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Glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível evitável no Brasil

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O exame de tonometria é o procedimento oftalmológico mais utilizado para medir a pressão intraocular e averiguar risco de glaucoma - AdobeStock
O exame de tonometria é o procedimento oftalmológico mais utilizado para medir a pressão intraocular e averiguar risco de glaucoma
Por Bianca Bibiano

19/05/2026 | 15h58

São Paulo - Silencioso, progressivo e irreversível quando não tratado, o glaucoma segue como uma das principais ameaças à saúde ocular no Brasil e no mundo. Estimativas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia apontam que mais de 1,7 milhão de brasileiros convivem com a doença, número que tende a crescer com o envelhecimento da população.

A condição afeta cerca de 2% das pessoas acima dos 40 anos e pode ultrapassar 6% após os 70 anos.

"O maior perigo do glaucoma está no fato de que ele não dá sinais. Não provoca dor, não causa vermelhidão, não incomoda. A perda de visão acontece de forma lenta e progressiva. E, de maneira surpreendente, o paciente muitas vezes não percebe. É comum que a pessoa só note algo errado quando já perdeu completamente a visão de um dos olhos", afirma o oftalmologista Rubens Belfort Neto, doutor pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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Caracterizado, na maioria das vezes, pelo aumento da pressão intraocular, o glaucoma provoca lesões no nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. O dano leva à perda gradual do campo visual, principalmente da visão periférica, e pode culminar em cegueira permanente.

O principal fator de risco é o histórico familiar, mas a doença também é mais comum em pessoas com alta miopia, diabetes, uso prolongado de corticoides, além de quem já passou por cirurgias oculares, traumas ou inflamações intraoculares. Pessoas negras também apresentam maior risco de desenvolver a doença.

Diagnóstico

Apesar da gravidade, o diagnóstico costuma ser simples e pode começar em consultas oftalmológicas de rotina, principalmente com a medição da pressão intraocular. O exame é rápido, indolor e realizado na maior parte dos consultórios especializados.

"Apesar de depender de um aparelho específico, praticamente todo consultório oftalmológico possui equipamentos para medir a pressão dos olhos. Existem, inclusive, aparelhos que conseguem fazer essa medida sem tocar no olho, utilizando um jato de ar. Eles são muito úteis para triagens e exames em grande quantidade de pessoas, embora sejam um pouco menos precisos", explica Rubens Belfort Neto.

Segundo o médico, o método mais preciso é feito com um tonômetro, aparelho que encosta levemente na superfície do olho após anestesia com colírio.

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O especialista ressalta, porém, que o diagnóstico não depende apenas da pressão ocular. "Esse dano provoca aumento da escavação do disco óptico - o 'buraquinho' no centro do nervo - e perda progressiva do campo visual periférico."

Ele explica que existem situações que podem ser confundidas com glaucoma e que fazem parte do chamado diagnóstico diferencial. Ou seja: o oftalmologista precisa conseguir diferenciar essas alterações porque, muitas vezes, elas são bastante parecidas.

Uma das situações mais comuns é a chamada escavação fisiológica aumentada. "Algumas pessoas simplesmente nascem com o nervo óptico mais escavado, sem que isso represente doença. Nesse caso, o 'buraco' no centro do nervo é maior do que a média não porque houve perda de fibras pelo glaucoma, mas porque aquele é o formato natural do nervo daquela pessoa", detalha o médico.

Além disso, neurites, alterações vasculares e até tumores cerebrais podem causar lesões semelhantes.

Por isso, a primeira coisa que o oftalmologista faz durante a consulta é medir a pressão ocular. Quando a pressão está normal, a chance de glaucoma já diminui bastante. Se ela está aumentada, é feita uma avaliação mais detalhada do nervo óptico."

Entre os exames complementares utilizados estão gonioscopia, campimetria, retinografia e tomografia de coerência óptica, por exmeplo, que ajudam a aumentar a precisão do diagnóstico.

Sintomas 

A oftalmologista Carolina Rottili Daguano, do Hospital Oftalmos, destaca que o grande desafio da doença está justamente na ausência de sintomas iniciais. "Em alguns casos, podem ocorrer dor nos olhos e vermelhidão, mas os quadros assintomáticos representam a grande maioria", explica.

Quando os sintomas aparecem, a doença geralmente já está em estágio avançado. A perda da visão periférica passa a dificultar tarefas cotidianas como dirigir, caminhar e descer escadas. Nos casos mais graves, também ocorre comprometimento da visão central, afetando leitura, uso do computador, atividades domésticas e até a autonomia do paciente.

O glaucoma pode se apresentar de diferentes formas, sendo as mais frequentes o Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) e o Glaucoma Primário de Ângulo Fechado (GPAF), este último com evolução mais rápida e intensa."

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Também existem formas secundárias, associadas a inflamações, doenças da retina, tumores, traumas e cirurgias oculares. Já os tipos juvenil, infantil e congênito podem atingir desde recém-nascidos até crianças pequenas.

"Os sintomas e sinais podem estar presentes desde o nascimento ou até os três primeiros anos de vida, apresentando características como aumento do globo ocular, perda da transparência da córnea, que leva ao aspecto azulado do olho, vermelhidão ocular, fotofobia e lacrimejamento", alerta Carolina.

Tratamento 

Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado quando identificado precocemente. O tratamento inclui colírios, aplicações de laser e, em casos mais avançados, cirurgias para reduzir a pressão intraocular.

As fibras nervosas já danificadas não se recuperam, mas o tratamento adequado consegue estabilizar o quadro e preservar a visão restante", afirma Belfort Neto.

A recomendação é que os exames oftalmológicos façam parte da rotina de cuidados, especialmente após os 40 anos. Depois dos 60, a orientação é que o acompanhamento seja anual.

"Medir a pressão ocular regularmente pode evitar a cegueira. É um cuidado acessível, rápido e com impacto direto na qualidade de vida", conclui o médico.

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