Sintomas de tontura e vertigem aumentam risco de quedas na população 60+
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São Paulo - Tonturas, sensação de desequilíbrio ao caminhar, vertigem ou aquela impressão de que tudo está girando podem representar importantes fatores de risco para quedas, uma das principais causas de hospitalização, incapacidade e perda da independência, especialmente entre os idosos.
De acordo com o otorrinolaringologista Márcio Salmito, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o sistema vestibular, localizado no ouvido interno, é um sensor que detecta movimentos e posições do corpo. Qualquer alteração nessa área pode aumentar de seis vezes a 12 vezes o risco de quedas.
Esse sistema sensorial, muito mais do que apenas nos informar sobre nossa posição, é um dos principais responsáveis pela orientação espacial e pelo equilíbrio do corpo. Quando ele não funciona adequadamente, o risco de quedas aumenta consideravelmente, principalmente entre os idosos, que já apresentam outras alterações naturais relacionadas ao envelhecimento.”
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Equilíbrio em risco
O equilíbrio é uma função sofisticada do corpo que depende de estruturas sensoriais , motoras e neurológicas. Com o avanço da idade, o organismo passa por mudanças degenerativas na maioria dessas estruturas, o que afeta diretamente a capacidade de manter o equilíbrio.
Segundo o especialista, esse cenário pode ser agravado por doenças do sistema vestibular, como a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), doença de Menière, neurite vestibular e outras condições que afetam o labirinto.
O otorrinolaringologista diz que a maioria dessas doenças acaba recebendo o diagnóstico errado de labirintite.
Muitas pessoas associam a tontura a um desconforto passageiro, mas, em geral, sentir tontura não é normal. Na população idosa, inclusive, pode ser o primeiro sinal de um problema capaz de comprometer a autonomia e a qualidade de vida."
Sintomas
O médico diz que que uma única queda pode desencadear consequências físicas, emocionais e sociais nos idosos e orienta avaliação médica especializada ao notar qualquer um dos seguintes sintomas:
- Tontura frequente
- Vertigem
- Sensação de flutuação
- Desequilíbrio ao caminhar
- Necessidade constante de apoio
- Situações de quase queda
Ele revela que o diagnóstico costuma requerer experiência do especialista com essas doenças e com frequência podem ser necessários exames específicos, chamados de otoneurológicos.
“Atualmente, existem vários exames que tem o objetivo de medir o nível de funcionamento do sistema vestibular e pesquisar eventuais alterações neurológicas associadas”, diz o médico, citando que o vHIT (vídeo-head impulse test) e a vídeo-oculografia são os tipo mais frequentes.
Impacto mental das quedas
Além de apresentar riscos para o corpo, uma queda pode impactar a saúde mental da pessoa idosa e causar uma condição conhecida como síndrome pós-queda, explica a fisioterapeuta Isabela Oliveira Azevedo Trindade, presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
A pessoa passa a evitar atividades por preocupação em cair novamente e, com isso, reduz sua movimentação. Quanto menos ela se movimenta, mais perde força muscular, equilíbrio e condicionamento físico, aumentando ainda mais a probabilidade de novos acidentes. Em muitos casos, o medo produz mais incapacidade do que a própria queda."
Após uma queda, Trindade recomenda observar se há alterações na autonomia do idoso. "Um único episódio pode desencadear perda de independência, redução da mobilidade, necessidade de cuidadores, isolamento social, sintomas depressivos e piora significativa da qualidade de vida", completa.
Medidas que reduzem risco de quedas
Os especialistas dizem que identificar a causa correta e tratá-la adequadamente é fundamental. Além dos cuidados médicos, diferentes medidas podem reduzir a tontura e o desequilíbrio, prevenindo as quedas, por exemplo:
- Praticar atividade física regularmente.
- Corrigir alterações visuais e auditivas.
- Revisar medicamentos que possam provocar tontura.
- Utilizar calçados adequados.
- Evitar tapetes soltos e obstáculos dentro de casa.
- Garantir boa iluminação dos ambientes.
- Instalar barras de apoio em locais estratégicos, como banheiros e escadas.
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