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Menopausa não provoca queda abrupta nos níveis de testosterona; entenda

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Segundo especialistas, a transição hormonal não justifica suplementação generalizada de testosterona - AdobeStock
Segundo especialistas, a transição hormonal não justifica suplementação generalizada de testosterona
Por Bianca Bibiano

11/03/2026 | 08h25

São Paulo - A testosterona é um hormônio natural produzido pelo corpo humano e que tem papel fundamental no organismo feminino. Sua redução no período que antecede a menopausa pode se manifestar por diferentes sinais, como queda do desejo sexual, cansaço persistente, perda de massa muscular, dificuldade para ganhar força, desânimo, alterações de humor e baixa concentração.

Essas mudanças, contudo, não acontecem de uma vez, mas sim uma queda lenta ao longo dos anos que antecedem o fim da menstruação. É o que explica a ginecologista Martha Calvente, da clínica CDPI e do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio de Janeiro.

"Diferentemente do estrogênio, cujos níveis diminuem de maneira significativa com a interrupção da menstruação, gerando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e secura vaginal, a testosterona segue uma curva mais lenta e progressiva ao longo das décadas".

A especialista apoia a afirmação em um estudo publicado ano passado no periódico científico The Lancet eBioMedicine, com mais de 1.100 mulheres australianas entre 40 e 69 anos e que mostrou que o declínio ocorre de forma gradual e está mais relacionado com o envelhecimento cronológico do que com o estágio reprodutivo.

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Os dados da pesquisa indicam que os níveis de testosterona reduzem cerca de 25% a partir dos 40 anos, mas essa queda começa ainda por volta dos 20 anos, atingindo níveis mais baixos em média aos 58 e 59 anos. O estudo também mostrou que os ovários continuam contribuindo para a produção de testosterona mesmo após a menopausa.

Precisa repor testosterona na menopausa?

Segundo a endocrinologista Rosita Fontes, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, embora a testosterona tenha um papel importante, a queda desse hormônio é natural e esperada e não reflete uma necessidade fisiológica de reposição.

A suplementação de testosterona só possui indicação para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH), conhecido por 'baixa libido', em mulheres na pós-menopausa e após um diagnóstico médico criterioso, depois da exclusão de possíveis condições clínicas que justifiquem essa manifestação, diz a especialista. 

Não há evidências de que o hormônio melhore o humor, o bem-estar ou a cognição de forma generalizada".

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Além disso, Fontes frisa que o uso inapropriado, visando ao aumento da massa muscular, é contraindicado, por prejuízos à saúde. Segundo ela, o estudo australiano é importante para chamar a atenção de todos, especialmente das mulheres nessa fase da vida, para sempre procurarem atendimento médico especializado para orientação sobre o tratamento. "A menopausa por si só não é uma indicação para a reposição de testosterona", conclui.

Exames para saúde da mulher

Para avaliar a situação hormonal da mulher, alguns exames laboratoriais são frequentemente solicitados:

  • Hormônio Folículo-Estimulante (FSH) - Exame que avalia esse hormônio, produzido pela hipófise para estimular os ovários. Quando estes param de funcionar, a produção de FSH sobe muito, como um sinal de que o corpo não está tendo resposta.
  • Estradiol - É o principal estrogênio liberado pelos ovários na vida reprodutiva. Com a interrupção da atividade ovariana, a produção de estradiol despenca e o exame pode mensurar essa queda.
  • Hormônio Anti-Mülleriano (AMH) - Esse exame é mais comum na fase da perimenopausa ou para avaliar a reserva ovariana e a fertilidade, já que ele reflete a quantidade de folículos restantes nos ovários. Na menopausa, os níveis são indetectáveis ou extremamente baixos, sinalizando que o estoque de óvulos acabou.

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De acordo com Rosita Fontes, apesar do papel importante da testosterona, o exame para mensurá-la não é solicitado de rotina, pois é esperado que seu nível seja baixo em mulheres. Do mesmo modo, é contraindicado fazer a resposição como tratamento para sintomas da menopausa, explica a médica.

É mais comum, na verdade, que sejam solicitados exames complementares para avaliar os riscos dessa nova fase à saúde da mulher. Entre eles, Fontes cita:

  • Hemograma - Avalia a presença de anemia, comum no período que antecede a menopausa, quando as menstruações podem se tornar mais longas e intensas. Pode ser complementado com um estudo do metabolismo do ferro.
  • Perfil lipídico (colesterol total, LDL colesterol, HDL colesterol, triglicérides, não HDL colesterol) - Checa as gorduras do sangue e indica a necessidade de exames complementares ou tratamento em caso de dislipidemia.
  • TSH - Avalia a função tireoidiana, já que o hipotireoidismo é mais frequente nessa fase da vida.
  • Glicose e hemoglobina glicada - Exames que rastreiam o pré-diabetes e o diabetes mellitus.
  • Creatinina - Detecta precocemente doença renal crônica.
  • Enzimas hepáticas, TGO e TGP - Avaliam a função do fígado.
  • Densitometria óssea - Verifica se a queda do estrogênio está causando perda de massa óssea. Em caso de osteopenia ou osteoporose, exames complementares (cálcio, fósforo, vitamina D, PTH, CTx) avaliam o metabolismo do cálcio.
  • Mamografia e colonoscopia - Rastreiam câncer de mama e colorretal, devendo ser mantidas após a menopausa conforme orientação médica.

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