Memória autobiográfica fortalece a saúde emocional e bem-estar de idosos
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São Paulo - Você já ouviu falar em memória autobiográfica? Esse sistema cognitivo tem ganhado espaço como uma ferramenta importante no cuidado com a saúde emocional de idosos.
Especialistas apontam que relembrar experiências pessoais ajuda a fortalecer a identidade, reduzir a sensação de solidão e melhorar o bem-estar psicológico durante o envelhecimento.
Além do aspecto afetivo, a prática também pode contribuir para a saúde cognitiva. Alguns exemplos de estímulos capazes de ativar lembranças e reforçar vínculos familiares são conversas sobre momentos marcantes da vida, músicas antigas, fotografias e objetos pessoais.
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Segundo a gerontóloga Ana Julia Marinho, do Cora Residencial Senior Premium, no Rio de Janeiro, estimular recordações vai além de momentos nostálgicos.
Ao estimular esse tipo de recordação, o cuidado com o idoso ganha uma dimensão mais ampla. Não se trata apenas de acompanhar a saúde física, mas de preservar a identidade, fortalecer vínculos e promover bem-estar emocional.
O que é memória autobiográfica
A memória autobiográfica reúne lembranças ligadas às experiências, emoções e acontecimentos vividos ao longo da vida. Ela ajuda a pessoa a compreender sua trajetória, suas escolhas e sua relação com o mundo.
Na velhice, esse processo se torna ainda mais relevante porque contribui para preservar a autonomia emocional e o senso de pertencimento.
Ana Julia explica que recordar vivências pessoais permite que o idoso continue sendo reconhecido pela própria história.
Quando o idoso relembra sua história, ele reafirma quem é. É como se houvesse uma continuidade entre passado e presente. Ele deixa de ser apenas alguém que envelheceu e volta a ser protagonista da própria trajetória.
Para a especialista, o envelhecimento da população amplia a discussão sobre saúde mental e qualidade de vida na terceira idade, e o cuidado com idosos deve considerar aspectos emocionais e sociais.
“Estimular a memória autobiográfica é, nesse contexto, uma forma de preservar identidade, fortalecer vínculos e promover qualidade de vida. Afinal, mais do que lembrar, trata-se de permitir que cada pessoa continue sendo reconhecida pela sua própria história”, disse.
Cuidado mais humanizado
Em instituições voltadas ao cuidado da terceira idade, o estímulo à memória autobiográfica já faz parte da rotina de acompanhamento para promover um cuidado mais humanizado e individualizado.
“Quando escutamos a história de vida de um idoso, não estamos apenas coletando informações, estamos acessando aquilo que dá sentido às suas escolhas e à forma como ele quer ser cuidado”, explica o médico geriatra e diretor médico e operacional da BSL Saúde, Felipe Vecchi.
O médico geriatra afirma que conhecer a história de vida do idoso auxilia na tomada de decisões clínicas e familiares.
"Muitas vezes, decisões difíceis ficam mais claras quando entendemos quem aquele idoso foi e quem ele ainda deseja ser", destaca.
Como estimular a memória autobiográfica?
Os especialistas afirmam que pequenas atitudes podem ajudar famílias e cuidadores a estimular lembranças afetivas de forma natural. Confira alguma das estratégias:
- Incentive conversas sobre o passado com perguntas sobre infância, trabalho, viagens e momentos importantes para despertar memórias e fortalecer o diálogo familiar;
- Use álbuns de família, cartas e objetos pessoais que podem funcionar como gatilhos emocionais e facilitam o resgate de histórias;
- Aposte em músicas antigas, perfumes e receitas tradicionais que possam ativar lembranças de maneira espontânea;
- Respeite as repetições de histórias, pois fazem parte do processo de envelhecimento;
- Crie momentos em família para compartilhar memórias que ajudam o idoso a se sentir acolhido e pertencente ao grupo.
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