Dor nos pés, tornozelos ou coluna? Ortopedistas esclarecem possíveis causas
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São Paulo - A partir dos 60 anos de idade, queixas como rigidez matinal e dores nos joelhos, pés, mãos e coluna podem se tornar constantes, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida.
Na maior parte dos casos, o fenômeno tem explicação fisiológica, mas quando persiste, pode sinalizar problemas de saúde mais graves. A seguir, especialistas orientam como diferenciar os casos de dor e como se proteger.
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Segundo o ortopedista John Guibor Crespo, do Hospital Quali Ipanema (RJ), o envelhecimento reduz naturalmente a elasticidade da cartilagem, a produção de líquido sinovial e a força muscular responsável por proteger as articulações.
E esse processo começa muito antes dos 60 anos. "A partir dos 30 anos já começamos a perder massa muscular, e o sedentarismo contribui para deixar as articulações desprotegidas", explica.
De acordo com o médico, quando a musculatura não está fortalecida, as articulações passam a compensar esse déficit e acabam sobrecarregadas. "Os pés e tornozelos ficam sobrecarregados, a panturrilha fica tensa e a coluna passa a absorver mais impacto, o que gera mais inflamação", detalha.
Antes de recorrer a medicações, ele diz que o caminho deve começar pelo fortalecimento muscular em três frentes de atenção que podem trazer resultados significativos:
- Fortalecer os pés e a panturrilha.
- Trabalhar a mobilidade do tornozelo.
- Fortalecer o core e o quadril para aliviar a sobrecarga na coluna.
Quando a dor nos ossos e articulações se torna preocupante?
Apesar dos impactos naturais do envelhecimento no corpo, uma dor persistente não deve ser normalizada. Em alguns casos mais graves, ela pode estar ligada a casos de câncer ósseo ou fibromialgia, por exemplo.
Para ajudar a diferenciar o câncer ósseo de uma dor muscular comum do cotidiano, o ortopedista Júlio Moulin, da Kora Saúde, aponta três fatores fundamentais de suspeição. "O primeiro deles é a persistência do sintoma, já que o desconforto gerado por um tumor não desaparece após alguns dias de repouso e tende a se intensificar progressivamente ao longo das semanas".
Já o segundo sinal de alerta essencial é a piora noturna, uma característica marcante da doença onde a dor se torna muito mais aguda, contínua e incômoda justamente no momento em que o paciente se deita para dormir.
Por fim, o aparecimento de qualquer inchaço localizado, calor na pele ou o surgimento de um caroço rígido e visível próximo às articulações completam os indícios práticos que justificam agendar uma consulta médica imediatamente.
No caso da fibromialgia, o diagnóstico pode ser mais desafiador e demorado, pois os sintomas se confundem com os de outras doenças e não há um exame específico para identificar a condição.
De acordo com o ortopedista Marcelo Ruck, da Santa Casa de Mauá (SP), a fibromialgia é uma síndrome reumatológica crônica, marcada por dores generalizadas e persistentes em todo o corpo, especialmente em músculos, tendões e articulações. Suas causas, porém, não são totalmente conhecidas e estudos apontam para uma combinação de fatores genéticos e ambientais:
“Traumas físicos ou emocionais, estresse intenso, além de doenças prévias como pneumonia, infecções gastrointestinais ou gripes fortes podem desencadear a síndrome. Pacientes com lúpus ou artrite reumatoide têm maior risco de desenvolver fibromialgia”, completa o médico, orientando que pessoas com dores persistentes busquem ajuda.
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