensação de alimento 'parado' na garganta e mudança na voz após a deglutição. O desconforto para engolir e episódios recorrentes de infecções respiratórias também indicadores de que a via aérea pode estar sendo comprometida

A conscientização também tem um papel direto na rotina de cuidado das famílias e cuidadores. Em casa, observar o comportamento durante as refeições, como fadiga para mastigar, demora para terminar o prato, recusa de líquidos, necessidade de “pigarrear” a todo momento, ou episódios de engasgo repetidos, ajudam a reconhecer quando é hora de procurar orientação especializada.

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Atenção ao engolir

Outro ponto frequentemente reforçado nas campanhas é que a segurança ao engolir não envolve apenas o que se come, mas também como a ação é realizada. Nesse sentido, o indicado é

  • comer sempre em ambiente calmo
  • ter atenção ao ato de engolir
  • postura adequada para a alimentação

Além disso, o acompanhamento de pessoas com maior risco pode fazer diferença enquanto a avaliação clínica não acontece.

“Quando a deglutição não está segura, o impacto vai muito além do desconforto. Há risco de aspiração, de pneumonias de repetição e de queda do estado nutricional, e isso pode acelerar fragilização e perdas funcionais. Por isso, a orientação correta e o cuidado multiprofissional são tão importantes: o objetivo é proteger a saúde e preservar qualidade de vida”, completa Juliana Venites. 

Quais sinais a observar?

  • Tosse ou engasgo ao comer ou beber.
  • Mudança na voz após a alimentação.
  • Sensação de alimento preso na garganta.
  • Pneumonias recorrentes.
  • Perda de peso inexplicada.

Tratamentos indicados

O manejo adequado costuma envolver uma equipe multiprofissional, com avaliação e condução integradas, frequentemente com participação de fonoaudiólogos, médicos e nutricionistas, ajustando consistências, estratégias seguras de alimentação, reabilitação da deglutição e acompanhamento do estado nutricional e da hidratação, sempre de acordo com cada caso. 

Diante de suspeita, o acompanhamento é realizado por equipe interprofissional, na qual o fonoaudiólogo tem o papel de avaliar e indicar o tratamento da deglutição. Este pode variar desde exercícios e treino da função de engolir até adaptações na consistência alimentar e, em alguns casos, incluir o uso de vias alternativas de alimentação.

Além disso, é fundamental considerar os aspectos emocionais, sociais e espirituais relacionados à alimentação do paciente.

A presidente da Academia Brasileira de Disfagia ressalta ainda que engasgos frequentes e 'pneumonias que voltam' em idosos precisam ser levados a sério e não devem ser encarados como algo 'normal da idade'. Ela reforça que existem protocolos, recursos terapêuticos e profissionais preparados para avaliar a disfagia, planejar condutas e orientar famílias, tornando o envelhecimento mais seguro e digno.

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