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Museu da Empatia simula sintomas motores severos do Parkinson

Paula Bulka Durães/VIVA

O espaço propõe que o público experimente as limitações decorrentes da doença de Parkinson - Paula Bulka Durães/VIVA
O espaço propõe que o público experimente as limitações decorrentes da doença de Parkinson
Por Paula Bulka Durães

04/06/2026 | 17h25 ● Atualizado | 17h26

Belém - Em uma sala discreta no Congresso Norte/Nordeste de Geriatria e Gerontologia (CoNNeGG 2026), os participantes são convidados, entre um intervalo e outro das palestras, a vivenciar uma experiência sensorial profunda, promovida pelo Museu da Empatia – Despertar Parkinson.

O projeto é uma realização do Grupo Cynthia Charone (GCC), referência em atendimento gerontológico no País, e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) – Seção Pará (SBGG-PA).

O espaço propõe que o público, em geral formado por médicos e profissionais da saúde, experimente as limitações decorrentes da doença de Parkinson, condição neurológica crônica, progressiva e degenerativa causada pela deterioração dos neurônios produtores de dopamina.

A consequência são limitações motoras, como os tremores característicos, e cognitivas, como a depressão. Outros sintomas menos comentados incluem a perda olfativa.

Os visitantes começam a imersão com a escuta ativa de relatos de pessoas com Parkinson, especialmente sobre a descoberta da condição. "Para mim foi impacto, porque eu tinha uma vida muito ativa", diz uma das vozes, enquanto outro paciente lamenta o quanto o avanço dos sintomas retarda e interrompe projetos de vida.

A imersão avança para dinâmicas que simulam a limitação motora (acinesia) e a dificuldade de engolir (disfagia).

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Atividade do Museu da Empatia convida participantes a escrever o próprio nome com cargas elétricas cada vez mais intensas - Paula Bulka Durães/VIVA

Em uma das dinâmicas, eletrodos são conectados aos braços dos participantes, que recebem cargas elétricas que promovem tremores incontroláveis, enquanto realizam atividades como escrever o próprio nome e levar um garfo à boca.

Em outra sala, adesivos são colados no pescoço, e a carga elétrica torna difícil uma tarefa simples, como tomar um copo d'água. À frente, um espelho carrega a dimensão simbólica de enxergar a própria frustração por não conseguir engolir.

Com pedaços de algodão encharcados nas laterais da boca, o participante é desafiado a contar de um a dez em voz alta sem deixar a saliva cair. O acúmulo de saliva, associado à disfagia, gera intenso constrangimento social e isolamento, segundo os organizadores do evento.

O público simula a dificuldade de dar o primeiro passo e o esforço de caminhar sobre superfícies irregulares. A angústia aumenta com os gritos recorrentes dos instrutores: "bora, bora mais rápido".

Na ativação final, formando duplas, os visitantes tentam expressar alegria extrema ou raiva somente com o olhar, sem mover os músculos do nariz para baixo ou da sobrancelha para cima.

"Não é que ele não esteja gostando. Demonstra balbuciando, tentando falar, mas mesmo assim não consegue expressar", relata uma profissional sobre a incompreensão familiar.

A equipe envolvida reforça constantemente que a pessoa com Parkinson convive com todos os sintomas de forma simultânea, e não isolada. "Discriminação não deve haver e nem pena. Pena jamais, é respeito. Você merece respeito", exige uma das vozes.

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