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Estilo de vida saudável: confira estratégias para idosos que precisam mudar

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Fatores comportamentais, sociais e até ambientais interferem diretamente na capacidade de mudança - Freepik
Fatores comportamentais, sociais e até ambientais interferem diretamente na capacidade de mudança
Por Bianca Bibiano

21/04/2026 | 12h00

São Paulo - Emagrecer, alimentar-se melhor, sair do sedentarismo, parar de fumar. Esses são alguns dos objetivos mais comuns quando o assunto é envelhecer com saúde. Mas transformar intenção em hábito saudável pode ser um desafio mais incômodo com o avanço da idade. 

E a dificuldade não está apenas na falta de disciplina, mas em fatores comportamentais, sociais e até ambientais que interferem diretamente na capacidade de mudança de estilo de vida, apontam especialistas.

Do ponto de vista individual, a nutricionista Fabiana Infante Smaira explica que uma das principais barreiras está na forma como o comportamento é compreendido.

Segundo ela, há uma tendência de focar no resultado final, como perder peso, e não nas ações que levam a ele, como calçar o tênis para exercitar-se ou escolher uma fruta na hora do lanche, afirmou em palestra no Congresso da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (GERP.26).

Na ocasião, ela destacou que mudanças duradouras dependem de atitudes concretas e repetidas no dia a dia e chamou a atenção para frases comuns entre seus pacientes, como "mudar é difícil demais pra mim" ou "já tentei de tudo e não consigo". 

Para a especialista, essas falas refletem aspectos impactantes do processo de mudança, como baixa confiança na própria capacidade, percepção de obstáculos e falta de oportunidades para agir, além da falta de apoio.

"A gente precisa trabalhar a percepção da capacidade", disse, ao defender que a mudança exige mais do que motivação, envolvendo também condições práticas e apoio adequado.

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Avanço gradual

Smaira explica que o comportamento é resultado da interação entre três fatores principais: capacidade, oportunidade e motivação. Isso significa que, mesmo quando há vontade de mudar, o indivíduo pode não conseguir se não tiver conhecimento, condições ou ambiente favorável. Nesse contexto, identificar onde está a dificuldade é essencial para traçar estratégias eficazes.

Outro ponto destacado pela nutricionista é que a mudança não acontece de forma imediata, mas em etapas. Segundo ela, há diferentes estágios, desde o momento em que a pessoa ainda não considera mudar até a fase em que o novo hábito já está consolidado. Cada fase exige um tipo de abordagem.

"No casos dos idosos, especialmente, cabe ao profissional que o acompanha estabelecer metas e planos realistas", afirmou, ao reforçar a importância de respeitar o ritmo de cada indivíduo.

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Mudanças práticas

Entre as estratégias apontadas, a definição de metas claras e possíveis é uma das mais importantes. Smaira recomenda que os objetivos tenham um propósito, sejam específicos e incluam prazos. Em vez de metas genéricas, como "fazer mais exercícios", a orientação é detalhar quando, onde e como a atividade será realizada. Isso torna o plano mais concreto e aumenta as chances de adesão.

Outro aspecto essencial é ter metas alcançáveis e com significado pessoal. Segundo a especialista, quando a mudança está conectada a um desejo real, como melhorar a disposição ou a qualidade de vida, a motivação tende a ser maior. Pequenos avanços também devem ser valorizados, já que mudanças consistentes costumam acontecer de forma gradual.

Além disso, estratégias simples do cotidiano podem ajudar a evitar a autossabotagem. O uso de lembretes, organização da rotina, apoio de familiares e até a preparação antecipada de atividades são ferramentas que facilitam a incorporação de novos hábitos. Essas medidas ajudam a transformar intenção em ação, reduzindo barreiras práticas, explica.

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Foco no coletivo

A nutricionista também destaca que a mudança de comportamento não pode ser analisada de forma isolada, especialmente quando se trata de alimentação saudável. Fatores como renda, ambiente, rotina e até políticas públicas influenciam diretamente as escolhas individuais. Por isso, ela defende que as intervenções mais eficazes são aquelas que consideram o contexto em que a pessoa está inserida, indo além de recomendações genéricas.

A ideia é reforçada pelo médico cardiologista Caio Tavares, que também palestrou no Gerp.26. Ele aponta que mudanças em larga escala têm potencial de gerar impactos expressivos na saúde da população.

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Caio Tavares destaca impacto de estratégias coletivas para mudanças de estilo de vida - Bianca Bibiano/Portal VIVA

Segundo ele, ações que foquem no coletivo podem garantir o combate ao crescente número de casos de doenças cardiovasculares, que atualmente atingem centenas de milhões de pessoas no mundo e estão associadas a fatores modificáveis como hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado e tabagismo

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"Pessoas com esses fatores de risco têm o dobro de incidência de doença cardiovascular, e todos eles podem ser mudados com estratégias coletivas", observa. O especialista destaca que a ausência desses fatores pode representar um ganho significativo de longevidade. "Existe um ganho de sobrevida de 10 a 15 anos quando eu não há nenhum desses cinco fatores de risco atrelados", afirmou.

Ao citar estudos que mostram esse impacto no longo prazo, Tavares citou políticas públicas implementadas em diferentes países. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Escócia, no Reino Unido, que proibiu o fumo em ambientes fechados em 2006 e, após 10 anos, viu cair drasticamente o número total de internações por síndrome coronária aguda, especialmente entre pessoas acima de 60 anos de idade.

"Os dados mostram claramente uma queda de hospitalizações, tanto em fumantes quanto em não fumantes", observa, apontando também para os riscos do tabagismo passivo.

Outro exemplo citado pelo médico é um estudo realizado em áreas rurais da China que avaliou a substituição do sal comum por uma versão com cloreto de potássio. A intervenção resultou na redução da pressão arterial e na diminuição de eventos como acidente vascular cerebral naquela população.

Segundo o cardiologista, o sucesso do projeto esteve não apenas em fornecer o substituo de sal para pessoas hipertensas, mas para todo o grupo familiar, mostrando como a mudança coletiva contribui para atingir o objetivo.

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Tavares também mencionou pesquisas realizadas no Quênia, que compararam populações com estilos de vida distintos, e estudos com comunidades indígenas no Brasil, destacando que mudanças ambientais, como urbanização e alterações na alimentação, podem elevar a pressão arterial ao longo do tempo, prejudicando a população de maneiras amplas. "Quando a gente fala na saúde populacional, a gente tem que pensar em mudanças da nossa sociedade", concluiu.

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