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O que é BIA-ALCL? Saiba sobre linfoma raro associado a próteses de silicone

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Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e cirurgiões plásticos reforçam que a doença é rara - Freepik
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e cirurgiões plásticos reforçam que a doença é rara
Por Emanuele Almeida

07/02/2026 | 09h10

São Paulo, 06/02/2026 - O recente diagnóstico da atriz e influenciadora Evelin Camargo trouxe o BIA-ALCL (linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários) para o centro das atenções na saúde feminina. Após notar um aumento repentino no volume de uma das mamas, a influenciadora buscou ajuda médica e confirmou a condição, acendendo um alerta importante sobre esse tipo raro de câncer associado a próteses de silicone. 

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Embora o nome gere preocupação, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e cirurgiões plásticos reforçam que a doença é rara, difere do câncer de mama tradicional e possui tratamento eficaz na maioria dos casos.

@camargoevelin Um pouco sobre o meu diagnóstico de BIA-ALCL #silicone #biaalcl #explant ♬ som original - Evelin Camargo

O que é o BIA-ALCL?

É fundamental esclarecer que o BIA-ALCL não é um câncer originário da glândula mamária, mas sim um linfoma, ou seja, um câncer do sistema linfático. A doença se desenvolve na cápsula fibrosa que o corpo forma naturalmente ao redor do implante de silicone ou no líquido acumulado nessa região.

Segundo a cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Larissa Sumodjo, o problema não está no gel de silicone em si, mas na interação entre o invólucro da prótese e a cápsula do organismo, sendo a inflamação crônica um fator importante apontado pela literatura científica.

Principais sintomas

Para mulheres com implantes, o principal sinal de alerta é o seroma tardio, caracterizado pelo acúmulo de líquido ao redor da prótese que gera um aumento súbito do volume da mama. Esse sintoma geralmente ocorre muitos anos após a cirurgia, mais especificamente acima de um ano após o procedimento.

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Idam Jr., mastologista membro do SBM, explica que o acúmulo de líquido causa assimetria entre as mamas e deve ser sempre investigado, embora na maioria das vezes a causa seja benigna. Além do inchaço, outros sintomas menos comuns que exigem avaliação médica imediata incluem:

  • Vermelhidão na mama;
  • Nódulos palpáveis ou endurecimento local;
  • Dor e aumento dos gânglios na axila.

Fatores de risco e diagnóstico

Evidências indicam que o risco do linfoma está associado principalmente a implantes de superfície texturizada, aqueles em que o revestimento externo não é liso, apresentando uma textura rugosa, semelhante a uma lixa fina ou esponja e, nos casos descritos mundialmente, surge em média entre sete a dez anos após a colocação da prótese.

O diagnóstico definitivo é realizado por meio de exames de imagem e punção para coleta do líquido ao redor do implante, que passa por diversas análises. A avaliação laboratorial é decisiva, pois as células do linfoma costumam estar presentes nesse fluido.

Não é preciso pânico, há tratamento e boas chances de recuperação 

O prognóstico para pacientes diagnosticadas com BIA-ALCL costuma ser bastante favorável, especialmente quando a doença está restrita à cápsula da prótese. O tratamento padrão é cirúrgico, consistindo na retirada completa do implante e da cápsula, procedimento que é considerado curativo na maioria dos casos iniciais. Em situações mais avançadas, pode ser necessário associar a quimioterapia.

Apesar da repercussão do caso de Evelin Camargo, os especialistas pedem tranquilidade e afirmam que mulheres sem sintomas não devem remover ou trocar suas próteses preventivamente. "Essa condição é rara e não justifica a retirada profilática dos implantes", destaca a Sociedade Brasileira de Mastologia.

O essencial é manter a rotina de exames de imagem e o acompanhamento médico regular. A vigilância contínua e a atenção aos sinais do corpo são as melhores ferramentas para garantir um diagnóstico precoce e um desfecho positivo

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