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O que fazer quando uma pessoa idosa sofre uma queda? Veja recomendações

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Caso a pessoa idosa fique inconsciente após uma queda, a recomendação é chamar um serviço de emergência, como SAMU - Envato
Caso a pessoa idosa fique inconsciente após uma queda, a recomendação é chamar um serviço de emergência, como SAMU
Por Bianca Bibiano

24/06/2026 | 11h58

São Paulo - As quedas são consideradas um dos maiores desafios da saúde relacionados ao envelhecimento da população. Além de escoriações e hematomas, podem provocar fraturas de quadril, punho e coluna, exigindo internação, cirurgia e longos períodos de reabilitação.

No longo prazo podem levar à perda da autonomia, isolamento social e até a mortalidade precoce. No Brasil, mais de 100 mil pessoas com mais de 60 anos são hospitalizadas anualmente por esse motivo, de acordo com o Ministério da Saúde.

"Na maioria das vezes, a queda é apenas a consequência visível de alterações que vêm se desenvolvendo ao longo do tempo, como perda de força muscular", afirma fisioterapeuta e diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), Caroline Saladini. Ela cita comprometimento do equilíbrio, uso de múltiplos medicamentos, alterações visuais, doenças crônicas, redução da mobilidade e presença de riscos no ambiente.

Como ajudar uma pessoa idosa após queda?

Ao presenciar uma queda, o primeiro passo é manter a calma e verificar se a pessoa idosa está consciente, orienta a Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO). Caso esteja desmaiada ou apresente confusão mental ou, o ideal é ligar para um serviço de emergência, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Agora, se a pessoa estiver consciente, pergunte se sente dor em alguma parte do corpo. Observe se há dificuldade de locomoção, dor intensa em regiões específicas ou sinais que possam indicar fratura. Nesse caso, não a movimente, mantenha-a deitada em uma posição confortável e acione o socorro médico.

Se a queda parecer leve, ajude a pessoa a se sentar e fique ao lado dela até que se recupere do susto. No dia seguinte, observe se surgiram hematomas ou dores persistentes. Caso os sintomas permaneçam ou piorem, leve-a imediatamente a um hospital ou posto de saúde.

Mesmo quando a queda parece simples, os riscos de complicações são altos, principalmente entre os mais velhos. Por isso, todo cuidado é pouco, tanto na prevenção quanto no atendimento imediato", alerta a SBTO.

Aumento de casos

Segundo dados fornecidos pela SBTO com base em levantamento do Ministério da Saúde, os atendimentos ambulatoriais de queda cresceram. Em janeiro e fevereiro deste ano, eles somavam 14.044 registros, contra 11.659 no mesmo período de 2025 e 4.624 em 2024. O crescimento de casos é de aproximadamente 20,4% em relação a 2025 e de 203,7% na comparação com 2024.

Já nas internações, os dois primeiros meses de 2026 registraram 8.319 procedimentos, ante 7.589 em 2025 e 6.458 em 2024. O avanço foi de 9,6% em relação a 2025 e de 28,8% frente a 2024.

O número de óbitos de idosos em decorrência de quedas chegou a 16.345 em 2024. Em 2025, os dados preliminares apontam 9.050 mortes. Os dados referem-se ao total de procedimentos realizados e não ao número de pacientes, já que um mesmo indivíduo pode gerar mais de um registro.

Desafio coletivo

Para Caroline Saladini, da SBGG-SP, os números revelam um desafio que envolve saúde pública, cuidado domiciliar, planejamento urbano e educação das famílias e das pessoas idosas. Quanto mais cedo esses riscos forem reconhecidos e tratados, maiores são as chances de manter a independência, a funcionalidade e a qualidade de vida da pessoa idosa.

Uma queda não deve ser analisada como um evento isolado. Quando uma pessoa idosa cai, é preciso investigar por que aquilo aconteceu. Foi tontura? Fraqueza? Alteração de pressão? Tropeço? Iluminação ruim? Uso de medicamento que causa sonolência? Cada resposta muda a estratégia de prevenção".

A SBGG-SP também chama atenção para o papel das cidades, já que calçadas irregulares, ausência de rampas, má iluminação pública, buracos, degraus sem sinalização e transporte pouco acessível ampliam a vulnerabilidade da população idosa.

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