CONFIRA

Novo método ajuda a prever resposta à imunoterapia no câncer de pulmão

Resposta ao tratamento nesses casos é baixa; estudo usa amostras de sangue e utiliza IA para prever resultado clínico com alta precisão

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

23/09/2026 | 08h27

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Hoje, o câncer de pulmão é a neoplasia mais diagnosticada e mais letal do mundo - Adobe Stock
Hoje, o câncer de pulmão é a neoplasia mais diagnosticada e mais letal do mundo
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Cientistas do Centro de Pesquisa em Imuno-oncologia do Eistein desenvolveram um método menos invasivo para identificar quais pacientes com câncer de pulmão se beneficiarão da imunoterapia, visando melhorar a eficácia do tratamento e reduzir a exposição a terapias ineficazes.

A pesquisa, que analisou amostras de sangue de 33 pacientes, utilizou inteligência artificial para prever a resposta à imunoterapia com 90% de precisão, mas requer validação em estudos clínicos maiores antes de ser implementada na prática médica.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Para mudar o panorâma do tratamento de câncer de pulmão, cientistas do Centro de Pesquisa em Imuno-oncologia (CRIO), do Einstein Hospital Israelita, desenvolveram um método menos invasivo capaz de identificar com antecedência quem realmente se beneficiará da imunoterapia.

Hoje, o câncer de pulmão é a neoplasia mais diagnosticada e mais letal do mundo, somando cerca de 2,5 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes anualmente, segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS).

Embora a imunoterapia tenha revolucionado a oncologia moderna, um dos maiores obstáculos atuais é que entre 50% e 60% dos pacientes com câncer de pulmão não respondem ao tratamento.

Atualmente, a escolha por essa terapia muitas vezes segue a lógica da tentativa e erro, o que pode expor o paciente a tratamentos ineficazes e adiar a adoção de estratégias mais adequadas. 

Tratamento mais efetivo

A pesquisa, publicada na revista científica iScience e financiada pela FAPESP e pela GlaxoSmithKline (GSK), analisou amostras de sangue coletadas antes do início do tratamento em 33 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) em estágio avançado.

Para entender o que ocorre no organismo de forma rápida e sem a necessidade de procedimentos invasivos, os pesquisadores analisaram o sangue dos pacientes em três etapas principais:

  • Exame detalhado célula por célula: utilizando uma tecnologia avançada de sequenciamento genético, a equipe analisou a atividade individual de cada célula de defesa no sangue. Eles descobriram que a corrente sanguínea reflete as alterações do tecido tumoral, funcionando como uma "janela" para entender o câncer;
  • Mapeamento de dois perfis imunológicos: Os cientistas observaram que os linfócitos T (as células encarregadas de defender o corpo) atuam de formas opostas:
    • Pacientes que respondem à terapia: apresentam células T ativas e prontas para atacar o tumor, marcadas pela presença do gene NKG7;
    • Pacientes resistentes: exibem células T "desativadas" e sem força para reagir, fenômeno associado ao acúmulo da proteína CTLA-4, que funciona como um freio no sistema imunológico;
  • Previsão por inteligência artificial: ao cruzar os dados de sangue no algoritmo de inteligência artificial, o sistema aprendeu a identificar esses perfis biológicos e estimar a chance de resposta à imunoterapia com cerca de 90% de precisão.

Além disso, em experimentos de laboratório, a equipe combinou medicamentos para bloquear as proteínas que travavam a imunidade, conseguindo reativar o ataque das células de defesa contra o tumor em amostras de pacientes que não haviam respondido ao tratamento convencional

Como destaca a primeira autora do estudo, Amanda Figueiredo, entender o papel da CTLA-4 abre caminhos para criar terapias combinadas capazes de reverter a falha imunológica. Já o líder da pesquisa e diretor do CRIO, Kenneth Gollob, reforça que antecipar a resposta qualifica a decisão clínica, evita o desgaste com tratamentos ineficazes e promove o uso mais racional dos recursos terapêuticos.

Próximos passos 

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que as descobertas representam uma prova de conceito e que o método precisa ser validado em estudos clínicos com coortes mais amplas antes de ser adotado na rotina de hospitais e clínicas.

Após essa validação, a metodologia poderá consolidar o avanço da oncologia personalizada, permitindo que equipes médicas definam a melhor estratégia terapêutica com base no perfil biológico de cada indivíduo através de um simples exame de sangue.

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