Inca lança guia que aborda a prevenção do câncer entre mulheres negras
Reprodução/Inca
São Paulo, 24/02/2026 - Mulheres negras enfrentam preconceitos e discriminações em diversos campos da vida e a saúde, infelizmente, não é exceção. Observando a incidência do racismo nesse setor, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou este mês a cartilha “Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer”.
Disponível de forma gratuita no site do Inca, o guia ilustrado elenca os tipos de câncer mais frequentes entre pessoas negras do sexo feminino, modos de prevenção e sinais de atenção, bem como atitudes que elevam ou diminuem os riscos de contrair a doença. Sobre o racismo, incluindo o religioso, o livro faz um alerta: são fatores que atrapalham o processo do tratamento oncológico, desde a triagem.
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Nesse sentido, o guia traz falas que narram situações de discriminação vivenciadas por essas mulheres, como o depoimento da Yyá Katiuscia de Yemanjá, do ilê de Guaratiba e uma das lideranças do projeto Saúde das Mulheres Negras, da organização CRIOLA:
“Uma coisa muito importante para gente é considerar a nossa identidade e, por exemplo, as nossas especificidades. Na clínica da família onde a gente é atendida, quando a gente pede pra ser nomeada pelos nossos nomes [da religião], a gente escuta uma provocação: ‘De onde você tirou esse nome’?”, relatou no material.
Produção com terreiros
A cartilha foi produzido por pesquisadoras do Inca junto com mulheres dos terreiros de candomblé Ilê Axé Obá Labí, de Pedra de Guaratiba, e do Ilê Axé Egbé Iyalodê Oxum Karê Adê Omi Arô, de Nova Iguaçu, a partir da pesquisa “Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer em Mulheres Negras”, realizada com elas entre 2023 e 2025, no Rio de Janeiro.
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Katiuscia acredita que fazer com que as mulheres tenham acesso a materiais politizados com saberes ancestrais é uma conquista para o projeto. “Para mim, isso é o mais importante: como eu, enquanto território ancestral, consigo ter um documento legitimado pelo Instituto de Câncer, que pode circular dentro de projetos e, por exemplo, mobilizar a participação social e as formações políticas que fazemos”, completa a iyá.
Produzido inicialmente para circular em terreiros, o material do Inca está disponível a toda mulher negra, participante ou não de religiões afro. “No processo formativo de incidência política que temos realizado não há só mulheres de axé. A gente parte do nosso território, mas alcança cada vez mais mulheres da comunidade para formar incidência dentro da própria UBS (Unidade Básica de Saúde)”, finaliza.
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