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Fibrilação atrial: saiba como identificar os sintomas e evitar complicações

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Fibrilação atrial pode aumentar o risco de AVC e exige tratamento adequado - Adobe Stock
Fibrilação atrial pode aumentar o risco de AVC e exige tratamento adequado
Por Alexandre Barreto

07/07/2026 | 08h24

São Paulo - Você sabe o que é fibrilação atrial? O distúrbio do ritmo cardíaco provoca batimentos irregulares e acelerados. Além de causar sintomas como palpitações, cansaço, falta de ar e redução da capacidade para atividades do dia a dia, a doença aumenta o risco de complicações, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca quando não é tratada adequadamente.

O diagnóstico costuma ser feito por meio de avaliação clínica e exames cardiológicos, permitindo ao especialista definir o tratamento mais indicado para cada paciente.

Uma dessas pacientes um dia foi a aposentada Maria Aparecida Ferreira, de 76 anos, que recuperou a qualidade de vida após passar por um procedimento para tratar a fibrilação atrial, considerada a arritmia cardíaca sustentada mais comum do mundo.

Segundo ela, as crises de aceleração dos batimentos cardíacos deixaram de fazer parte da rotina após a realização da ablação cardíaca por campo pulsado, em 2025. Maria conta que convivia com episódios frequentes de palpitações, que se tornaram cada vez mais intensos. Em uma das crises, os batimentos chegaram a 160 por minuto, o que exigiu atendimento de emergência. Depois de acompanhamento médico e do uso de medicamentos, ela recebeu indicação para realizar o procedimento.

Eu tinha muito medo de fazer a ablação, mas hoje penso que, se soubesse como seria, teria feito antes. Não senti dor, a recuperação foi muito rápida e, desde então, não tive mais crises”, relata.

Após o tratamento, Maria deixou de utilizar medicamentos específicos para controlar a arritmia e voltou a realizar atividades que fazia antes das limitações causadas pela doença. “Hoje vivo uma fase muito especial. Voltei a viajar tranquila, sem medo das crises, e me sinto muito bem”, disse.

Como funciona a ablação por campo pulsado?

Uma das tecnologias utilizadas atualmente para tratar a fibrilação atrial é o sistema FARAPULSE™, desenvolvido pela Boston Scientific. O método utiliza a chamada ablação por campo pulsado, também conhecida pela sigla PFA.

Diferentemente das técnicas convencionais, que empregam calor ou frio para eliminar os focos responsáveis pela arritmia, a tecnologia utiliza pulsos elétricos de alta intensidade para atuar de forma seletiva nas células cardíacas envolvidas na alteração do ritmo do coração.

O procedimento é minimamente invasivo, com a introdução de um cateter por uma veia da perna até o coração, onde são aplicados os pulsos elétricos. A duração média é inferior a uma hora, e a recuperação costuma ser rápida.

Segundo o cardiologistaTamer El Andere, membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) e mestre em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP), a técnica representa um avanço no tratamento da fibrilação atrial.

“Além de permitir uma atuação mais seletiva no tecido cardíaco, a tecnologia contribui para procedimentos mais eficientes e com um perfil de segurança bastante favorável. Isso também se reflete na percepção do paciente, que muitas vezes retoma a rotina e a qualidade de vida de forma mais rápida”, afirma. 

Apesar dos avanços no tratamento da fibrilação atrial, o acesso às tecnologias mais recentes ainda é limitado no Brasil. Atualmente, novas opções terapêuticas estão em análise pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável por definir quais procedimentos passam a integrar a cobertura obrigatória dos planos de saúde.

O tema passou por consulta pública, etapa em que pacientes, profissionais de saúde e representantes da sociedade puderam enviar contribuições para subsidiar a decisão da agência. Agora, a expectativa é pela conclusão da avaliação, que poderá ampliar o acesso a tratamentos mais modernos para pessoas diagnosticadas com o distúrbio.

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